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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Mestrado em gestão de direitos televisivos desportivos

23
Ago12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Miguel Relvas não para. E se uns dias antes tinha sido visto a almoçar com Joaquim Oliveira e Zeinal Bava na praia do Ancão, na véspera do Pontal, terça-feira ao final do dia, participou noutro jantar com figuras de primeira água. Entre elas, Joaquim Oliveira, o patrão da Sport TV e do "DN", Pinto da Costa e António Salvador, presidente do Braga. De que falariam tão ilustres comensais, em vésperas do início do campeonato e numa altura em que as televisões generalistas ficaram alheadas da transmissão dos jogos do campeonato? Para que conste, o jantar foi no Golfinho, na praia da Falésia".

 

(lido num comentário a um artigo em o "Relvado" - comentário de dia 20 de Agosto, pelas 23:45)

 

Os nossos amigos que gostam de fazer as coisas pelo outro lado, parece que andam muito preocupadinhos com as actividades veraniegas do ministro Miguel Relvas. De tal maneira que agora, até já nem se importam de ter na sua lista sócios e ex-putativos candidatos, que em tempos, acusaram de não pagar quotas à trinta anos.

 

Sempre é menos um potencial candidato, e um homem da Ongoing.

 

Não se preocupem meus caros, porque como muito bem documenta o Miguel, no Tomo II, as televisões por estes dias, não têm pilim que chegue para mandar cantar um ceguinho.

 

E quanto ao ministro Relvas, está apenas a fazer o TPC, de modo a conseguir recolher os créditos necessários para obter o mestrado em Gestão de Direitos Televisivos Desportivos. Por equivalência, está visto.

 

"Este sim" - terá comentado Relvas com o colega de governo Nuno Crato, "Este mestrado vale a pena. Na licenciatura tinha de gramar com as sandochas do refeitório, aqui são almoços no Ancão, e jantares na Falésia. Isto sim, é educação ao longo da vida!" 

 

(surripiado daqui) 

 

O outro lado contra-ataca

06
Jun12

Quando ontem, ao início da tarde, li o elogio do Figo ao Gaitán, ocorreu-me imediatamente: “Wtf! A que propósito?!”

 

Nem me perpassou pelo espírito que o Figo é a figura decorativa do momento no Inter de Milão, e do propalado “interesse” deste clube no jogador argentino.

 

A coisa soou-me a algo um tanto ou quanto estranho, como que vinda do nada. Ainda para mais, quando é o próprio Figo quem faz questão de frisar, que sendo director de relações internacionais, nada tem que ver com “a parte dos jogadores”.

 

 

Durante a noite, oiço na SIC Notícias, que o Mantorras iria dar por encerrada a sua carreira de futebolista (outra vez?), assumindo as funções de embaixador em Angola, do clube que em tempos, pedia encarecidamente para o deixarem jogar.

 

Festa rija de homenagem na calha, ou seja, «“um ato tão significativo e igualmente enorme emoção e relevância” para os benfiquistas “como para o povo de Angola”», e, como não podia faltar a encimar o cartaz, um jogo de homenagem entre equipas da Fundação do clube e da ACNUR (Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados).

 

Curiosamente, ainda que o omitam na notícia do canal de Carnaxide, no insuspeito Mais Futebol, por exemplo, acrescentam que o jogo vai ser organizado pela Fundação da casa, o ACNUR e …a Fundação Luís Figo!

 

Poderão alguns achar, após os dois textos que escrevi recentemente sobre as conexões angolanas no futebol português ("Quando a desinformação começa em casa" e "Mariquinha vem comigo pr'Angola"), que estou a exagerar.

 

A realidade é que, cada vez mais Angola e o capital angolano, assumem um papel de elevadíssimo relevo, no financiamento da actividade económica do País, cujo impacto se pretenderá, consequentemente, estender ao futebol.

 

É por demais evidente que nosso principal rival atravessa aquilo que em termos económicos se poderá designar por, uma enorme carestia de carcanhol. Pilim líquido, e não daquele que se adivinha nas pernas dos jogadores ou no betão dos estádios.

 

Se não vender nenhum jogador durante este defeso, a SAD terminará a época novamente falida, e os empréstimos a reembolsar no curto prazo ascendem a mais de 100 milhões de euros.

 

[Sobre esta matéria, recomendo vivamente a leitura deste artigo no BiTri, "Assim se explica o nosso apoio ao LFV : )"]

 

Além das necessidades financeiras, há a questão não de somenos importância, das eleições de Outubro próximo, para as quais, querendo apresentar-se como um vencedor, talvez não baste ao actual presidente, lançar ataques violentos ao inimigo mais querido.

 

Depois de caucionar a permanência do treinador bi-derrotado nas últimas épocas, ou tri-campeão da Taça da Liga, se virmos o copo meio cheio, a sua própria permanência poderá ficar pendente do aval de terceiros.

 

Festarolas de despedida do Mantorras, e contratações de arraia miúda, como Hugos Vieiras, Luisinhos ou Micheis, com o devido enquadramento, fazem umas capas giras nos pasquins da especialidade, mas não chegam.

 

Falta o peixe graúdo, o(s) nome(s) sonante(s) que alimente(m) as esperanças dos adeptos, e que possibilite(m) a imprescindível entrada em força na época de 2012-2013.

 

E para isso, falta o cacau!

  

Das negociações com a Olivedesportos, não se conhecem quaisquer novos desenvolvimentos, logo, por esse lado, não é expectável qualquer antecipação de receitas.

 

 

 

Angola é já ali. Se a aparente proximidade ao Ministro Relvas, no último ensaio da Selecção Nacional para o Euro, não passará além do plano institucional, a via Mantorras, findos que estão os seus tempos de gazua para chegar às balizas adversárias, poderá ser a forma de, pelo outro lado, apelar ao coração do povo angolano, e ir por aí acima na cadeia alimentar.

 

É bem certo que o povo, por aquelas bandas, não conta por aí além, mas…

 

Para terminar, fica o registo de algumas curiosidades/coincidências, sobre alguns dos personagens acima mencionados:

 

 

 

ACNUR (Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados) – cargo actualmente desempenhado por António Guterres, ex-Primeiro Ministro de Portugal (de Outubro de 1995 a Abril de 2002) e ex-Secretário-Geral do Partido Socialista (entre 1992 e 2002);

 

Luís Figo – feliz contemplado com um pequeno-almoço de 750 mil euros, para aparecer na campanha eleitoral de José Sócrates (ex-Primeiro Ministro de Portugal (entre Fevereiro de 2005 e Junho de 2011) e ex-Secretário-Geral do Partido Socialista (de Setembro de 2004 a Junho de 2011);

 

Luís Filipe Vieira – também ele, tal como Luís Figo, apoiante de José Sócrates;

 

Miguel Relvas – Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares do actual Governo PSD e Secretário-Geral do PSD (em 2004 e 2005, e desde 2010).

 

 

Cenas dos próximos capítulos, a não perder!


 

Nota: Outro ponto desta notícia, que é omitido em muitos sítios, mas que o Público refere, é que também marcou presença na nomeação do novel embaixador, para além do embaixador Eusébio, e outros órgãos sociais do clube, o presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista;

 

Nota2: Por sua vez, a notícia do Público, omite a parte respeitante à intervenção da Fundação Luís Figo. Pergunto-me, como é que sendo uma só notícia, conseguem todos transmiti-la de forma diferente?

Quando a desinformação começa em casa

31
Mai12

“[Miguel Relvas] alegadamente, representa o lobby angolano que, alegadamente terá também interesse em financiar o PSD.

 

Como nas autarquias não há obras, consequentemente não há sacos azuis para financiar as eleições internas dos partidos. (…) os partidos do arco do poder viraram-se para o capital angolano, o que explica a arrogância de Miguel Relvas em relação ao que anteriormente era a base do PSD: os autarcas.

 

Há também dentro do PSD oposição interna, embora discreta. Paula Teixeira da Cruz e Miguel Macedo, são alegadamente os inimigos mais sonantes de Relvas e da sua facção e modus operandi. Não que sejam uns santinhos, apenas representam interesses diferentes. Se Miguel Relvas cai, Passos Coelho fica à mercê do aparelho do PSD. Se Relvas deixa de o controlar, imaginem o quão frágil se torna a posição de Passos...Por isso, penso que esta demissão não irá existir, nem se por hipótese, o próprio a quisesse. Ângelo Correia e os seus não vão deixar o partido à mercê da linha do Balsemão, depois de tanto esforço para conquistar o aparelho para o seu lado, não estou a ver uma oferta de mão beijada”.

 

(retirado do texto "Risco sistémico", publicado no blog "artigo 58")

 

 

Quando aqui há tempos comentei, no texto "Mariquinha, vem comigo pr'Angola", o  veto de Luís Filipe Vieira a um torneio a realizar em Angola, supostamente promovido pelo agora na berra, Ministro Miguel Relvas, fi-lo em grande parte, porque estranhei a intermediação ministerial deste no processo.

 

Tendo em conta duas constatações. As boas relações que o clube que preside mantém (mantinha?) com aquele estado, e que até terão concorrido para que participasse, há duas épocas atrás, nos festejos do 35.º aniversário da sua independência.

 

E, além disso, o desprovido de sentido que me pareceu vetar um torneio, como retaliação à comichão que ao dito indivíduo havia provocado, o facto de aquele governante ter jantado com Pinto da Costa, Joaquim Oliveira, Judite de Sousa e Fernando Seara, após a vitória do FC Porto no Estádio da Lucy, selada com o golo do Maicon, naquilo que, aos seus olhos, teria configurado uma comemoração ostensiva, e pelos vistos, ofensiva.

 

Coloquei então a hipótese de se tratar de “uma maneira de procurar chegar a uma situação artificial de quid pro quo com a actual liderança política da nação”.

 

Pois bem, admito que as tricas da política, apesar de bem mais importantes para a vida de todos nós, me interessam bem menos que as futebolísticas, portanto, por vezes denoto lacunas bastante óbvias a esse nível.

 

Quando fiz aquela suposição, não havia ainda lido o texto acima transcrito. Mas, como não estou aqui para lançar lebres ou atoardas sobre o que quer que seja, parece-me que será de bom tom penitenciar-me, e acrescentar mais alguns dados àquilo que então disse.

 

O conteúdo do texto, bate certo com a argumentação que ouvi uma noite destas a José Luis Arnaut, em debate com Luís Fazenda, a propósito também do caso das secretas.

 

Dizia, inocentemente, o presidente da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol, que ao mexer em dossiers problemáticos como a reforma autárquica e na privatização da RTP, o coitado do Relvas terá cutucado as feras com paus demasiadamente curtos, e estará por isso, a levar o troco.

 

O problema, parece-me a mim, não será tanto o “deixar o partido à mercê da linha do Balsemão”, mas antes o desinteresse total que este terá em ver a RTP privatizada, e dividir com mais um operador privado, o já de si curto mercado publicitário, ou deixar a televisão do estado ir parar às mãos da concorrência.

 

Falando-se em Angola, necessariamente terá de se falar em Isabel dos Santos, que ainda recentemente reforçou as suas posições accionistas na Zon e no BPI.

 

 

 

Como se pode ler no artigo, em termos de programação, as grandes apostas da Zon, para conquistar audiências em terras angolanas, serão a SporTV e os canais TV Cine.

 

A SporTV, como é por demais sabido, é detida pela Controlinveste, de Joaquim Oliveira, e pela Zon. Assim sendo, o convívio entre Miguel Relvas e Joaquim Oliveira, parece fazer sentido, independentemente da sua associação a quaisquer festejos que estivessem em curso.

 

Por outro lado, para além de reforçar a sua posição no BPI, de que Américo Amorim foi fundador, e detentor de capital, até há uns anos atrás, Isabel dos Santos é, em parceria com o homem mais rico de Portugal, a feliz proprietária do BIC, a quem caiu no regaço o (des)nacionalizado BPN. A este somam-se outros negócios em conjunto, nomeadamente na área da energia e do petróleo.

 

 

 

 

 

Américo Amorim é membro do Conselho Consultivo do FC Porto. É demasiado rebuscado para chegarmos a algo que justifique a presença de Pinto da Costa no dito repasto.

 

Acontece que o FC Porto é também ele, proprietário de um canal de televisão. Gravitando a temática em torno do meio audiovisual, será por aqui o caminho? Quente ou frio?

 

Ficavam então, apenas explicar as presenças de Fernando Seara e Judite de Sousa. Bem, esta última, para além de portista, trabalha no ramo. Será suficiente? Não parece.

 

E Fernando Seara? Deixava-se arrastar para um jantar destes, apenas para acompanhar a esposa?

 

É um facto que lá para os lados do Estádio da Lucy, vão aparecendo novas vozes descontentes com o presidente e com o treinador.

 

José Veiga e António Figueiredo foram os primeiros. Agora é Bruno Carvalho, o concorrente derrotado no último plebiscito, que também tornou a assomar-se, comparando a situação actual do seu clube à Coreia do Norte e à Venezuela. Convenhamos, num clube que se arvora em paladino da democracia, até nos tempos em que cá no burgo o regime era ditatorial, fica mal!

 

Querem ver que o Fernando Seara ficou ressentido por ter visto hipotecadas as suas hipóteses de ir até ao fim com a sua candidatura à Liga e/ou à Federação Portuguesa de Futebol, vendo-se relegado da corrida pelos apoios ao “portista” Fernando Gomes e a Carlos Marta?

 

Quererá Fernando Seara constituir-se como uma “quarta via”? Logo ele, que tem estado com todos os presidentes de Damásio a Vieira, passando por Vale e Azevedo?

 

O que é certo é que, neste momento e num futuro próximo, pelo menos até ao acto eleitoral, o destino daquele clube e a sua capacidade para enfrentar a próxima temporada, está muito mais nas mãos de Joaquim Oliveira, do que o contrário.

 

Sem prosseguir a estratégia usual de antecipação de receitas, garantida pelos fundos da Olivedesportos e sem fundo de estrelas que lhes valha, as contratações, a havê-las, terão de ter como contrapartida vendas. Com Witsel reservado para o Real Madrid, restam o Gaitán, e como hipóteses mais remotas, o Rodrigo ou o Nélson Oliveira.

 

Ainda que se façam rogados, o contrato com a SporTV, é a única bóia de salvação que se avista. Única, exceptuando um qualquer milagre, claro está.

 

O que é que isto nos interessa? Como se costuma dizer no Brasil, “pimenta no cú dos outros é refresco”!

 

Vamos aguardar serenamente, com ou sem o Sereno. Vai-se a ver, ainda vamos ter o Porto Canal a internacionalizar-se para Angola.

 

Fica assim feita, em jeito de mea culpa, e para que a desinformação não comece em casa, a rectificação devida àquilo que disse antes.

 

Afinal de contas, nestas coisas que envolvem Angola e nos tempos que correm, o Ministro das secretas e dos aventais, é capaz de ter um papel bem mais relevante que quem boicotou o torneio.


Nota: Para quem tenha interesse no assunto, mais informações sobre Isabel dos Santos.