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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Como é que um elefante atravessa um lago?

13
Fev13

A melhor defesa é o ataque. Eis uma máxima que foi tida por verdadeira, pelo menos até, primeiro virem os italianos, com várias versões do velho catenaccio, e depois o Mourinho, também ele na altura em Itália.

 

Não obstante, nos dias que correm, é ainda a premissa base de algumas estratégias aplicadas dentro e fora do terreno de jogo.

 

Veja-se aquilo que se assemelha remotamente a imprensa de hoje. Consta que vai ser pedida a revogação do castigo a Matic, e não contentes, a aplicação de um processo sumaríssimo ao Candeias.

 

Nada de novo, logo após a partida essa hipótese havia sido ventilada. Talvez não se pensasse é que era mesmo à séria.

 

Quem não se recorda do inefável Dr. Ricardo Costa, insigne ex-Presidente do Conselho de Disciplina da Liga, responsável pelos castigos ao Hulk, ao Sapunaru, e já agora, ao Vandinho?

 

Pois é, este mesmo ser explicou, julgava eu, à saciedade, e com todas as suas forças, as condições necessárias para que fossem abertos processos sumários.

 

Lembram-se da agressão do Mona Lisa a um jogador do Nacional da ilha dos buracos, num jogo para a Taça Lucílio Baptista?

 

 

 

Na altura, de acordo com o Dr. Costa, não se lhe opunha o sumaríssimo porque o lance foi in loco apreciado pelo árbitro, Olegário Benquerença, que entendeu ser jogada passível de amostragem de cartão amarelo, e não vermelho.

 

Ou seja, a actuação do Conselho de Disciplina, por via do sumaríssimo, teria de ser sempre no sentido suprir a omissão de intervenção do juiz da partida.

 

Mudou alguma coisa de então para cá? Alguma vez foi então posta em causa a correcção da actuação do Olegário? Que eu saiba não.

 

Pois bem, também agora o lance foi apreciado pelo árbitro, neste caso Pedro Proença. Mal ou bem? Isso interessa para quê? Antes não interessou para castigar, agora para ilibar é diferente?

 

E o sumaríssimo ao Candeias serve para quê? No máximo, tendo em conta que, como também explicava o Dr. Ricardo Costa, foi uma situação sem qualquer impacto no resultado final do encontro, quanto muito levará uma multa. A não ser que também aqui tenham ocorrido alterações que me escaparam.

 

É o corolário da diferença entre a simulação do Aimar, curiosamente também num jogo contra o Nacional, mas para a Liga, que deu multa, e a do Lisandro Lopez, que deu suspensão.

 

Como não encontrei imagens desse episódio, aqui fica, a título de recordação, a defesa interposta pela entidade patronal do primeiro. Pode ser que seja útil no caso do Candeias. 

 

 

 

 

Outro exemplo de que a tese de que a melhor defesa é o ataque, ainda faz fé, é a revelação do que Pedro Proença terá dito a Cardozo, no momento da expulsão.

 

 

 

Esqueçamos o facto de que tal revelação só surgiu ao segundo dia após o jogo, que foi entretanto desmentida pelo suposto autor da sentença, e desinteressemo-nos de saber quem foi o queixinhas que a bufou para circulação.

 

O que é que se lucra com aquela revelação, e quem lucra?

 

Quem fez mais pelo futebol de que, no fundo, dependem, o Pedro Proença, árbitro da final da Liga dos Campeões, da final do Europeu, e melhor árbitro do ano, ou o jogador de um clube que já em plena pré-época havia deixado uma excelente imagem de si, quando as costas de um árbitro alemão, inadvertidamente esbarraram de encontro à peitaça de um seu jogador, acima referido.    

 

O que é que leva dois supostos órgãos de (in)comunicação dita social, agora como então, a participar tão activamente na estratégia de defesa de um jogador, pondo em causa a actuação do árbitro e branqueando a conduta do jogador, em claro menosprezo pela falta disciplinar cometida?

 

Mais estranho ainda quando, repescando parte do texto anterior, um desses dois órgãos de sei lá o quê, se revelou tão lesto a anunciar uma decisão ainda por tomar, e quando a fórmula do facto consumado não resultou, ao invés de retroceder e arrepiar caminho, defende-se com algo como isto:

 

« [...] Ninguém pode ficar imperturbável quando percebe que a tentativa de distorcer a Lei e defender o indefensável é tão cega e tão partidária, que põe em causa a conclusão óbvia já apontada pelo instrutor do processo. [...] »

 

E, mantendo a sua, aponta ainda como móbil para o assalto aos computadores do Presidente da Federação e da sua assistente, “o roubo da acta da reunião do CD da Federação, «onde foi feita tábua rasa das conclusões» do CD da Liga”.

 

Para que é que isto serve, senão para reforço do pretenso facto consumado, e para espicaçar os ânimos caso, efectivamente, tenha sido “«feita tábua rasa das conclusões» do CD da Liga”, que de resto, ao que me parece, já não existe (o CD, não a Liga, mas não deve faltar muito…)?

 

A quem é que serve? Ao FC Porto?

 

Como é que um elefante atravessa um lago? Saltitando suavemente de nenúfar em nenúfar.

 

Ou seja, todo o contrário daquela que é a postura destes dois órgãos de (in)comunicação social, cuja falta de suplesse os assemelha mais ao dito à solta numa loja de cristais.

 

Bem sei que a impunidade de que gozam lhes permite ir por este caminho, que até será por certo o que lhes granjeará mais leitores, e logo, melhores resultados.

 

Também não esperava imparcialidade, nem pouco mais ou menos. Pudor, ética profissional ou deontologia? Sim, está bem…

 

Mas ainda assim, menos, minhas alimárias, menos. Se não fôr pedir muito.

Os grandes números e os pequenos homens

21
Jan13

Quem segue o futebol português, por há muito pouco tempo que o faça, facilmente se terá apercebido que se trata de solo fecundo, por assim dizer, para cenas, no mínimo, caricatas.

 

E não, não estou a falar da arbitragem de Duarte Gomes em Braga. Nesse capítulo, António Salvador, presidente do SC Braga, disse praticamente tudo o que havia para dizer:

 

“Em 10 anos nunca saí deste estádio tão indignado após uma vitória expressiva como esta. Foi uma arbitragem vergonhosa, tendenciosa mesmo, [Duarte Gomes] andou durante todo o jogo a tentar arranjar forma de expulsar jogadores do Braga e depois expulsou o Paulo Vinícius num lance em que ele não fez nada para isso. Se é falta, é cartão amarelo. É uma expulsão vergonhosa”.

 

”só no tempo do Calabote é que se usavam arbitragens destas, no futebol atual, no futebol moderno e credível, não pode haver».

 

 [Duarte Gomes] «teve este ano a pior nota de um árbitro, 1,9: não foi para a ‘jarra' e hoje fez a exibição que todo o país viu”.

 

Os espaços que ficaram por preencher, o Zé Luis, no Portistas de Bancada, o Anti-Lampião, e o Tasqueiro Ultra-Copos, no Tasca de Palmeira, trataram de o fazer na perfeição.

 

Pela minha parte, um bocadinho por antecipação, dei uma modesta colaboração no texto "Quem melhor?!"

 

Posto isto, resta-me agora apenas acrescentar que Duarte Gomes integra a lista de Fontelas Gomes, a única que vai candidatar-se à presidência da APAF, na qualidade de secretário do Conselho Deontológico e Disciplinar, de que também fazem parte Pedro Proença, João “pode vir o João” Ferreira e Carlos Xistra.

 

A APAF era, e julgo que ainda será, um dos elementos do colégio eleitoral que sufraga a direcção da Federação Portuguesa de Futebol.

 

É claro, que tudo isto não passa de um mero fait divers

 

Assim como o facto de o Conselho de Arbitragem integrar, na sua secção profissional, nomes como os de Lucílio Baptista ou Luis Guilherme.

 

Por algum motivo, o próprio Pedro Proença tem dúvidas sobre se o futebol português merece reconhecimentos internacionais, como o de melhor árbitro do ano.

 

Afinal de contas, quem faz “uma crítica construtiva ao modelo de avaliação e funcionamento dos observadores em Portugal”, nos termos em que este o fez – “Sinto que os observadores estão condicionados porque querem ser da primeira categoria quando não têm qualidades para tal. (Tentam agradar) a quem está no poder” - e vê arquivado o processo de inquérito levantado, dá não só mostras de ser profundamente conhecedor da forma como as coisas funcionam, como lhe assiste toda a legitimidade para se pôr em bicos de pés.

 

Como ver colocada em causa por aquela afirmação a “competência e idoneidade dos observadores”?

 

É claro que depois, pouco surpreende que se veja envolvido em cenas rocambolescas como a não nomeação para o recente clássico da Cesta do Pão ou o adiamento do nosso jogo em Setúbal.

 

Comecemos pelo fim, pela não nomeação. Vítor Pereira diz que Pedro Proença estava de férias, com pedido de dispensa metido e autorizado, e como tal, não foi nomeado.

 

Vem Pedro Proença e diz que não senhor, acabem lá com esse mito das férias. Estava ausente do país, mas perfeitamente disponível para apitar o clássico. Porém, é o próprio que admite “que dificilmente podia ser o árbitro escolhido, uma vez que esteve recentemente no V. Setúbal – FC Porto”.

 

Em seguida, surge uma nova “notícia”, de origem desconhecida, que dá conta de que terá sido Pedro Proença a pedir dispensa no período de 12 a 19 de Janeiro, "por motivos profissionais". A partida na Cesta do Pão disputou-se a 13 de Janeiro.

 

Este é o protótipo do “caso” do futebol português. Aquele que não tem caso nenhum, mas que ainda assim, faz caso.

 

Seria facílimo tirar a limpo se houve ou não o tal pedido de dispensa, e a coisa morreria por aí. No entanto, como convém nestas situações, o último comunicado sobre nomeações de árbitros existente no site da Federação Portuguesa de Futebol, remonta algures a meados de Dezembro. Os da Liga sempre estavam mais actualizados…

 

No entanto, e caso a Comissão de Arbitragem fosse fiel aos seus próprios critérios, o que, como se viu, pelo menos com Duarte Gomes, não acontece, a chave de toda esta charada estaria, quanto a mim, naquilo que o próprio Pedro Proença admite:

 

“dificilmente podia ser o árbitro escolhido, uma vez que esteve recentemente no V. Setúbal – FC Porto”

 

Mas, e esteve?

 

 

 

Vítor Pereira contaria que sim. Tanto assim é que o indicou para esse encontro, e dessa forma, estaria consequentemente afastado do clássico.

 

Contudo, o São Pedro, que não Proença, e todos os intervenientes directos na partida, trocaram-lhe as voltas nesse dia. As bátegas de água que se abateram sobre o Bonfim inviabilizaram a realização da partida.

 

Alguns, a maior parte, diria mesmo, viram nessa situação o dedo ardiloso do FC Porto, mancomunado com o árbitro, por forma a evitar prejuízos maiores.

 

O que é certo é que, nenhum dos que directamente iam intervir no jogo, desejavam ardentemente que ele se realizasse.

 

Do nosso lado seria sempre um jogo de risco. A repetição da piscina de Coimbra, sem Duarte Gomes e com pouca confiança no Silvestre Varela, para sacar um pontapé como aquele que então nos salvou.

 

Os da casa, teoricamente beneficiados pelo mau tempo, como fizeram questão de afirmar os comentadores, pois sempre é mais fácil num terreno daqueles, destruir que construir, e com fé, talvez saísse alguma coisa, também não tinham grande interesse em jogar naquele dia.

 

Desde as sete horas da tarde que corria em Setúbal, que não iria haver jogo. Público, nem vê-lo, e a boa casa eventualmente perspectivada foi-se, levada pela enxurrada.

 

O árbitro, apitando em Setúbal, automaticamente ficaria de fora do clássico.

 

A quem interessaria então a realização desta partida, naquelas condições?

 

Que tal ao interveniente indirecto omnipresente do nosso futebol? Entre ver um rival directo estrebuchar sob a intempérie, e um árbitro indesejado, afastado de um jogo importante, ou conquistar o título de campeão de Inverno, passar o Natal e entrar no Novo Ano em primeiro lugar, com três pontos à maior, ainda que com um jogo a mais, o que seria preferível?

 

Melhor, só a solução preconizada por esse acérrimo defensor da verdade desportiva que é Rui Santos: falta de comparência a ambos. Tudo em prol da verdade desportiva. Resta saber qual…

 

Ou seja, Vítor Pereira, e sabe-se lá mais quem, criaram todas as condições para que Pedro Proença, não marcasse presença no clássico.

 

Pedro Proença, e sabe-se lá mais quem, criaram todas as condições para que estivesse presente no clássico, e simultaneamente, a fazer fé no tal pedido de dispensa, para que não estivesse.

 

O ónus da decisão recaía sobre o primeiro, que decidiu, e ficou para si com o odioso da questão.

 

Perante situações desta natureza, há sempre quem prefira acreditar em coincidências e nos efeitos paliativos da verdade estatística da lei dos grandes números.

 

Como se um qualquer karma cósmico universal assim o determinasse, acreditam que no infinito, ou quando se fizerem as contas finais a esta Liga, which ever comes first, os erros a favor e contra, tendencialmente terão saldo nulo.

 

Por mim, tendo em conta o esmero e a antecipação com que vou vendo estas situações serem repetidamente preparadas, tenho sérias dúvidas de que a lei dos grandes números se aplique a pequenos homens.

O "peep show" da arbitragem portuguesa

07
Jan13

 

Quando escrevi o texto "Quem melhor?", fi-lo à pressa e a quente, pois acabara de saber da nomeação do Duarte Gomes para o jogo de ontem na Amoreira.

 

Agora, em retrospectiva, vejo-me forçado a concluir que não dei o realce devido à coisa, e designadamente àquela questão trazida à colação pelo Pedro Proença, sobre o condicionamento dos observadores dos árbitros.

 

O muito trabalho e o facto de o ver secundado por um mentecapto, a aproveitar a ocasião para pedir uma investigação, também não ajudaram.

 

Desconheço a entrevista dada pelo árbitro, e como tal não consigo contextualizar a afirmação produzida. Na versão online do “Record”, só se encontra disponível para “assinantes premium”, que é coisa que não sou, nunca fui, nem alguma vez serei.

 

Terá dito então, qualquer coisa como: Sinto que os observadores estão condicionados porque querem ser da primeira categoria quando não têm qualidades para tal. (Tentam agradar) a quem está no poder.”

 

Antes de mais, causam-me estranheza o porquê e o momento da observação. Que razões de queixa dos observadores dos árbitros, terá pela sua parte Pedro Proença?

 

Tanto ele como o Olegário Benquerença estiveram parte da época passada ausentes dos relvados. No entanto isso não constituiu inibição a que fossem o melhor e o segundo classificado dos árbitros de primeira categoria.

 

O que será que lhe dói? Terá tido má nota do observador no famoso jogo do título na Cesta do Pão? Não sei porquê, mas não me parece.

 

Além disso, que peso terão afinal estas avaliações na classificação final dos árbitros? Pegando no caso de alguém que nos é tão querido, veja-se o que aconteceu ao Bruno Paixão.

 

 

Deixou de ser internacional porque o Conselho Técnico da Comissão de Arbitragem resolveu baixar-lhe uma nota atribuída pelo observador, de 3,4 para 2, e por esse efeito, passou de 8.º classificado para 14.º na supracitada lista.

 

Na parte do timing, dá-se a feliz coincidência da sua ocorrência verificar-se após a má nota atribuída ao Duarte Gomes, que salientei naquele texto. Acredito que, apesar da proximidade entre ambos no apoio a um candidato, não passe disso mesmo: um mero acidente de percurso.

 

Na ausência de uma resposta conclusiva a estas dúvidas iniciais, centremo-nos então no conteúdo, aquilo que verdadeiramente interessa.

 

Diz Pedro Proença que sente os observadores condicionados e compelidos a agradar a quem está no poder.

 

Mas, agradar para quê, e quem é o poder sem rosto a que faz alusão?

 

O que se viu no caso do Duarte Gomes é que, apesar da má nota obtida, isso não obstou a que o Conselho de Arbitragem, indo ao arrepio das suas próprias regras internas, o nomeasse logo de seguida para um novo jogo, quando se lhe vaticinaria um merecido descanso, outrora, conhecido por “jarra”.

 

Esqueçamos agora por um momento estes dois árbitros lisboetas, e pensemos no Rui Costa do nosso jogo contra o Nacional da Madeira.

 

Após a derrota do Sporting contra o Rio Ave para a Taça Lucílio Baptista, foi opinião generalizada, e grandemente consensual, que a expulsão do Eric Dier, que terá precipitado o desastre sportinguista nesse jogo, fora exagerada.

 

Logo, Rui Costa com essa decisão teve influência na forma como decorreu a partida daí em diante, ainda que, para variar, os de Alvalade não chegassem lá mesmo sem a expulsão.

 

O que é que aconteceu a esse árbitro? Foi nomeado para o Dragão. Castigo? Talvez.

 

Deste modo, que relevância tiveram nestas duas situações, a avaliação produzida pelo observador ou a opinião unânime sobre o comportamento do árbitro?

 

De que vale a nota do observador, se o Conselho de Arbitragem majestaticamente a ignora, bem como aquilo que salta à evidência de todos? Rigorosamente nada.

 

Para que é que os observadores farão então o mais ínfimo esforço para agradar?

 

Ao “a quem”, nunca é fácil de chegar cá por estas bandas, mas, de coincidência em coincidência, conseguem-se algumas boas aproximações.

 

No que toca ao Duarte Gomes, não é nada de novo. É o habitual com a personagem. Depois de uma arbitragem menos conseguida havia que animar-lhe o espírito, puxar-lhe pela autoestima, como se fosse preciso. Dar-lhe enfim, uma indicação de que a retaguarda continua bem protegida, antes de o enviar para outra partida de maior importância. A da Amoreira, por exemplo.

 

Quanto ao Rui Costa, convirá ter em atenção que a acção se desenrolava no habitat da Taça Lucílio Baptista, a tal que já vem com vencedor pré-definido no pacote.

 

Correndo a vida bem ao Sporting, e fazendo fé numa hipoteticamente híper-rebuscada hipótese de ainda se apurar para as meias-finais, com quem iria previsivelmente digladiar-se de seguida? O troféu pode estar atribuído, mas há sempre caminho que convém desbravar.

 

Há ainda outra pergunta que me assalta o espírito quando chego ao “a quem”.

 

Então e quando os observadores lhe dão razão, será que nesses casos o demandante da investigação manteria o seu pedido?

 

Estou a lembra-me, por exemplo, do Carlos Xistra na Pedreira, em que o observador considerou o Javi Garcia mal expulso, e teve o merecido destaque na imprensa.

 

 

Perante estes exemplos e situações, a arbitragem portuguesa assemelha-se neste capítulo, a uma sessão contínua de “peep show”, em que os chulos, que estão acima, e que nomeiam e apreciam recursos, e as dançarinas exóticas, chamemos-lhes assim, que apitam, comandam a situação, ao passo que os voyeurs/observadores não passam disso mesmo, limitando-se a tomar notas num caderninho, que pouco mais servem que para gáudio dos anteriores.

 

E a zona de “peep shows” mais conhecida em todo o Mundo, é o “red light district”, de Amsterdão. Outra vez, só uma mera coincidência.

 

Tenho o Pedro Proença na conta de alguém que não fala, apenas porque gosta de dizer coisas, como a prima do Raúl Solnado, ou que ande por aí a espalhar atoardas.

 

Se disse aquilo que veio escrito, será certamente porque sabe de algo inacessível a quem está do lado de fora, e lhe permitirá ter uma visão diferente da realidade.

 

O quê? – é a pergunta que se impõe.


Nota: No trabalho de pesquisa exaustivo que realizei para escrever este texto, reparei que por outras paragens, onde também se fala o português, ainda que, para já, se rejeite o Acordo Ortográfico, o show da arbitragem tem outra(s) qualidade(s), mais apetecida(s), nomeadamente para “peeping toms”.

 

 

Cai o pano sobre a taça latina, com passagem obrigatória pela latrina

02
Jul12

 

Sim, eu sei, não, não vou dizer, como o Vítor Espadinha, que “tudo são recordações”. Eu sei que tinha dito que me desinteressava da questão do Euro 2012.

 

Mas o que é que querem? Uma final sempre é uma final, e nem foram precisos caracóis, nem imperiais, para dar uma motivação extra, que isto, quando se têm miúdos pequenos em casa, a melhor maneira de não ter que alterar planos, é nem sequer perder tempo a fazê-los.

 

Pois é, embora contrariado, acabei por ver a final entre a Espanha e a Itália, quase toda, só falhei o último golo espanhol. Como seria de esperar, se se recordam do que escrevi no texto imediatamente anterior a este, confirmou-se integralmente o que então disse:

 

“os últimos acontecimentos encarregaram-se de deixar bastante claro o quanto (não) percebo até aos mais ínfimos pormenores, de tudo quanto ao jogo da bola diz respeito”

 

A Itália, ao contrário do que antecipara, não ganhou. A Espanha, que parecia ter terminado de bofes de fora o jogo contra nós, surgiu renascida e os italianos, que estiveram quase sempre por cima contra a Alemanha, é que pareciam estar todos rotos, e a lesão do Thiago Motta, não ajudou.

 

Acabou por triunfar a equipa que alterações menos significativas introduziu (a troca do ponta-de-lança, pelo pseudo-ponta-de-lança) em relação ao último jogo, como que a dar razão ao dito de que “em equipa que ganha, não se mexe”.

 

Salvo algum motivo de ordem física, cuja percepção foge ao alcance de quem está de fora, ou a mim, pelo menos, não percebi a troca do lateral-esquerdo italiano. O Balzaretti tinha estado bem contra os merkelianos, porque é que o treinador italiano foi mexer na equipa?

 

Que três centrais não eram necessários contra uma Espanha, que nem com um ponta-de-lança, na verdadeira acepção do termo, utilizou, parece evidente. Mas a Alemanha também só tinha um homem em cunha, e nesse jogo jogaram os três centrais (Bonocci, Barzagli e Chiellini), mais o Balzaretti.

 

Neste jogo, fazer do Chiellini defesa-esquerdo, soou-me um tanto ou quanto estapafúrdio. Mas enfim, não conheço os jogadores, nem o Prandelli, o suficiente para me pronunciar com mais propriedade sobre a matéria, como se tal fosse possível…

 

Pronto, venceu a Espanha, ganhou por 4-0, e triunfou bem. Uma final com dois finalistas latinos, e mais a equipa de arbitragem, também ela latina. A Europa do sul representada em grande no encerramento do Euro 2012.

 

Outro motivo que me levou a ver o jogo, foi o almoço que o antecedeu. Por imperativos familiares, que já mencionei também noutras ocasiões, almocei ao lado de dois benfiquistas. Com os amigos ainda podemos ter algum cuidado na escolha, a família não se escolhe.

 

Então quais foram os seus comentários mais relevantes em relação ao jogo? “O polvo Platini já escolheu quem vai ganhar”, e que os espanhóis terão ficado preocupados, quando souberam que o árbitro era o Pedro Proença, por ser conhecida a sua tendência para favorecer a equipa que veste de azul.

Perante isto, o que dizer? Vejo-me forçado a dar razão ao Miguel, quando diz no Tomo II, que entre os benfiquistas, há uma grande prevalência de indivíduos que personificam autênticos monumentos à estupidez.

 

A cegueira é de tal ordem que, em tão pouco, conseguem logo à partida contradizer-se. Então se o Platini escolheu o vencedor, e pelo que disse publicamente, se depreende que seria a Espanha, iria nomear em seguida um árbitro com uma extrema sensibilidade visual à cor azul?

 

Isto faz sentido? Não faz. Até admito que aqueles comentários tenham sido produzidos a título de brincadeira, tão descabidos e incoerentes que são, quando tomados em conjunto. 

 

Agora, o que não é brincadeira nenhuma é a aversão que os benfiquistas nutrem, afinal de contas, por um dos seus. E que agora, tornam extensível ao monsieur Platini, como que numa tentativa de globalizar (europeizar, seria mais correcto) a conspiração que os impede de chegar aos desejados títulos.

 

Não tenho nenhuma procuração para defender qualquer um dos dois, nem nenhuma particular predilecção por qualquer um deles, mas, porra pá, isto tem ponta por onde se lhe pegue?

 

O Pedro Proença beneficia o FC Porto? Aonde? No jogo da Supertaça contra o Vitória de Guimarães, onde deixou por marcar, pelo menos uns quatro penáltis a nosso favor?

 

Ou é ainda a propósito do jogo do golo em fora-de-jogo do Maicon? O tal em que o Pedro Proença errou ao longo de toda a partida, sempre para o mesmo lado, e não foi o que vestia de azul, e depois o árbitro assistente, lá meteu água a nosso favor, e deu-nos a vitória. É isso? É por esse jogo?

 

Serão coisas doutros carnavais? Ou será porque a recente nomeação de Pedro Proença para a final da Champions, e agora do Campeonato da Europa, contribui para deitar por terra e tornar cada vez menos verosímil a estratégia de descredibilização da arbitragem que insistentemente prosseguem?

 

Se falir o desejável quanto pior, melhor, como justificar o recurso a árbitros estrangeiros em jogos das ligas profissionais nacionais?

 

 

 

Como disse, não fui avençado para defender o Pedro Proença. Contudo, tenho-o em conta como sendo um dos poucos árbitros, que, errando, como todos fazem, não o faz deliberadamente. A maior parte das vezes dá a ideia de fazê-lo por excesso de autoconfiança, por ter-se em grande conta ou narcisismo, se quiserem, mas não intencionalmente.

 

A única vez que me lembro de ter contestado uma sua presença num jogo do FC Porto, foi pouco tempo após a eclosão do Apito Dourado, quando por alturas da sua nomeação para um jogo em que também intervinha a sua equipa, a mesma que o despreza, se ficou a saber que se constituíra assistente naquele processo.

 

Naquela altura, Apito Dourado era sinónimo de FC Porto. Alguém que era assistente no processo apitar aquele jogo, parecia um despropósito. Era meter a colher entre o acusado e o acusador.

 

Será isso que os benfiquistas não lhe perdoam? O ter sido o único árbitro que, sujeito à humilhação por eles patrocinada, de ver o seu nome envolvido no Apito Dourado, ousou reagir, ao contrário dos demais, que comeram e calaram, como de costume, e tomar parte no processo?     

 

Ora, se os benfiquistas o rejeitam, como também fazem com o Olegário Benquerença, e como de resto, com quase todos os árbitros internacionais, excepção feita aos casos do João “pode vir o João” Ferreira e do Bruno Paixão, quem é que querem ver a dirigir os seus jogos?

 

Sim, já sabemos: árbitros estrangeiros. Mas, e fora esses?

 

Hugos Miguéis, Vascos Santos, Marcos Ferreiras, Brunos Esteves, Hugos Pachecos? Porquê?

 

Esta é a “million dollar question”, cuja resposta nos pode levar, à velocidade da luz, do campo da mais pura e naïf estupidez, para a mais deslavada desonestidade intelectual. Por uma questão de mera higiene pública, prefiro mil vezes a estupidez.

 

No entanto, não posso deixar de notar, e achar estranho que pessoas, que reputo de inteligentes, e capazes de pensar pelas suas cabeças, num momento critiquem e digam que não concordam com a(s) estratégia(s) do presidente do seu clube, e a seguir, defendam ou repliquem posições idênticas, a propósito do Pedro Proença ou do Platini.

 

Há desejos que são inconfessáveis, porém, não deixam de ser desejos…

 

Desinteresso-me da questão

30
Jun12
 
Como se fizesse muita falta, os últimos acontecimentos do Euro 2012, encarregaram-se de deixar bastante claro o quanto (não) percebo até aos mais ínfimos pormenores, de tudo quanto ao jogo do pontapé na bola diz respeito.
 
Pus-me a gozar com o Balotelli, o Balotelli marca dois golos à Alemanha, é o homem do jogo e o herói da Itália.
 
Disse que a squadra azzurra era tecnocrática, à imagem do país ele próprio. Vai daí eliminam a Alemanha.
 
A Alemanha era a minha favorita para levar o Euro para casa, joga com a Itália, faz ainda pior que nós, que pelo menos fomos ao prolongamento e aos penáltis contra os campeões da Europa em título e do Mundo, e vai bardaMerkel, caim, caim, auf wierdersehen, goodbye!
 
O Platini queria a Espanha e a Alemanha na final. Vá lá, safou-se, leva a Espanha, e já não fica mal.
 
O árbitro turco estava feito para nos tramar. Só com muito boa vontade é que podemos pensar nisso. O homem até mandou o Ronaldo repetir um livre, três metros mais à frente, por na primeira tentativa a bola esbarrar no braço de um adversário! Por cá, talvez nem todos assinalassem.
 
A Alemanha teve um árbitro francês, na meia-final contra a Itália. E nem assim.
 
As duas equipas com menos tempo de descanso antes da meia-final passaram. As que descansaram, foram de vela. Descanso a mais.
 
As duas equipas que não jogaram em 4x3x3 passaram. As que jogaram em 4x3x3, ficaram apeadas.
 
As duas equipas do famoso "grupo da morte", morreram na praia. As outras, do outro grupo, que até tinha a fairplayer Irlanda, vão à final.
 
A equipa dos quatro semi-finalistas, que menos pontos fez na fase de grupos, a Itália, eliminou a Alemanha, que foi a que fez mais.
 
A Itália não tem nenhum ex-Bola de Ouro, nem nenhum candidato potencial, a não ser, num long shot, o Pirlo. A Alemanha também não. A Espanha está cheia de candidatos, e nós temos um ex e sempiterno candidato.
 
Ainda assim, para mim, depois de eliminar a Alemanha, a Itália é sem dúvida a grande candidata ao título. E nem quero cá saber de tácticas, de cuidar se os espanhóis estão derreados ou não. É porque é.
 
Quando as coisas chegam a este ponto da prova, nestes termos, são onze de cada lado, e a Itália é campeã. Não é nada de novo, e vai voltar a ser assim.
 
Tudo isto faz tanto sentido como o "The Meaning of Life" dos Monty Phyton, por isso, desinteresso-me da questão.
 
Amanhã é a final? Muito obrigado. Já vi o Espanha x Itália da fase de grupos, e chega.
 
Os meus votos de uma excelente partida para o Pedro Proença. Portugal ainda marca presença no Euro. Cuidado Pedro, parece que o Colombo era genovês!
   

 

 

"O único português que ainda ficou na Ucrânia arranjou maneira de ver a final à pala. Chama-se Pedro Proença e vai apitar o jogo. Quase sem dinheiro, Proença pensava regressar a Portugal à boleia, mas é conhecida a capacidade dos portugueses de se desenrascarem.

 

«Disse-lhes que era árbitro», explica Pedro Proença, que nem sabe o que é um fora de jogo. No entanto, a UEFA achou piada ao facto de aparecer ali assim um árbitro, com a mochila às costas, e perguntou-lhe se aceitava apitar o jogo em troca de um quarto de hotel e refeições, ao que Pedro Proença disse: «Combinado!»"

 

(Fonte: Imprensa Falsa)


Nota: Se porventura, o jogo da final vier acompanhado por uns pratinhos de caracóis, e regado por umas imperiais, até sou capaz de dar uma vista de olhos. Nesse caso, segunda-feira talvez me debruce, cuidadosamente, sobre o tema para encerrar o capítulo do Euro 2012.

 

Nota2:Este texto era para ter sido escrito ontem, mantendo assim alguma actualidade, mas por falta de tempo, só o consegui concluir hoje.

Esse estranho lugar chamado futebol português

13
Mai12

Há, de facto, coisas muito estranhas no futebol português.

 

O árbitro de Lisboa, que é mais do que certo, vai ser eleito pela segunda vez consecutiva o melhor do ano, e que os dois clubes de Lisboa não querem nem ver, vai, ao que parece, arbitrar a final da Liga dos Campeões.

 

Ainda vão dizer que é a recompensa pela sua arbitragem num certo jogo, em que se equivocou sistematicamente em desfavor de um clube, que no final, haveria de beneficiar de um erro de um seu auxiliar. Ou pelas expulsões do Onyewu e do Polga. Ou ainda, consequência da panelinha entre o Pinto da Costa e o Platini, que ditou a passagem do Chelsea às meias-finais da Champions.

 

(tirado daqui)

 

Mais estúpido ainda, o rei dos marcadores do campeonato indígena alcançou a marca de 20 tentos. Tantos quantos o segundo classificado. Neste caso, irá ostentar o título apenas porque fê-lo, num menor número de jogos disputados (29 contra 30).

 

Ora, se tivermos em conta que o jogo a menos, não o disputou porque estava castigado, a que conclusão chegamos? O homem, que ainda por cima tem como característica jogar pelos cotovelos e não prima pelo bom comportamento, está, no fundo, através deste critério de desempate, a ser recompensado por se portar mal.

 

Que raio de fairplay é este?

 

Bem sei que o que se pretende premiar é a produtividade. Marcou os mesmos golos, em menos jogos, ganhou. Tudo bem, é compreensível. Mas não me levem a mal se, como faz um jornal em relação ao número de títulos conquistados por um certo clube, eu disser, parafraseando o Domingos Paciência: "O caneco, dêem-no a quem quiserem, o melhor marcador foi o Lima".

 

Quanto ao resto, num País onde estar desempregado é uma oportunidade, que mais dizer?

 

Do que um gajo se lembra...

08
Mar12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“PC era capaz de tudo para ganhar. Para ele, não existiam barreiras nem personalidades.

 

Habitou-se a esmagar quem se lhe atravessasse no caminho. Duas semanas antes de um jogo entre gigantes (Porto-Benfica) e onde se iria discutir o título, teve um encontro com o presidente do Conselho de Arbitragem, naquela altura um homem isento e honesto, mas com a consciência de que tinha de ter uma certa flexibilidade em algumas situações. A nomeação do árbitro para esse jogo era extremamente importante, e o assunto foi discutido entre os dois:

 

- Que árbitro é que lhe agradava para fazer o seu jogo?

 

PC não respondeu. Pensou um pouco, pegou num papel e escreveu o nome de um árbitro de Setúbal (Carlos Valente), entregando o papel ao presidente do CA. Este analisou-o e concordou com a situação, até porque o árbitro tinha qualidade e não era daqueles que normalmente negociavam nos bastidores.

 

O clube rival acabou por saber quem era o árbitro e também quem o tinha escolhido. O responsável pelo futebol desse clube, homem muito traquejado e capaz de fazer frente a PC, colocou um plano em marcha.

 

Desconfiado de que PC já tinha o árbitro controlado, contactou com um dos seus fiscais de linha e negociou com ele o resultado do encontro.

 

Tudo se passou nos arredores da capital no campo de um clube de escalão inferior, onde esse fiscal de linha treinava habitualmente com outros árbitros. Só que, no dia em que o responsável do clube da capital se foi encontrar com o tal fiscal de linha, o encontro foi presenciado por alguém que também tratava da sua forma física. Este, desconfiado, no dia seguinte ligou para Pinto da Costa.

 

- Queria falar com o Senhor Pinto da Costa.

 

- Da parte de quem? - responderam do lado de lá da linha.

 

- Diga-lhe por favor que fala Maciel Feijoca.

 

Bzzz, click...

 

- Olá, está bom? Então o que é que manda? - perguntou PC do lado de lá do fio.

 

- PC, ontem vi o Gaspar Ramos a falar com um dos fiscais de linha do árbitro que vos vai apitar no domingo. Ponha-se a pau.

 

- Ah, sim! Esse gajo está fodido comigo! Vou já tratar do assunto.

 

Depois de desligar o telefone, PC, lívido de raiva, ordenou que lhe fizessem uma chamada para o presidente do CA. Logo que este lhe surgiu do lado de lá do fio, entrou a matar:

 

- Tem de me mudar o árbitro do nosso jogo!

 

- Então não foi você que o escolheu?

 

- Pois escolhi, mas soube agora que o Gaspar Ramos já contactou com um dos seus fiscais de linha.

 

- Isso pode não querer dizer nada, e a faltarem três dias para o jogo não vou substituir o árbitro. Isso seria um escândalo.

 

- Mas tem de ser, senão eu vou fazer um barulho dos diabos.

 

- Faça aquilo que quiser, desde que seja você a assumir essa responsabilidade. Pode até dizer aos jornais que sabe desse encontro. A responsabilidade é sua.

 

Sentindo a inflexibilidade do presidente do CA, ligou de imediato a Adriano Pinto, o homem que o socorria nos momentos de maior aflição, mas nem este conseguiu demover o presidente do CA da sua atitude.

 

Pinto da Costa colocou então em movimento uma outra estratégia e, através dos meios de comunicação social, criticou aquela nomeação, levando, como era seu hábito, o assunto ao rubro. O certo é que no dia do jogo confirmaram-se as suspeitas, e o tal juiz de linha que fora visto a ser contactado pelo dirigente do clube adversário não se portou nada bem, prejudicando o clube de PC. Para agravar, um habitual suplente (César Brito) da equipa adversária até bisou, dando a vitória e o título à sua equipa. Pela primeira vez, o assalariado de PC que treinava a equipa (Artur Jorge) deixou o verniz estalar, chorando baba e ranho na cara do dito juiz de linha.

 

À saída, os árbitros setubalenses levaram uma grande sova, e o chefe de equipa, coitado, sem saber de nada, até levou porrada da mulher de Reinaldo Teles.

 

- Mas, meus amigos, eu não tenho nada a ver com isto, como vocês sabem - desabafava o apitador, enquanto colocava pomada na zona atingida. -O que é que eu fiz para merecer isto?

Como é que vou explicar à minha mulher estas arranhadelas nas costas? - E, mesmo sendo um homem valente, começou a choramingar...

 

Pinto da Costa teve durante toda essa semana de provar o sabor amargo de que, afinal não conseguia controlar todas as situações”.

 

Antes de mais, as minhas desculpas aos que eventualmente, se possam de alguma forma sentir ofendidos por aqui reproduzir este excerto do livro “Golpe no Estádio”, dessa eminência parda da luta contra a corrupção no futebol português, Marinho Neves.

 

Se o faço, é apenas porque, para lá da componente lúdica da coisa, a arbitragem de Pedro Proença no nosso último jogo, me trouxe à memória a diarreia mental acima transcrita, ainda que a contrario.

 

Na sexta-feira, quase todos os erros de arbitragem detectados e cometidos pelo árbitro principal, foram a nosso desfavor. O único que nos terá favorecido, resultou de um erro do árbitro auxiliar.

 

Na fantasia de Marinho Neves, teria ocorrido precisamente o oposto. O árbitro estaria connosco, e o fiscal de linha, do outro lado.

 

Muita atenção, contrariamente ao que acontece afirmativamente no livro, não quero de maneira alguma, insinuar que Pedro Proença ou o auxiliar, teriam sido seduzidos por algum dos clubes em contenda. Nada disso.

 

Foi apenas a coincidência, ainda que em sentido inverso, entre as duas situações, que mexeu com o meu baú dos tesourinhos deprimentes.

 

Quanto ao livro, propriamente dito, essa obra-prima surreal da luta anti-sistema, ao que parece, produzido sob o alto patrocínio e os auspícios do ex-presidente do Sporting, Dias da Cunha, toda a curiosidade que tinha, e que me levou a lê-lo, acabou rotundamente frustrada.

 

Como é que, controlando o FC Porto o tal “sistema”, um episódio como o descrito, poderia acontecer? Então, éramos o “sistema”, e bastava uma conversa do inefável Gaspar Ramos com o fiscal-de-linha, para sem mais, resolver o problema que constituía para o seu clube a nomeação do Carlos Valente?

 

Afinal, quais eram as “duas cabeças do sistema”? Ou havia mais do que um “sistema”?

 

Enfim, mais um livreco, que não passa de um romance de cordel, cheio de pérolas como a que se transcreveu, e que a dada altura, mais parece uma sucessão de rábulas do Senhor Enginheiro, saídas de um programa do Herman José.

 

Ainda bem que há por aí uns benfiquistas simpáticos que o reproduziram em formato .pdf, que sempre sai mais barato.

 

Quanto ao resto, só mesmo alguém completamente chéché é que o poderia levar a sério, e usá-lo como referência para o que quer que seja.

 

Contudo, parece que houve p’raí uns seis milhões e tal de indivíduos que o apreciaram, e estranharam a sua ausência dos escaparates dos Prémios Nobel da literatura moderna.

 

E, como consta que dizia Tolstoi:

 

“Deve valorizar-se a opinião dos estúpidos: são a maioria”

O poder branqueador da memória selectiva de um asinino de juba alva

07
Mar12
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Nas notícias da meia-noite de ontem (ou será, hoje?) deram algum destaque, merecidíssimo, diga-se em abono da verdade, a um fulano de grenha branca, a quem para burro só lhe faltam as penas.

 

Zurrava então o tal indivíduo, quando, presumo eu, alguém da comunicação social tentou enfatizar a importância da vitória da equipa por si dirigida, após uma magnífica série de quatro jogos, repito quatro, nem um, nem dois, nem três, mas quatro jogos consecutivos sem conhecer o sabor do triunfo, correspondentes a um ponto em nove possíveis, para a Liga Zon Sagres, que sim, que era importante, mas não tanto assim, porque os seus jogadores sabiam que não tinham sido recentemente derrotados pelo FC Porto, mas por “outros factores”.

 

Nada de especial esta reiteração de algo já visto e ouvido logo a seguir ao tal jogo, uma vez que, conforme na altura referi, esta figura, e outras do mesmo género são claramente inimputáveis disciplinarmente.

 

Contudo, esta questão levantada por tal criatura, certamente mitológica, suscita um chorrilho de mais umas quantas de idêntica natureza.

 

Então quer dizer que, quando a tal equipa ganhou, aqui há umas semanas em Aveiro, o Feirense foi derrotado, mas pelo árbitro auxiliar, que anulou um golo limpo aos da Feira?

 

Ou quando derrotaram a Académica de Coimbra, com um golo antecedido de um fora-de-jogo e um domínio de bola com a mão por assinalar, os de Coimbra foram derrotados pelo árbitro?

 

Ou ainda, quando nos derrotaram há duas épocas no nosso salão de festas preferido da capital, vulgo Estádio da Lucy, vai-se a ver, fomos derrotados pelo Lucílio Baptista?

 

Assim, como, na mesma temporada, a Naval 1.º, também pelo Lucílio, ou que foram o Jorge Sousa, o Rui Costa e o Olegário Benquerença, que empataram as partidas do tal clube contra o Vitória de Setúbal, e as nossas, contra Paços de Ferreira e Belenenses, respectivamente.

 

Para não falar da Taça da Liga, conquistada arduamente, também pelo Lucílio Baptista.

 

É curioso que o sujeito não se recorde destes episódios, quando, para se enaltecer a si próprio, consegue puxar da memória e recuar de uma assentada uma vintena de anos, à última vez que aquela equipa esteve nos quartos-de-final da Liga dos Campeões.      

 

Dirão que não valia a pena gastar tanta cera, com tão ruim defunto. É verdade. Faço-o apenas para que conste, e porque também temos memória para contrapor à selectividade de alguns.

 

Ou será que (mais) este pequeno esquecimento terá como objectivo branquear, que o erro de arbitragem que, por acaso, até acabou por ditar o resultado no desafio de sexta-feira, foi, de entre vários, o único a favor do FC Porto, e quem o cometeu até foi o árbitro auxiliar, e não o tão indesejado Pedro Proença?
 
 

Onde está o Wallygário?

06
Mar12

 

 

Bem sei que, por vezes, há momentos em que por motivos dos mais variados, as pessoas em geral, e algumas em particular, perturbam-se e ficam fora de si.

 

Quando os indivíduos em questão, ainda por cima, padecem de mais do que evidentes desequilíbrios emocionais, a coisa pode assumir proporções com grau mais elevado de perigosidade.

 

A conjugação destes dois factores motivou os vários comentários que fiz no texto anterior, sobre o treinador do nosso adversário da pretérita sexta-feira.

 

Contudo, a uns diazitos de distância e após ter visto e revisto a intervenção do dito sujeito, mais uns quantos comentários a propósito da mesma, concluo que me equivoquei.

 

Na realidade, aquilo que me pareceu uma perturbação momentânea decorrente do resultado menos positivo no jogo, deixou de me soar tão espontânea como tudo isso. A forma como as baterias do treinador e do presidente daquele clube se assestaram ao árbitro parece tudo menos fruto do improviso.

 

É que nada daquilo foi novo, ou estava por ver, vindo senão das mesmas figuras, de outras suas equivalentes (no caso do treinador, fundamentalmente).

 

Mesmo antes do jogo, "O Porto é o maior, carago", divulgou uma mensagem de telemóvel, onde adeptos daquele clube davam a conhecer o, ao que suponho, contacto telefónico do árbitro Pedro Proença. Certamente com o objectivo de o felicitarem após a partida...

 

Também isto não era novo. Como se recordarão, na época 2009/2010, em que curiosamente, não fomos campeões, houve por aí uma onda de ameaças a árbitros e a quem os nomeia, perpetradas segundo consta por adeptos de um clube. Na altura, os visados foram, não só Vítor Pereira (o dos árbitros!), mas também o João “pode vir o João” Ferreira, Jorge Sousa e Vasco Santos, assim como as respectivas famílias.

 

Sempre ouvi dizer que “não é com vinagre que se apanham moscas”, por isso, não acredito, nem por um breve momento que, qualquer um daqueles indivíduos altere o seu comportamento por causa de tão boçais ameaças. Haverá com certeza algo mais profundo do que isso.

 

 

Senão, como é que se explicaria o ascendente que a partir de um certo jogo no Bessa, um clube ou o seu presidente, passaram a exercer sobre o árbitro Lucílio Baptista? O que é que esse presidente terá querido dizer quando, para além de pedir a intervenção da Polícia Judiciária, afirmou que sabia “quem tinha jantado com quem, e onde tinham jantado”?

 

Alguém investigou? Tanto quanto aquela celebérrima tirada do “fazer isto por outro lado”.

 

Porque é que esse presidente, que agora não se coíbe de “recomendar” a um árbitro que peça escusa de dirigir encontros do seu clube, que por mero acaso até é o de ambos?

 

Não foi este mesmo presidente que disse, a propósito de alguns árbitros que, “isso é tudo para nos fod…”. O que é que isto queria dizer? Ninguém terá tido a curiosidade de saber porque é que os juízes em questão, quereriam tramar o tal clube?

 

E os árbitros visados? Não se terão sentido de alguma maneira atingidos na sua honorabilidade por aquela afirmação?

 

Já agora, o tal árbitro que podia vir, porque é que continuou a apitar jogos daquele clube? Ou melhor ainda, dos concorrentes directos do tal clube. Não recomendaria a prudência que assim não acontecesse?

 

As questões são mais que muitas. E podemos continuar nesse caminho.

 

Porque é que o Pedro Henriques, depois do famoso golo anulado ao Nuno Ribeiro, no tal jogo com o Nacional da Madeira, foi sendo progressivamente afastado de jogos importantes?

 

Apenas duas épocas bastaram para o seu desaparecimento total de cena, e nem duas arbitragens do piorio em jogos nossos contra o Vitória de Setúbal, incluindo um cartão amarelo ridículo ao Falcao, que o impediu de defrontar o clube de que se fala, o salvaram.

 

Por onde anda o Olegário Benquerença? As últimas notícias que houve a seu respeito, foram que teria chumbado nos testes yo-yo da UEFA, e ponderava por fim à carreira, apesar de querendo, poder repetir os tais testes.

 

Antes disso, estivera de “baixa”. Alguém acredita que o Olegário Benquerença errou na época passada, no jogo do mais grande do Mundo dos arredores de Carnide em Guimarães, por causa do prémio que recebeu na Associação de Futebol do Porto?

 

Então, e na temporada anterior no Dragão, na partida em que quiseram, sem sucesso, fazer o “jogo da festa do título”, quando expulsou o Fucile, sem motivo para tal? Ou na Taça da Liga, da mesma época, em que, também contra os vimaranenses, admoestou apenas com amarelo o Luisão, retirando toda e qualquer hipótese de aquele vir a ser penalizado por via de um sumaríssimo, depois de uma agressão mais que evidente?

 

Será que está ainda a pagar a factura do golo invalidado ao Petit, nos tempos do Mourinho? No que vai de 2011/2012 fez cinco jogos na Liga Zon Sagres, apenas um envolvendo uma equipa do topo da tabela: na primeira jornada, na nossa deslocação a Guimarães.

 

Ainda gostava que me explicassem, como se eu fosse muito burro, que vai na volta, até serei, porque é que o tempo passa, e o mesmo clube que recusou alguns árbitros, continua a querer determinar quais aqueles que podem ou não dirigir os seus jogos?

 

Sobre esta questão dos árbitros, escrevi no meu primeiro blog, há mais ou menos quatro anos (21 de Fevereiro de 2008, para ser mais exacto), após uma arbitragem de Pedro Henriques, numa deslocação do FC Porto à ilha dos buracos, um texto intitulado "Irracionalidade Arbitrária", onde disse qualquer coisa como isto:

   

“Meus amigos, os árbitros erram! Os árbitros erram muito! Os árbitros erram com uma frequência que não devia acontecer.

Atenção, que eu não disse que erram de propósito, mas erram muito, e contrariamente ao que alguns querem fazer crer, não erram sempre para o mesmo lado!

 

Contudo, se acreditar que o que acabei de dizer não é verdade, dá conforto e contribui para a felicidade de alguém, lindamente, continuem”.

 

Hoje, quatro anos volvidos, mantenho a mesmíssima opinião, sem retirar uma vírgula que seja.

 

Quero dizer com isto que vi um número de jogos mais que suficiente no campo de um clube pequeno, para perceber a ratio operandi dos apitadores nacionais. Os árbitros portugueses, em primeira linha, favorecem tendencialmente as equipas chamadas grandes, mais grandes ou que foram grandes.

 

Depois, sendo bichos caseiros, puxam pela equipa da casa, não vá o diabo tecê-las…

 

E só depois entram em conta com factores como sejam os amores, desamores ou ódios de estimação.

 

Dentro desta lógica, por certo nenhum adepto do FC Porto esperaria algum dia ver o Elmano Santos ou o Bruno Paixão, a “favorecer” o seu clube, da mesma maneira que ninguém esperará em tempo algum ver o João “pode vir o João” Ferreira ou o Duarte Gomes decidirem contra o seu clube do coração.

 

Mas estes serão epifenómenos, digamos que, naturais, pois cada um tem direito às suas paixões e às suas aversões.

 

O problema é mais do que errar. Porque errar, erra-se, porque é natural errar. A predisposição para errar sempre para o mesmo lado, seja a favor, seja contra, é que é preocupante. E é isso que se via e vê nos árbitros que acabei de indicar.

 

Agora, vamos dizer que aqueles juízes ou outros quaisquer erram ou erraram, porque estão de alguma forma “comprados”?

 

Lamento, mas não acredito. Socorrendo-me uma vez mais do economês, do Adam Smith, e da sua “Teoria da Mão Invisível”, é um pressuposto de base que os agentes económicos se comportem racionalmente, e tomem as opções que melhor defendem os seus interesses.

 

Nós de certeza que o fazemos. Quando investimos o pouco que ainda resta para investir, se é que resta, optamos por aqueles produtos ou depósitos que nos oferecem melhores garantias de rendimento.

 

Assim são os árbitros. Dentro daquilo que é o nacional porreirismo e a ostensiva subserviência pátria perante quem detém o poder, parece-me perfeitamente natural que as decisões arbitrais pendam arbitrariamente, em caso de dúvida, para o lado de quem manda. Ou de quem aparenta mandar.

 

E é aqui que reside o busílis da questão. Da parte do FC Porto, nunca se assistiu, quiçá devido à sua dimensão, a um esforço tão desmesurado para fazer alarde do poder de que falo.

 

O mesmo não se poderá dizer de um outro clube, que imaginarão qual é. A época de 2009/2010 foi paradigmática nesse sentido. Tudo empurrava no mesmo sentido, foram investidos rios de dinheiro, como disse Pinto da Costa, “quase que fizeram do [tal clube] o clube do regime”.

 

Ou seja, uma tal conjugação de factores que fez com que, quase sem surpresa, as decisões dos árbitros pendessem invariavelmente para aquele lado.

 

Este foi, de resto um objectivo confessado por António-Pedro Vasconcellos, quando ainda fazia parte do painel do “Trio d’Ataque”.

 

A dada altura, a propósito dos tais “roubos” nas primeiras jornadas da temporada finda, incessantemente trazidos à colação, a propósito de tudo e de nada, lamuriou-se justificando as suas queixas pelo facto de os árbitros, perante situações de dúvida ocorridas em jogos do FC Porto e do seu clube, no nosso caso decidirem a favor, e no deles, contra.

 

Ficou por ver o que é que o indivíduo em questão e os seus equivalentes consideram como caso de dúvida. No limite, todas as jogadas em que não são beneficiados… Mas isso são contas de outro rosário.

 

Aquele era, na visão enviesada dos dirigentes e adeptos daquele clube, o grande desígnio a atingir. Que, quando em dúvida, a decisão caísse para o seu lado.

 

Esta foi também a grande vitória conseguida pela direcção do tal clube no processo “Apito Dourado”.

 

Bem podemos ir superando os obstáculos colocados nas mais diversas sedes. UEFA, tribunais administrativos de primeira e segunda instância, enfim, em todo lado onde haja alguém com dois dedos de testa, todas essas conquistas, neste contexto, não passaram de vitórias de Pirro.

 

Tudo bem, vamos ganhando os processos, mas qual foi o árbitro que, naqueles tempos conturbados do “Apito Dourado”, teve a coragem de, em caso de dúvida, e quero dizer dúvida mesmo, decidir a favor do FC Porto?

 

Muito poucos, ou mesmo nenhuns. O mérito de termos ganho quatro títulos nesse período em que ninguém pode apontar qualquer réstia de favorecimento, não nos tiram, por muito que se esforcem.

  

Nos dias de hoje, a situação mudou, mas não se alterou significativamente.

 

Com a amplificação que a comunicação social faz dos erros da arbitragem a nosso favor, enquanto omite e obscurece tanto os que nos prejudicam, como os que favorecem a concorrência. Com, por exemplo, a divulgação casuística e selectiva dos relatórios dos observadores dos árbitros mais convenientes, qualquer um que erre, como se viu agora com a equipa do Pedro Proença, vê cair sobre si um tal manto de suspeição, que progressivamente se vai tornando insustentável a sua continuação em funções.

 

Que o digam o Pedro Henriques, Olegário Benquerença, e a ver vamos o que vai agora suceder com Pedro Proença. Por via das dúvidas, será bom que se acautele quando voltar ao Colombo.

Habemus arbiter!

06
Jan12

 

Foi difícil, mas finalmente lá temos árbitro para a nossa deslocação a Alvalade. De entre os árbitros vetados pelo Sporting, os árbitros que vetaram o Sporting e os que o mais grande do Mundo dos arredores de Carnide veta para jogos do FC Porto e do Sporting, não restavam muitas alternativas.

 

Pedro Proença foi o escolhido. Sem dúvida que seria também a minha primeira escolha. Hoje por hoje, e pese embora alguns dislates por si cometidos em desfavor do FC Porto, que não fazem jus à sua auréola de melhor juiz nacional, e estou a lembar-me assim de cor a recente final da Supertaça, ou no jogo da grande cabazada, o penálti por marcar por mão do Sálvio, é um dos poucos, se não o único juiz que oferece algumas garantias de imparcialidade.

 

Pelo menos, parece-me a mim que, quando erra não o faz por flagrante incompetência, como a maior parte dos outros, e acima de tudo, não lhe vejo uma predisposição para errar sempre a favor ou contra os mesmos. Quando erra, é porque erra, e pronto.

 

Esta época ainda não nos arbitrou, com excepção do tal jogo da Supertaça. Vai então estreiar-se fora de casa. Com o nosso oponente esteve na derrota caseira com o Marítimo.

 

A escolha de Cosme Machado para Leiria, depois da sua exibição em Vila do Conde, soa quase tanto a prémio como a ida de Duarte Gomes à Arábia Saudita. O nosso amigo Cosme é um daqueles árbitros amorfos, que ainda não decidiu para que lado é que cai, embora vá revelando algumas tendências preocupantes.

 

Na época passada Cosme Machado foi para os entendidos de vermelho, o pai da derrota na Cesta do Pão contra a Académica do Jorge Costa. Isto mesmo depois de ter expulso o nosso Addy, mas, segundo aqueles entendidos, ter deixado por marcar um número indeterminado de grandes penalidades a favor da equipa da casa: de três, para uns, até cinco, para aqueles mais realistas.

 

Em Leiria, com os da casa com ordenados atrasados e com dois jogadores pretendidos ou contratados recentemente pelo mais grande do Mundo dos arredores de Carnide, Cosme Machado vai ter a responsabilidade de, caso o FC Porto não vença, assegurar o primeiro lugar na tabela para os visitantes. E é rapaz para isso. Que o diga o Rio Ave.