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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

22 minutos

05
Jan13

22 minutos. Foi tudo o que consegui ver do nosso jogo. Bem, na realidade até foram 25 minutos, com os três de descontos dados pelo árbitro.

 

Muito sinceramente estes 25 minutos de futebol que vi não me deixaram muito animado. Tivemos algumas boas jogadas, algumas triangulações bem gizadas e até oportunidades de golo, mas ainda assim.

 

Até ao apito final, não estive tranquilo. Foram tantas as faltas que cometemos no nosso meio-campo, que receei, que por um qualquer golpe de azar, a porcaria da bola entrasse na nossa baliza.

 

E faltas, a maior parte delas, perfeitamente desnecessárias. Será que o Danilo não é capaz de marcar um adversário sem lhe enfiar os braços por baixo do sovacame?

 

O Fernando continua com um jet lag jeitoso nos tempos de entrada, e agora, como se não bastasse, optou por algumas cuja ortodoxia fica algo a desejar.

 

À conta disso, ou por ter chutado a bola para longe, levou um amarelo, que o deixa à beira do quinto. Julgo que os da Taça do Lucílio não contam, senão, estaria em risco para a Cesta do Pão.

 

Aquando da substituição do Lucho, os dados estatísticos revelavam que tinha corrido mais de 9 quilómetros. Até pode ter feito essa distância, que deve fazer dele um dos que mais correram em campo, mas se o fez com o a propósito com que o vi em campo naqueles minutos, a produtividade do que correu não foi grande coisa.

 

Mas, como disse, também deu para ver coisas boas, como diria o Artur Jorge.

 

 

Para mim, com golo ou sem golo (que ainda não vi), o senhor da fotografia foi o melhor em campo. De cada vez que o vi tocar na bola, fê-lo, antes de mais com classe. Aquele toque de calcanhar foi apenas a cereja no topo do bolo. Só espero que a juntar à mialgia, aquele toque que levou por trás, não seja nada de grave.

 

Falhou à beira da baliza aquela recarga à recarga do Lucho ao remate do Defour, mas pareceu-me que foi tocado em falta pelo defesa que tentou o desarme.

 

Também gostei do Defour. Estranhei vê-lo em campo, pois dos apontamentos que fui vendo pelo Sapo, com um desfasamento parecido ao das entradas do Fernando, pareceu-me ser dos melhores em campo na primeira parte.

 

Depois é que soube que se lesionou. Estava então a dizer que gostei do Defour. É verdade, boa mobilidade e um bom remate. A posição do rapaz é aquela, e não a seis.

 

O João Moutinho apareceu pouco, mas de cada vez que apareceu, foi o João Moutinho, e o Kelvin ainda teve tempo para fazer um bonito.

 

Para além daquela jogada com o Jackson Martinez, li no Sapo que terá ficado por marcar um penálti a nosso favor. Coisa rara, deve ter sido mesmo descarado, para o mencionarem.

 

Nada a que não estejamos habituados, ou que não se espere do Rui Costa. Com, pelo menos uns dois ou três amarelos mostrados por agarrões ao adversário, que nalguns casos foram autênticas placagens, ainda assim houve um madeirense que se safou logo a seguir ao amarelo ao Fernando.

 

Ganhámos o nosso jogo, que era o que interessava, e acabámos com o James lesionado e o Martinez tocado, que é o que não interessava mesmo nada.

 

Assim, colámo-nos ao campeão de Inverno no topo da tabela, e mantemo-los sob a pressão possível, uma vez que historicamente, temos sempre mais problemas no António Coimbra da Mota do que eles, ali ou no elefante branco Faro-Loulé.

 

Ouvi de manhã numa antevisão, que só perderam uma vez em vinte jogos, e foi no tempo dos afonsinhos. Na pior das hipóteses, aposto que vamos entrar na Cesta do Pão a três pontos, e com uma partida a menos.

 

Amanhã veremos. Continuação de bom fim-de-semana, e até segunda-feira.  

 

 

De emprestado a emprestadado e fiado

03
Jul12
 

Comecemos pelo fim. Ou pelo princípio. Como as coisas estão, nem sei bem.

 

«Fiquei muito surpreendido e a medida coloca-me grandes reservas, até pela rapidez com que foi aprovada [durante uma assembleia geral extraordinária, de quinta-feira passada]. Acho que fazia mais sentido limitar o número de empréstimos. Passámos do oito para o 80», afirmou este sábado em entrevista ao jornal «Público», Mário Figueiredo, o presidente, aparentemente em funções, da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
 
 
 

Antero Henrique, diretor-geral da SAD dos campeões nacionais, deixou críticas à decisão, por entender que a medida representa um "retrocesso" para o jogador português.

 

"É um atentado ao jogador português. É um grande retrocesso no que diz respeito à necessidade de desenvolver o jogador português que assim vê o seu espaço diminuído. As equipas B são uma excelente medida, mas é preciso um nível intermédio", afirmou o dirigente em entrevista ao jornal 'O Jogo'.

 

Antero Henrique deu vários exemplos de atletas nacionais, que foram recentemente emprestados a clubes da primeira divisão e estiveram em bom plano: Adrien, Atsu, Cédric, Kelvin ou Pizzi.

 

"Isto caminha num sentido muito escuro, porque o que se defende é a solidariedade no futebol português, sobretudo num contexto de dificuldades financeiras", explicou.

 

O diretor do FC Porto acrescentou que não acredita em "sucesso sem planeamento", defendendo que esta decisão deveria ter sido "discutida com tempo, porque há vários modelos para a questão e basta ver o que aconteceu na liga mais comercial do mundo, a inglesa, onde as regras foram amplamente debatidas".

 

Antero Henrique criticou também os clubes que eram muito beneficiados com os empréstimos e votaram a favor da proposta do Nacional: "Muitos clubes andam hipnotizados, não sabemos muito bem com o quê. No fim deste hipnotismo vamos perceber como é que isto está...".

 

Entretanto, consta que, tanto FC Porto, como o segundo classificado da época passada, terão votado contra, assim como outros sete clubes, contra 19 que votaram a favor da medida proposta pelo Nacional da Madeira, e contando-se ainda uma abstenção.
 

 

O presidente do Sindicato de Jogadores é a favor: «"há algum tempo o Sindicato de Jogadores já tinha sugerido uma redução dos empréstimos, de modo a assegurar uma competição mais leal".

 

Sem jogadores cedidos, frisa, "todos os clubes ficam em pé de igualdade", dando um exemplo: "um clube que tem 27 jogadores que lhe pertencem, tem um orçamento mais elevado do que outro que recorre a empréstimos".

 

Ainda assim, o dirigente sindical entende que "deveria haver um período de transição, com limitação do número de empréstimos e não proibição imediata". E revela que "alguns clubes que votaram esta decisão porventura nem saberiam o que estava a ser discutido"».

 

 

Na óptica de Luis Duque, administrador da SAD do Sporting, que apoiou a medida, esta «"Vai, sobretudo, dar mais transparência ao futebol português", disse o dirigente, recordando que a proibição de empréstimo de jogadores a clubes da mesma divisão "é um facto em campeonatos como o inglês".

 

Para Luís Duque, "o princípio está aprovado”, mas caso apareça “quem saiba contornar a regra, isso fica para o julgamento de quem segue o futebol".

O dirigente sportinguista argumentou com as equipas B para justificar o fim desses empréstimos: "Os jogadores que precisarem de evoluir podem fazê-lo ‘em casa', isto é, nos clubes que os contratam e em provas profissionais"».

 

Ou seja, em poucas palavras, a balbúrdia do costume, e a sensação de que a Liga de clubes, neste momento não tem rei, nem roque. É a ditadura do proletariado, na sua expressão clubística. Com um clube de viscondes de permeio, é certo, mas cada vez mais lumpen.

 

No meio disto tudo, quem sai a ganhar com tal medida?

 

Os clubes que emprestam jogadores? Basta ver a posição assumida pelo administrador da nossa SAD, para perceber que dificilmente assim será. Quanto aos outros que votaram contra, estas coisas para eles são poliédricas. Têm lados em barda, e eles utilizam-nos a todos.

 

Lucram alguma coisa os clubes que recebiam hospitaleiramente os jogadores emprestados? Se tivermos em conta o que diz o presidente do Sindicato dos Jogadores, também não. Aliás, a fiarmo-nos nas suas palavras, esses clubes têm é vivido até aqui num regime de favorecimento encapotado, face aos que não contam nas suas fileiras com jogadores emprestados.

 

É interessante esta preocupação do homem sindicalista, que nada tem a ver com os jogadores, que supostamente representa, propriamente ditos, mas com a igualização dos pés dos clubes.

 

Então se um clube com a corda na garganta, como quase todos eles vivem permanentemente, tiver jogadores emprestados, com os quais não suporta encargos, a sua capacidade de solver os compromissos com os demais aumenta ou diminui, senhor sindicalista?

 

E os emprestados, preferirão estar encostados ou jogar pelas equipas B, ou rodar numa outra equipa qualquer do escalão principal? O sindicalista representa os seus sindicalizados ou falou a título meramente pessoal?

 

Mais transparência e verdade no futebol português? Reforço das equipas B?

 

Quando quem fala em transparência – Luis Duque, é simultaneamente o primeiro a dar-lhe a machadada: "o princípio está aprovado”, mas caso apareça “quem saiba contornar a regra, isso fica para o julgamento de quem segue o futebol".

 

O Mística Azul e Branca, sem grandes mistérios, também rapidamente aventou uma forma expedita de contornar a situação:

 

 “(…) está mesmo a ver-se o que vão fazer os clubes que queiram continuar a emprestar os seus excedentários: contratos de venda fictícios com uma cláusula de opção de recompra pelo mesmo preço, ou outra artimanha parecida! Se o jogador lhes interessar, vão lá buscá-lo. Isto a menos, claro, que o senhor Figueiredo também queira alterar as leis do Código Comercial e que só seja possível efectuar negócios, debaixo da sua tutela”.

 

É verdade que a medida, à primeira vista, parece entroncar na criação das equipas B. Até nem seria de todo desprovida de sentido.

 

Havendo a possibilidade de emprestar jogadores a clubes da mesma liga, com o fito de, para além da componente desportiva, de per si, gerar uma esfera de influência, porque iriam os clubes colocar os jogadores nas equipas B?

 

E os jogadores? Penso fundamentalmente naqueles com algum estatuto, real ou imaginário. Podendo jogar na liga principal, porque diabos iriam dar um passo atrás nas carreiras, e alinhar pela B, numa divisão secundária?

 

Esta proibição pode funcionar como um argumento para o clube, tipo “meu amigo, tem três hipóteses: é a B, ou zarpa para a estranja, ou fica a coçar os ditos cujos no banco”.

 

Sem dúvida que, para quem patrocinou a reactivação das equipas B, esta medida parece essencial, no sentido da sua afirmação e do reforço da competitividade artificial do futebol português.

 

Todos sabemos que, independentemente da simpatia que os portugueses nutrem pelo clube da terrinha, quando esta não coincide com o local de origem de algum dos três grandes, serão poucos aqueles que não têm preferência por um destes últimos.  

 

São estes clubes que levam público aos estádios, sendo que um deles, de tal maneira se ufana disso mesmo, que até houve por bem incitar os seus adeptos a não acompanharem a equipa do seu coração fora de portas.

 

Assim sendo, havendo a possibilidade de ver o clube da terra a defrontar, e eventualmente, até bater-se de igual para igual, com um dos grandes, será essa hipótese desprezível? É a equipa B dos outros? Que seja, o que é que isso interessa? Será sempre o FC Porto, ou o outro ou aqueloutro.

 

O ideal mesmo era que, para além de equipas B, criassem equipas C, D, E, F, e as espalhassem por todas as divisões. Aí sim, é que o nosso futebol, num ápice, se iria tornar um primor de competitividade e até a capacidade dos estádios teria de ser revista, para albergar tamanhas multidões de adeptos.

 

Se querem saber a minha opinião, o último chefe que tive, com quem realmente aprendi alguma coisa de jeito, dizia que “as leis são feitas para ajudar os amigos, lixar os inimigos e aplicar aos indiferentes”.

 

Vamos aguardar, como disse o Luis Duque, para ver quem vai ser o primeiro a mijar fora do penico, e a “contornar a regra”. Aí ficaremos a saber quem são os “amigos” e os “inimigos”, e consequentemente, o verdadeiro porquê desta proibição.

Roda, roda vira (actualizado em 2012.03.19, às 23h41)

19
Mar12

[A anedota que aqui tinha sido inserida foi por mim removida. Não porque tenham havido comentários ou reclamações em relação à mesma, mas porque, depois de pensar sobre o assunto, conclui, eu próprio, que era, de facto, de um tremendo mau gosto, podendo eventualmente, apesar de ser apenas uma piada, e não passar disso, ser tida como ofensiva por alguns leitores.

 

Da mesma maneira que tenho para mim que a liberdade de expressão que me assiste, me permitiria escrevê-la, também acho que essa liberdade terá necessariamente que ter como limite o bom senso.

 

Assim sendo, as minhas desculpas a quem a leu, e se sentiu ofendido, e a quem vier a ler o texto após esta alteração, e perder o seu sentido integral]

 

(...) é assim que vejo as possibilidades de rodagem de jogadores do nosso meio-campo no clássico de amanhã.

 

Compreendo perfeitamente o nosso presidente quando proclama, no contexto de três saídas difíceis, uma delas ultrapassada, à ilha dos buracos, ao Estádio da Lucy e a Paços de Ferreira, a prioridade atribuída à Liga, em detrimento da meia-final da Taça dos outros.

 

Contudo, não estou a ver como é que poderemos ir ao nosso palco de festas favorito rodar jogadores.

 

Se bem lembro, para o encontro com o Nacional, a dada altura, tínhamos disponíveis quinze jogadores. De tal maneira que fizeram parte dos convocados o sub-19 Mikel, e o excomungado Iturbe.

 

Agora, regressa de castigo o Hulk, e consta que recuperou de uma lesão o Djalma. Portanto, como continuará de fora o Fernando, qual é a rotação passível de introduzir no plantel?

 

O Bracali parece ser dado adquirido. E quanto ao resto? Volta o Sapunaru à direita? Joga o Alex Sandro em vez do Álvaro Pereira? O Maicon faz dupla no centro da defesa com o Mangala? Ou será Maicon, Rolando, Mangala e Alex Sandro? Há duas semanas, quando levámos o jogo a sério, começámos com Maicon, Rolando, Otamendi e Álvaro Pereira, passámos por Djalma, Maicon, Otamendi e Álvaro Pereira, e acabámos com o Sapunaru no lugar do Djalma. 

 

No ataque, com o regresso do Hulk e do Djalma, ficamos com alternativas que chegam para correr com o Iturbe dos convocados e o Cristíán Rodriguez do onze titular.

 

Ou então, dentro do tal espírito de rotatividade, será que se vão manter? Seja como for, há alternativas.

 

E no meio-campo? Que opções temos? Assim de repente, ocorrem-me o Defour, o João Moutinho e o Lucho Gonzalez, a rodarem precisamente com…o Defour, o João Moutinho e o Lucho Gonzalez!

 

Tirando a hipotética possibilidade do Mangala alinhar a trinco, ou da inverosímil estreia de um Mikel ou de um Podstawski, o que é que resta?

 

Pois é, nada.

 

E aqui chegados, como em tudo na vida, haverá (pelo menos) duas hipóteses:

 

Os nossos três mosqueteiros estiveram a poupar-se na partida com o Nacional da Madeira, e vão entrar em alta rotação no Estádio da Lucy.

 

Ou, efectivamente, não podem com uma felina pela cauda, e estamos à beira do abismo, em vias de dar um passo em frente.

 

Aquilo que diz o nosso presidente é revelador sobre a forma como se encarou esta temporada. A prioridade é o campeonato. Isso não invalida que, nesta altura da época me pareça incompreensível a inexistência de opções para o meio-campo, que permitam colmatar a ausência, neste caso por lesão, como poderia ser por outro motivo qualquer (castigo, baixa de forma, sei lá…), do Fernando.

 

 

 

Diga-se em abono da verdade, que o candidato (mais) natural para o substituir, o Souza, nunca deu mostras de ser capaz de o poder fazer a contento.

 

Que implicações é que isto tem? Bem, como se viu no último jogo, por o Defour e o João Moutinho a jogarem lado a lado, não foi a melhor das soluções.

 

O ex-box-to-box João Moutinho, nos dias de hoje, é mais box. Joga numa caixinha imaginária, que se transforma com frequência num labirinto, do qual nenhuma Ariadne ou colega de equipa, que seja, o ajuda a sair. O Defour, pelo seu lado, preferencialmente do centro para a direita, andou relativamente perdido, mostrando à saciedade que pode ser muita coisa, mas não é um número 6.

 

Mas haverá alternativa a este estado de coisas?

 

Há duas coisas que é pura perda de tempo pedir ao Lucho Gonzalez para fazer ou demonstrar, aliás, não valia a pena fazê-lo quando de cá saiu, e agora, ainda menos: defender e a apetência para alinhar numa espécie de tiki-taka à moda da casa.

 

 

 

O Lucho era e, parece-me que continua a ser, ainda que num quadro de rotações mais baixas, um grande jogador. Mas é homem para movimentos de ruptura. Não dele, claro está, mas dos outros. Passes rápidos e precisos, a rasgar, à procura de um finalizador. 

 

Assim sendo, e porque, quer passe a estratégia de jogo pela posse da bola ou seja por transições rápidas, o primordial e fundamental passo a dar terá de ser sempre a recuperação da bola, nem vale a pena pensar em pressionar alto, como tentou o Vítor Pereira implementar no início da temporada.

 

É claramente tempo perdido. Resta pois atrasar linhas, e aguardar o embate do adversário. Ora, recuar sem o Fernando a servir de pilar e a cobrir a defesa, não é fácil.

 

Foi isso que se viu contra o Nacional da Madeira, e é esse, quanto a mim, um dos motivos para a enorme clareira que se abre naquele meio terreno, onde, bem para lá da simples falta de pernas, outras faltas por ali haverá, que aliadas à falta de visão que nos levam a não ter, nesta altura do campeonato, entre outras coisas, alternativas para o meio-campo.

 

Cada vez percebo menos disto. Ou cada vez quero perceber menos.

 

Venha mas é de lá o jogo, o árbitro e tudo o resto, com rotatividade, sem rotatividade, só espero que ninguém se aleije, e que no final, possamos, como é hábito, festejar a vitória (nem que seja nos penáltis) no Estádio da Lucy. Outra vez!


 

Nota: Depois de escrever o texto, reparei que, entretanto, saiu a lista de convocados para o jogo. Afinal, o Varela também está de regresso, e o Iturbe mantem-se. Saíram o Helton, o Cristián e o Mikel. Quanto ao resto, nada de novo…

 

 

Nota2: …e o árbitro é… Artur Soares Dias!

Ser campeão

15
Mar12

 

 

“Ser campeão é como voltar a fazer amor pela primeira vez”

 

por Manuel Serrão

 

 

“Ser campeão é um amor de vida. Cada novo título é uma paixão invicta. Se há alguma coisa que podemos imaginar negativa nesta comparação de sentimentos é uma certa infidelidade inerente a cada nova temporada.

 

Ser campeão é como fazer amor pela primeira vez, mas o que é mau é que voltar a ser campeão volta a ser como fazer amor pela primeira vez.

 

Foi assim no ano do penta e ainda hoje recordo esses cinco anos de paixões que se foram substituindo umas às outras.

 

Foram cinco anos quase sem tempo para respirar. Nós, amantes do FC Porto, aprendemos todos uma grande lição: não se ama alguém que não é capaz de ser campeão tantas vezes. Pelo menos, de verdade.

 

Hoje é o primeiro dia de um novo amor que, de resto, é um velho conhecido. Por outro lado tudo volta a ser novo outra vez. Como se nunca nos tivéssemos deitado com este amor de título. Para acordarmos campeões de novo. É extraordinário como depois de uma noite de amor intenso, como só os amores novos são capazes de provocar, nos levantamos com a sensação que a paixão permanece invicta. Toda nossa, mas incapaz de se deixar vencer. Exactamente porque sabendo que não vai viver connosco toda a vida, só nos dá o que sabe que não lhe fará falta no ano seguinte, onde terá fatalmente que renascer em forma e em toda a sua plenitude.

 

Na nossa cama, ou na vida de outros.

 

Como novo amor que é, quanto mais difícil, mais nos apaixonamos. Esta paixão 2007/2008 teve todos os condimentos para poder ser tratada como um amor vintage. Disputada pelos outros no campo e noutros campos, arrastada pela lama e pelos tribunais num profundo desdém de quem a queria comprar, esta paixão só foi a mais fácil na aparência de uma contabilidade pouco criativa.

 

Temos de agradecer aos nossos adversários as formas engenhosas como nos apimentaram a relação. Criando um malabarismo nas contas que aprimorou a novidade do que para nós, como já vimos, seria sempre novo, de novo. Devemos desconfiar até se aqueles que nos habituámos a ver como adversários não são afinal os nossos melhores amigos. Quem namora durante o ano inteiro com uma paixão assolapada e na hora em que a podia consumar ainda lhe veste a melhor camisa para que outros a desflorem e desfrutem com mais prazer, não pode ser nosso inimigo. Aliás, viva o futebol, porque na vida que existe para além dele, já não se fazem amigos assim.

 

Quem acha que Coimbra ainda é a capital do amor em Portugal tem que ter uma fé inabalável e gostar de viver amores platónicos. O amor hoje em Portugal faz-se um pouco por todo o mundo mas tem a capital no Porto. E até em Lisboa, quando sentirem a terra a tremer, não se assustem porque não é o terramoto : é tão só a energia deste novo amor que chegou ontem e promete ficar até ao ano.

 

Claro que se voltarem a sentir os tremeliques daqui a duas jornadas é melhor que fiquem já a saber que essa uma das novidades desta época: insaciável na sua induzida irreverência, a paixão deste ano exigiu duas noites de núpcias. Como se a união só assim fosse de facto”.

 

 

Vítor, é isto que o Manuel Serrão, tão magnificamente expressou em 2008, na época em que nos tiraram seis pontos, mas fomos campeões por duas vezes, que queremos voltar a sentir.

 

Por favor, tem isto em mente na ilha dos buracos. Forra as paredes do balneário com isto. Espeta-o onde quiseres, mas por favor, lembra-te deste sentimento. É só por isto, como se fosse pouco, que ansiamos. Hoje, amanhã, sempre.

É da “poncha”

23
Fev11

Então não é que, apesar do protocolo, direito de preferência, ou lá o que lhe quiserem chamar, que aparentemente deve incluir no seu clausulado a leitura pública de comunicados, o actualmente jovem e promissor jogador do Varzim SC, de nome de guerra Neto, a crer no que se lê, está de malas aviadas para a Madeira, para representar o Nacional daquela ilha?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É que nem sequer segue para o Maritmo, vai mas é precisamente para o rival.

 

Segundo reza a notícia, parece que o facto de que, pese embora esteja em fim de contrato, e por isso, o seu clube de origem ter direito, pela lei de compensação de clubes, a ser indemnizado, terá afastado a concorrência.

 

O Nacional, pelos vistos, terá encontrado forma de contornar o problema.

 

Irá pagar em "poncha"?

 

 

 

Um que se deve meter na “poncha” é este…

 

 

A SAD do FC Porto resolveu interpor uma acção judicial contra o tipo, pelas alarvidades que proferiu numa entrevista.

 

Queixa-se o fulano que se prontificou para colaborar com o Ministério Público (alô, Dr.ª Morgado!), com o propósito de esclarecer algumas situações, e que foi tudo arquivado, o que não me surpreende.

 

Desconheço qual a validade do “hear say” (ouvi dizer) no ordenamento jurídico português, mas se for como no anglo-saxónico, é claro que teria de ser tudo arquivado.

 

Este indivíduo, quando diz que o FC Porto trata as pessoas como guardanapos, de certeza absoluta que só pode estar a referir-se a algo passado com outra pessoa, porque no caso dele, quanto muito, só serviria como papel higiénico, e ainda assim, vai lá, vai.

 

 

Por sua vez, o treinador da equipa que vamos defrontar na 25.ª jornada, devia estar sob o efeito de outro tipo de “poncha”, quando falou à Renascença (e lá estou eu a falar de coisas de que não devo…). Por via das dúvidas, o teste do balão talvez não fosse demais. Ou um teste de matemática, mas das Novas Oportunidades, só para dar mais hipóteses…

 

Espero que o anterior, seguindo o raciocínio do “saco azul” do FC Porto, no caso do Kléber, se prontifique a ir queixar-se ao Ministério Público, para ver esclarecido o misterioso desaparecimento de três pontos nas contas da Liga ZON Sagres.

 

E quanto ao outro, o que será que ele sabe, que nós não sabemos? Estamos a cinco jornadas de ir à Cesta do Pão, e o resultado já se sabe? Baixou Zandinga nele? Vão fazer “buuuu!” quando lá chegarmos, e pensam que damos a volta à caminéte? Ou o sonho da vida dele era apresentar o “Vamos jogar no Totobola”?

 

Contar com o ovo no cú da galinha, é natural, só que às vezes, também vem caca.

E=mc2

05
Jan11

O FC Porto perdeu. Finalmente. Com o Nacional da Madeira, para a Taça da Liga ou, se preferirem, portuguesmente falando, a Bwin Cup.

 

Se bem interpreto o sentimento portista à volta deste jogo e desta derrota, ficou a pairar um misto de resignação e de revolta. A derrota haveria de chegar, mais tarde, o que até era bem melhor, ou mais cedo, mas esta terá sido uma derrota num jogo mal perdido, como se os houvesse bem perdidos, tendo em conta o paupérrimo desempenho, também do adversário.

 

Como não vi o jogo, apenas o resumo, não opino a esse nível.

 

Porém, dá-me a ideia que o sentimento de resignação prevalece sobre o restante.

 

A comunicação social desportiva deu ao facto a costumeira relevância, como se pode ver pelas capas da imprensa do dia seguinte ao jogo. E ainda bem.

  

 

 

 

 

 

Qual a importância então desta derrota?

 

Será que, como fez questão de frisar “O Jogo”, alguns começavam a duvidar de que o FC Porto era “vencível”? Acreditariam talvez que a série de jogos sem derrota seria capaz, num registo sem igual, de se prolongar ad aeternum.

 

Nesse caso, o golo do Anselmo (este gajo, começa a irritar-me. Sempre a marcar ao FC Porto…), que ditou o tão ansiado epílogo da invencibilidade portista, foi um bálsamo para espíritos perturbados.

 

Como sou chato, permito-me voltar a lançar a inquietude nessas mentes, que daí em diante voltaram a dormitar descansadas.

 

Caso se tenham esquecido, o objectivo interno, delineado fundamentalmente para manter os níveis de concentração competitiva da equipa, e publicamente difundido pelo nosso treinador, num acto com o qual já expressei a minha discordância (se é objectivo interno, é interno. Não é para divulgar para o exterior), foi a manutenção da invencibilidade até ao final do ano de 2010.

 

Esse objectivo foi cumprido, caso não tenham notado.

 

O resto são estatísticas e recordes. Apesar da resignação, é notória entre os adeptos uma certa mágoa, pelo não prolongamento da série invicta até, sei lá, os cinquenta jogos!

 

Meus Caros, acordem! Ao contrário da ideia que vem sendo propalada, tal não é impossível.

 

Vejamos. Esta série mágica começou ainda na era Jesualdo Ferreira, no decurso da qual, e desde a final da Taça da Liga, foram dez os jogos sem derrota.

 

A estes dez jogos, André Villas-Boas somou mais 26 jogos imbatível, perfazendo 36,até ao último jogo. Acontece que, pelo meio, entre uma época e outra, se bem se recordarão, o FC Porto perdeu dois jogos.

 

Foi em Paris, em 31 de Julho perdeu por 1-0, com o Paris Saint Germain, e no dia seguinte, por 2-1, com o Bordeaux.

 

“Ah, mas esses jogos foram na pré-época, e não eram oficiais” – dirão.

 

Desculpem lá, mas o que é a Taça da Liga/Bwin Cup? Acaso é alguma competição oficial? Que eu saiba não é.

 

Como muito bem sustentou o actual detentor do troféu (vejam bem a importância da coisa!), aquando daquela farsa do comunicado dos órgãos sociais, que veio reiterar a ameaça vem-e-vai, de não participar nesta competição, a Taça da Liga não é uma competição profissional de participação obrigatória.

 

Eu não iria tão longe, como eles também não foram, mas parece-me que, para todos os efeitos, as competições oficiais futebolísticas em Portugal são as Ligas ou campeonatos, a Taça de Portugal e a Supertaça Cândido de Oliveira.

 

O resto é folclore. É bem certo que a comunicação social se entretém afanosamente a contabilizar estas vitórias, sempre de forma a colocar um certo clube na dianteira das provas conquistadas, mas, no fundo, se calhar as vitórias na Taça Latina, que alguns querem fazer crer ser precursora da Taça dos Campeões, ou naqueles campeonatos disputados por convite, serão bem mais oficiais que a Taça da Liga.

 

Esta competição é apenas uma aberração, mal parida por uma abecerragem, que para pouco mais serve que para atribuir mais uns troféus a alguns (veja-se o rol de vencedores até à data!), e para distribuir algum trocado, em receitas de bilheteira e prémios, aos clubes mais pequenos.

 

E mesmo para estes, mais valia depositarem-lhes o dinheiro directamente na conta, e deixarem-se de coisas.

 

Para um clube como o FC Porto, e como o Jesualdo Ferreira teve a frieza de admitir, nunca poderá ser considerada uma prova prioritária, apenas uma oportunidade para rodar jogadores menos utilizados. A não ser, que se chegue a um ponto de não retorno, em que surja a oportunidade de pespegar um valente correctivo a um rival, tão ingloriamente desperdiçada na época passada, mas que não acredito que o seria na presente temporada.

 

Por isso, a nível interno, o que conta são as vitórias na Liga Zon Sagres, ou o que quer que venha a chamar-se no futuro, na Taça de Portugal e na Supertaça Cândido de Oliveira. Essas sim, todas somadas, dentro de pouco tempo vão-nos permitir esfregar na fronha de quem de direito, que somos os melhores, entre outros motivos, também porque temos mais troféus conquistados. Troféus oficiais!

 

O resto, o resto é relativo, como o é a derrota contra o Nacional da Madeira. O FC Porto perdeu? Pois perdeu. Perdeu a invencibilidade? Sim. Desde há 26 jogos para cá. Em jogos oficiais, daqueles com conta para conquistar títulos oficiais, por muito que custe àquelas almas inquietas, continua invicto à 36 jogos, com oito pontos de vantagem na Liga Zon Sagres, pronto para defrontar o Pinhalnovense, para os quartos-de-final da Taça de Portugal e o Sevilha, nos dezasseis avos de final da Liga Europa.

 

Isso sim, é o que conta.

 

Que não se leia neste texto, e na redução à sua insignificância da Bwin Cup, um subterfúgio para escamotear os problemas, as exibições e resultados menos conseguidos que vêm acontecendo, e cujo expoente máximo foi esta derrota.

 

Acontece que, pelo menos a meu ver, os problemas do FC Porto, leia-se, o plantel, são os mesmos que já se adivinhavam no início da época. Por isso, não há muito de novo a acrescentar.

 

Quando está disponível no mercado, ou melhor ainda, livre, o guarda-redes titular do campeão nacional em título, e vamos buscar o segundo ou terceiro guarda-redes do SC Braga, algo não bate certo.

 

O Quim tem mau feitio? Pedia mundos e fundos incomportáveis para os cofres da SAD? Foi por ter saído directamente do mais grande do Mundo dos arredores de Carnide, sem fazer antes a apropriada quarentena? Não podíamos ter na equipa três guarda-redes de qualidade acima da média? A dispensa do Helton, depois das saídas do Bruno Alves e do Raul Meireles estava fora de questão?

 

Este último é o único argumento que me convence.

 

No centro da defesa temos três defesas centrais órfãos. O Rolando está órfão de quem o apoie e incite, e o faça sair daquele estado vegetativo de acabrunhamento. O Maicon é órfão de alguém que lhe dê uns sopapos naquela cara, de cada vez que faz asneirada. O Otamendi está órfão de alguém com presença física, que ganhe bolas no jogo por alto, e que o deixe para as sobras.

 

O Sereno, esse nem faz parte deste filme. Como se previa.

 

No lado esquerdo da defesa, como não era difícil de adivinhar, o Rafa não chega aos calcanhares do Palito. A melhor alternativa para substituir o uruguaio, mesmo com todas as panes cerebrais, que de vez em quando o acometem, continua a ser o Fucile, e o resto é conversa. Agora que estão os dois lesionados…

 

O Fernando a trinco nunca me encheu as medidas. Mas, admito que é uma questão de gosto pessoal. Além disso, o que me preocupa é a descontinuidade das suas presenças na equipa. É que o rapaz de cada vez que pára, depois é uma carga de trabalhos para recuperar o ritmo de jogo. Como não está talhado para o passe à distância, lá vêm as jogadas em que se agarra em demasia em bola, lá vêm as entradas fora de tempo e as faltas escusadas em zonas próximas da nossa área.

 

Substitui-lo pelo Guarín, depois do fracasso rotundo do Jesualdo Ferreira, ao colocá-lo naquela posição, é um grande risco. No fundo, o colombiano enferma em grande parte, dos mesmos defeitos do Fernando, mesmo estando em forma.

 

O passe longo não existe. Como é mais dotado tecnicamente, tem a tendência para levar longe de mais os seus esforços, e agarrar-se à bola para lá da conta. Se o jogo pende para o lado físico, ainda vá que não vá. Se não, sendo mais fraco do ponto de vista posicional, a vida complica-se.

 

Ou seja, não temos no plantel um trinco-trinco, que se leve a sério. O Fernando é ainda assim o que mais se aproxima.

 

Ainda no meio-campo, o Rúben Micael está a ser a surpresa da época. De certeza que ninguém esperava vê-lo tão mal. Talvez este fosse o único problema que não se antevia em Agosto.

 

No ataque, não tenho coragem de dizer o que quer que seja sobre o Cristián Rodriguez. Criticar alguém que passa mais tempo no estaleiro, do que no campo, pela sua performance nas quatro linhas, é meio caminho andado para cometer uma injustiça. Mais do que a recuperação física do jogador, impõe-se a psicológica de alguém que, cada vez que parece estar a regressar, cai novamente.

 

O Hulk e o Falcao não têm substitutos à altura. No caso do Hulk, até não é muito grave, porque, estando em forma, e isso inclui a cabeça no lugar, não precisa de substituto. Para fazer o que tem feito ultimamente, até o Mariano Gonzalez faz.

 

O caso do Falcao fia mais fino. O Walter continua, de cada vez que o vejo entrar em campo, a fazer-me lembrar a Shakira. Pelos piores motivos, “the hips don’t lie!”.

 

Mas, como disse, tudo é relativo. Se assim como assim, estamos na posição em que estamos, força rapazes, é continuar, que os jogos que aí vêm são todos para ganhar!

 

Invencíveis!

Ano Novo, Vida Velha

04
Jan10

Dêem-me o prazer de deixar registado para a posteridade este momento.

 
Ainda o Ano Novo mal começou, e alguém, pasme-se e louve-se a coragem, teve já a audácia de pespegar no Sapodesporto que o Benfica, imagine-se, terá sido beneficiado pela arbitragem de Olegário Benquerença, no jogo com o Nacional da Madeira, para a Taça da Liga SLB, perdão, Carlsberg.
 
Reza a notícia que foi invalidado um golo ao Nacional, aos 18 minutos, por fora-de-jogo inexistente, que foram poupados cartões vermelhos a Luisão e Amuneke, que ficou uma grande-penalidade por assinalar, por falta do Cachinhos Dourados sobre Rodrigo (onde é que eu já vi isto?).
 
Enfim, o costume…
 
É claro, que o título da notícia não podia deixar de ser:”Saviola volta a desequilibrar na Luz”. Mas depois, a bota não bate com a perdigota, e chega-se à conclusão que o mais desequilibrado deve ter sido o bom do Olegário.
 
É claro, que para o Jorge Jesus, foram uns justos vencedores. Mas, pelo que fizeram na segunda parte.
 
E é também claro, como seria de esperar, que alguns adeptos benfiquistas não compreendessem o tom irónico do treinador nacionalista, e preferissem entender que o Jokanovic achava igualmente o Benfica um justo vencedor, quando, pelos vistos, o que ele disse terá sido que o resultado mais justo era um empate.
 
Quando o Jesus disse que iam defender o troféu conquistado na época transacta, não pensei que o iriam defender da mesma forma que o conquistaram.
 
Ou seja, o SC Braga, o FC Porto, o Sporting, ou quaisquer outros que ambicionem algum título nesta temporada, dediquem-se à Taça de Portugal, porque aí já não há Benfica.
 
Colinho? Não. Liteira, com quatro carregadores, dois tipos com leques, para arejar, mais uns quatro, para fazer sombra, um para descascar uvas, e outro para retirar as grainhas. É assim ao género de um mix Cleópatra-Carolina Patrocínio.  
 
 
Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010
 
 
 
  
 
 
 
cartoon retirado de "Henricartoon"

Nota: diz o autor deste cartoon, em nota de rodapé ao mesmo, que, "Como benfiquista e adepto da bola, irrita-me tanto ser prejudicado numa derrota como beneficiado numa vitória".

 

Apraz-me registar a existência de um benfiquista sério na face da Terra. Cheguei a duvidar de que tal fosse possível de encontrar, quando até o próprio treinador da equipa é aquilo que é.

 

Os meus parabéns pelo cartoon e a minha admiração pela coragem.

E viró disco... (actualizado em 03.11.2009)

30
Out09

Mais uma noite gloriosa do Glorioso, e mais um adversário cilindrado sem dó, nem piedade.

 
Mais uma vitória, e uma vitória daquelas que fazem a concorrência roer-se de inveja, e acima de tudo, uma vitória transparente, límpida, cristalina mesmo, diria eu.
 
Como nos dias de hoje, nada é deixado ao acaso lá para os lados da Luz, foi uma vitória que começou a ser preparada e construída bem antes do jogo. Não, não me estou a referir aos treinos semanais de preparação, que esses, por força do jogo europeu, a meio da semana, terão sido poucos.
 
A construção começou aquando da nomeação do árbitro Vasco Santos, logo prontamente, identificado como conotado com o "Apito Dourado".
 
E é mesmo assim que se fazem as coisas. É preciso memória, e saber quem é quem. Como provou o Dr. Fernando Seara, que para além de saber o nome do árbitro-auxiliar-que-anulou-um-golo-ao-Benfica-mas-que-validou-um-semelhante-ao-Nacional (eu não sei o nome, nem me dei ao trabalho, e por isso os hífens), até sabe em que é que ele esteve envolvido, e em que equipas de arbitragem esteve integrado. Vai na volta, até a cor das cuecas…
 
Um espanto! Um autêntico SIS ao serviço da causa desportiva!
 
Mas voltemos ao jogo. Identificados o árbitro e o árbitro auxiliar, havia esse pequeno pormenor, 90 minutos mais descontos, no tal campo de cento e não sei quantos metros, por sessenta ou setenta e picos, como diz o Jesus, a aturar uns quantos palermóides, vindos da Pérola do Atlântico.
 
E o jogo até começou bem. O Benfica fez o 1-0, numa bela jogada de futebol corrido.
 
A partir daqui é que foi o descalabro. Então não é que o sacana do árbitro auxiliar do Fernando Seara, resolve deixar passar um fora-de-jogo a um jogador do Nacional, e o tipo até marca golo?
 
Pior ainda. Então não é que o árbitro auxiliar do outro lado anula um golo ao Benfica, por um fora-de-jogo, para alguns milimétrico, mas ainda que assim seja, fora-de-jogo?
 
1-1 em golos, 0-2 em prejuízo para o Benfica.
 
A sorte é que lá veio o 2-1, ajudar a compor as coisas, e todos para o duche. No túnel, no famoso túnel, não se passou nada, excepto com o Rúben Micael, que foi acometido por um ataque súbito de complexo de perseguição.
 
De tal maneira não se passou nada, que o árbitro nunca mais foi o mesmo.
 
O árbitro auxiliar do Fernando Seara, fazendo jus ao epíteto que este lhe colocara, tem o desplante de anular um golo ao Benfica, numa jogada, muito parecida com a do golo do Nacional.  
 
0-3 a favor do Nacional, mas com um senãozito. Não houve golo anulado, a jogada foi interrompida antes de o esférico penetrar na baliza nacionalista.
 
Esclarecido este, para todos os efeitos, mero detalhe, siga a banda. E a banda segue com mais uma daquelas jogadas do Aimar, a que eu não tenho coragem de chamar pénalti ou grande penalidade, e prefiro chamar “uma-jogada-daquelas-em-que-o-Aimar-resolve-atirar-se-para-o-chão-e-o-árbitro-dá-um-penálti-daqueles-que-fazem-rir-a-malta”.
 
Foi tão descarada, que até o Sílvio Cervan, na primeira vez que mostraram a repetição da jogada na televisão, e certamente (ou não), sem saber que estava a ser filmado, não conseguiu conter um sorriso trocista.
 
Grande penalidade inexistente para o Benfica, cartão amarelo para o homem da Madeira, e golo para o Cardozo, que esta época, a continuar assim, vai bater os recordes de golos do Jardel e do Yazalde juntos.
 
Na realidade, o que devia ter acontecido era um cartão amarelo para o Aimar, o qual, somado a uma entrada anterior sobre um jogador do Nacional, que também não lhe foi mostrado, dava uma bela expulsão aos 48 minutos de jogo, e com o resultado em 2-1.
 
Entretanto, o resultado passa para 3-1 para o Benfica, e as coisas equilibram-se em termos de prejuízo, 3-3.
 
E vem o 4-1, pelo Saviola, e nada de especial a dizer, apesar dos protestos nacionalistas, de uma falta sobre o Rúben Micael, que continuava a ser perseguido.
 
Depois vem o 5-1, na sequência de uma defesa incompleta do Bracalli, num livre a punir falta inexistente do Patacas, que acaba expulso.
 
Para os benfiquistas, tudo o que pudesse acontecer ao Patacas, desde os 44 minutos de jogo, em que, segundo alguns deles (pelo menos o Cervan), o dito deveria ter sido expulso, com o segundo cartão amarelo, era benvindo, portanto, nada de especial.
 
O Nacional talvez diga o mesmo, no que diz respeito ao Aimar, mas isso é uma questão de opiniões…
 
O que é certo é que a falta não existiu, o tipo foi expulso, e o Benfica passa a liderar, sendo beneficiado, 5-3.
 
Para acabar, o penáltizinho da ordem, sobre o Ramires. Assim ao jeito do penálti que também foi marcado sobre ele, no jogo com o Belenenses. O homem, para além de correr muito, sabe deixar-se cair.
 
Aliás, nessa matéria, o Benfica tem este ano dois artistas – ele e o Aimar.
 
Termina o jogo. Resultado final: 6-1, computo benefício/prejuízo: 6-3.
 
Dir-me-ão: “Ah, e tal, o Benfica até marcou três golos sem mácula, e o Nacional, foi beneficiado no tento que obteve”.
 
Pois sim. A questão é que, se entrarmos no campo do “suponhamos”, imaginemos que, como de direito, o Aimar era expulso aos 48 minutos, com o jogo em 2-1, para o Benfica. O jogo seria o mesmo? E se o Patacas tivesse sido expulso antes?
 
Vá-se lá saber! O que é certo é que aquela jogada da grande penalidade, teve uma influência directa no resultado, que a expulsão do Patacas nunca teria. E mais do que isso, acabou com o jogo.
 
E, se calhar dir-me-ão mais ainda: “Sim, sim, e o FC Porto não foi pouco beneficiado contra a Académica”.
 
Então, vejamos o que se passou no FC Porto x Académica.
 
No primeiro golo do FC Porto, diz-se que há fora-de-jogo. Só se for do jogador portista que sai detrás do guarda-redes. Os restantes, mal ou bem (para a Académica), estão, pelo menos, em linha, com o último defesa, e têm atrás de si o Rui Nereu.
 
Acham que é o jogador que sai detrás do guarda-redes que perturba a intervenção deste? Brilhante! É só ver no vídeo se existe alguém a estorvá-lo. Há um palerma de um jogador do Porto, que ainda tenta meter a cabeça à bola, e poderia estragar a jogada, mas, até esse estava em jogo.
 
Adiante. No segundo golo, não me parece que haja grande motivo para falatório.
 
O terceiro, esse é que é a desgraça total. Ainda por cima, têm depois o desplante de anular um golo do mesmo género ao Glorioso.
 
Vista a jogada, tenho que admitir que fiquei com dúvidas, mas, se como alguns, às vezes dizem, o que conta é a última parte do corpo do jogador, então há um pezinho do jogador da Académica que põe em jogo o Farías.
 
Lá está. É o que me pareceu. Não tive acesso a imagens de vídeo, com direito a paragens e linhas a marcar o fora-de-jogo. Admito que talvez não seja assim.
 
Se for, o FC Porto foi efectivamente beneficiado, com o resultado em 2-1.
 
Agora, descarada, descarada, é a jogada em que o Bruno Alves faz penálti sobre um jogador estudantil. O que é que se pode dizer? É penálti, e pronto. E, pronto não. Cartão amarelo para o capitão do Porto. Ou queriam vermelho?
 
Contabilizando, o FC Porto foi beneficiado em dois lances capitais, um deles com implicação directa no resultado, a Académica, zero.
 
Estava tão absorto com o FC Porto, que me esqueci da Académica. É que os academistas reduziram para 1-2, com um golo que até teve honras de “Melhor da Semana”, para o SapoDesporto.
 
O golo foi bonito, sim senhor. Um valente pontapé do Miguel Pedro (este tipo merecia um clube mais pujante!).
 
Mas o que é lá aquilo! Eh, eh, eh. Onde é que o Éder tem a mão? Olá, então não é que o tipo mexe o pé e a mão na direcção da bola. E, macacos me mordam, se não toca na bola com a mão. Assim, com a ajuda de uma mãozinha marota é mais fácil dominar a bola, não é?
 
 
Golo da semana! Esta Liga está o máximo. Já tivemos um jogador expulso duas vezes, e agora temos um golo da semana, em que o jogador que faz o último passe, joga a bola com a mão. Ainda bem que é contra o FC Porto. Não há azar!
 
Contabilizando, o FC Porto foi beneficiado em dois lances capitais, um deles com implicação directa no resultado, a Académica, num.
 
Para as coisas acabarem em beleza, faltava mais um golo para a Académica. Um golo em que o Sougou, para não ficar atrás do Éder, dá um jeitinho com a manita, para por a redondinha mais a jeito.
 
Só que isto foi já ao cair do pano, aos 92 minutos, a malta já estava de saída, e não interessa.
 
No total, o FC Porto e a Académica foram beneficiados, cada um, em dois lances.
 
Diferenças para o jogo do Benfica. Poucochinhas. Foram duas arbitragens execráveis, de dois dos árbitros mais promissores cá do sítio.
 
Tanto o FC Porto, como o Benfica, como a Académica, como o Nacional, foram beneficiados e prejudicados.
 
Então, porque é que raio é que o jogo do Benfica dá tanta comichão?
 
É que o Benfica foi, “ligeiramente”, mais beneficiado. Aliás, têm-no sido ao longo das nove jornadas já jogadas, com a excepção dos jogos com o Vitória de Setúbal, que não foi capaz de fazer melhor, e com o Paços de Ferreira, que parece não ter querido fazer melhor.
 
Quiçá pelo facto de o treinador estar de saída para o amigo Guimarães.
 
Mas pior do que isso, é que quando o Benfica é beneficiado, o é de uma tal maneira, que mata completamente o jogo. Basta ver este jogo e a partida contra o Leixões.
Não dá hipótese ao adversário. Se isso fosse resultado da “dinâmica do jogo” benfiquista, como diz o Jesus, tudo bem. Só que o que se tem visto, não é bem isso. Pelo menos nestes dois jogos, a dinâmica esteve mais do lado da equipa de arbitragem.
 
Quando não é assim, como em Leiria, lá vêm as “jogadas-daquelas-em-que-o-Aimar-resolve-atirar-se-para-o-chão-e-o-árbitro-dá-um-penálti-daqueles-que-fazem-rir-a-malta”.
 
Dito isto, tenho para mim que a teoria do “colinho”, é bem mais do que uma “teoria da conspiração”, e que, efectivamente, os encarnados estão a ser levados ao colo. E não é só no plano desportivo.
 
O futebol, devia ser arte, a arte do jogo, e não estes “pormaiores”.
 

Sendo arte, “the beauty is in the eye of the beholder”, ou, na nossa língua de Camões, “cada cabeça, sua sentença”.

 


P.S. (escrito em 03.11.2009):

 

Apesar de provavelmente, poucos se terem dado ao trabalho de ler este post, acho que, quando nos enganamos ou exageramos, fica bem fazer a respectiva rectificação.

 

De facto, bem vistas as coisas, continuo a achar que o lance do pénalti sobre o Aimar, foi decisivo no desfecho final desta partida, mas também tenho que admitir que a jogada só é decisiva porque, entretanto o Nacional da Madeira havia equilibrado o resultado através de um golo obtido ilegalmente, e o Benfica viu uma jogada, que poderia ou não dar golo indevidamente anulada.

 

Portanto, até o árbitro começar a parvejar, o resultado estava 1-0 para o Benfica. Ou seja, em termos práticos, a partir do momento em que o Patacas poderia ter sido expulso (44 minutos), a verdade do jogo ficou adulterada. Ainda que, quanto a mim, não havia motivo para a expulsão. Mas isso sou eu a pensar.

 

Depois, com se descontarmos o golo que valeu para o Nacional, e não deveria ter valido, e acrescentarmos o golo que deveria ter valido para o Benfica, e não valeu, o jogo ia para intervalo com 3-0, para o Benfica.

 

Daqui para a frente, com pénalti sobre o Aimar, ou sem ele, dificilmente o Nacional daria a volta ao texto, portanto, os erros do Sr. Vasco Santos só contribuiram para o avolumar da goleada, o que, tendo em conta as declarações do Luis Filipe Vieira, não é coisa de somenos, porque, com as goleadas terão aumentado as receitas de bilheteira e a valorização bolsista das acções do Benfica SAD. Estas últimas em qualquer coisa como 27 milhões de euros!