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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

O acordo necessário e a necessidade de acordar

14
Mai17

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O reatamento das relações institucionais entre dois clubes desportivos, que competem entre si numa série de campeonatos de variadas modalidades, seria sempre algo de saudar salutar. Independentemente da dimensão dos clubes em questão.

 

Desejavelmente, rivalidades à parte, o bom relacionamento entre emblemas, que mais não seja, institucional, deveria ser a regra, e não a excepção.

 

Digo "desejavelmente", porque no nosso país, terá sempre de ser aberta uma excepção. 

 

E esta é, obviamente, o clube a quem interessa a manutenção do status quo, aquele que indubitavelmente detém o poder fático , e a quem um clima de relacionamento institucional pacificado e normalizado, cairia que nem ginjas.

 

Esse clube é fácil de perceber qual é. Basta observar quais os que reataram relações e como reagiram a esse reatamento, os adeptos do que ficou de fora.

 

Mas isto, são contas de outro rosário, por isso, volto atrás neste introito.

 

Retrocedo para relembrar aquela história do telefonema, que o Vítor Baía denunciou ter havido, de Luís Filipe Vieira para Pinto da Costa, no final da primeira temporada de Lopetegui. 

 

Então, segundo Baía, Vieira teria indagado Pinto da Costa sobre o seu interesse em Jorge Jesus, ao que teria sido informado que tal interesse não existia.

 

Pela minha parte, na altura, fiquei duplamente satisfeito ao saber disso. Por um lado, apesar da predileção que Pinto da Costa tem por Jorge Jesus, este não teria sido cogitado para tomar o lugar do basco.

 

E por outro, um tal telefonema, e uma tal manifestação de receio, seriam sinal de que o FC Porto ainda dispunha de alguma autonomia, naquilo que à escolha de treinadores diria respeito.

 

Contudo, Pinto da Costa rapidamente negou a revelação de Baía, e fez desvanecer as minhas melhores expectativas de independência do clube, nomeadamente, em relação a Jorge Mendes. 

 

Mais tarde, o próprio Jesus revelou a história da sua ida para o Sporting, e a tentativa que Mendes e o Benfica terão feito de recambiá-lo para a Arábia Saudita, ou coisa que o valha.

 

E o FC Porto, conclui-se, não foi, de facto, nem tido nem achado, em todo o processo.

 

Lopetegui e Jesus, sendo ambos homens de Mendes, este optou, sabe-se lá porquê, por manter o basco no FC Porto, mas não conseguiu evitar a ida do bronco para o Sporting.

 

Ora, embora pessoalmente não engula Jesus nem barrado com manteiga de amendoim, reconheço que, se há treinador capaz de olhar o sistema nos olhos, viver comodamente no seu seio e, eventualmente, confrontá-lo, é Jorge Jesus. 

 

Por isso, talvez tê-lo no FC Porto seja um risco muito maior para o establishment, do que num Sporting, menos habituado à luta pelo título.

 

O Benfica e Mendes pouparam-me a esse sofrimento, mas talvez o FC Porto tenha perdido uma oportunidade. 

 

Avancemos agora para os dias de hoje, novamente para o reatamento de relações entre FC Porto e Sporting. 

 

Dá-se o caso de este ter acontecido, após a derrota em casa dos sportinguistas contra o Belenenses, e o mais que evidente extremar de posições entre Bruno de Carvalho e Jorge Jesus.

 

E o que é que acontece? É claro que vem à cena o interesse do Dragão, como em todas as ocasiões em que Jesus viu contratos melhorados por via desse propalado interesse. 

 

Acto contínuo,  José Maria Ricciardi reúne com Jesus, e surge a saudada pelos envolvidos e censurada jocosamente pelos demais, "aliança" FC Porto/Sporting. 

 

Note-se que não é o omnitudo Bruno de Carvalho, em ruptura com o treinador, quem reúne com o treinador, mas uma eminência parda, especializada nesse mesmo papel, o de eminência parda.

 

Ricciardi serena os ânimos com uma das partes desavindas, e a recém fundada amizade azul-verde-e-branca acalma(rá?) a tentação portista de contratar Jesus. 

 

E mais uma vez, o catedrático das chicletes fica arredado do FC Porto. Sem pena nenhuma da minha parte, confesso. 

 

Neste cenário, o Sporting evita vir a ter um problema de treinador. Depois de ter posto os patins a Leonardo Jardim e Marco Silva, e do fracasso da contratação de Jesus, quem é que Bruno de Carvalho poderia desencantar? 

 

Pedro Martins? Apostar num homem que, apesar de ter passado pelo clube, nunca orientou um grande?

 

Vitor Pereira? Um portista confesso? 

 

Paulo Fonseca? Mais um dos pupilos de Mendes, e cuja aspiração de vida é treinar o Benfica?

 

A saída de Jesus seria um valente bico d'obra nas mãos de Bruno de Carvalho.

 

Ou seja, este acordo era absolutamente necessário para preservar a continuidade em segurança de Bruno de Carvalho, e dado o envolvimento de Ricciardi, de um qualquer projecto, que ambos corporizam.

 

Nem que para isso, tenha Bruno de Carvalho de engolir sapos, e apertar a mão a alguém de quem já disse o que Maomé não disse do bacon.

 

E nesse caso, qual é a vantagem que o FC Porto retira deste acordo?

 

Vi escrito e ouvi por aí, que nos unimos ao Sporting para evitar o penta, o hexa, sei lá o quê, do Benfica.

 

Será assim?

 

Ao FC Porto, perdendo a hipótese de contratar Jesus, só lhe restam duas alternativas: ou continua com Nuno Espírito Santo, ou começa tudo de novo, com outro treinador, seja ele quem fôr. 

 

Logo, fica na mesma ou pior, uma vez que o capital de confiança de que Nuno dispõe junto dos adeptos, ficou bastante depauperado pelos resultados da presente temporada.

 

Vindo alguém de novo, ainda poderá usufruir do benefício da dúvida, mas a ansiedade e a dúvida estão instaladas. 

 

No Sporting mantendo-se Jesus, e embora tolerando-o Bruno de Carvalho, apenas a bem da nação sportinguista, o nível de saturação entre os adeptos é de tal ordem, que há primeira escorregadela, a coisa dá para o torto. Além de que a aura de vencedor, já viu melhores dias.

 

Quem é que lucra no meio disto tudo?

 

O novo tretacampeão, que vai beneficiar da instabilidade nos seus dois rivais, e vê o caminho desbravado em direcção ao penta.

 

Portanto, como penso que terei deixado claro, se este era um acordo necessário para o Sporting, do lado do FC Porto, a necessidade premente é de acordar. De uma vez por todas.

Estatisticamente falando

24
Mai15

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Não tenho a ideia exacta de quando é que isto começou, mas se por algum motivo tivesse de situar no tempo o início desta febre estatística, apontaria para o período do Sporting de Peseiro.

 

É claro que sempre existiram números e dados estatísticos, recordo que, como em tantas outras áreas, também nessa o FC Porto foi o percursor, através do prof. José Neto, que integrou a equipa técnica de Pedroto.

 

Agora, o inferno estatístico em que hoje vivemos, salvo erro começou com o Sporting do Peseiro, e as suas incomensuráveis series de vitórias, que foram assim amplificadas, talvez na esperança de que não tivessem fim à vista. Uma espécie de #colinho doutra natureza.

 

Ironicamente, acabariam por perder em casa com o CSKA, a hipótese de chegar a um título europeu, e a mona lisa do Luisão haveria de os apear da corrida para o campeonato nacional.

 

A coisa agora refinou-se e expandiu-se, como se a grande beleza do futebol não residisse na sua aleatoriedade, e a única verdade estatística insofismável é a de que só contam as bolas que entram na baliza.

 

Não tarda, alguém vai chegar à conclusão de que o actual campeão, é o clube que mais títulos alcançou com um defesa central careca ou com um defesa-direito com uma verruga bá cara e o nome começado por "M".

 

Por exemplo, estatisticamente, o FC Porto terá tido a melhor defesa da Europa, e teve o melhor marcador do campeonato, que, ainda assim, não ganhou.

 

O que é que isso nos diz? A mim não me diz grande coisa.

 

Diz-me que, no futebol, o objectivo principal do jogo é marcar golos, e não impedir que o adversário os marque.

 

De vez em quando pode acontecer que uma selecção como a italiana, empate todos os jogos da fase de grupos e acabe campeã europeia. Mas isso é numa prova com apenas três jogos em poule. Um campeonato é longo e é uma competição de regularidade, convém marcar mais golos que os adversários.

 

O que nos leva ao titulo de melhor marcador, que para além de atestar da capacidade individual de quem o alcança, para pouco mais serve, especialmente quando nos dois lugares imediatos se classificam os dois melhores marcadores do rival, com menos um e dois golos, respectivamente.

 

Mas já que é de estatísticas que se fala, há mais dois factos estatísticos que, apesar de tudo, catapultam Julen Lopetegui para a história do FC Porto de Pinto da Costa, e que não têm tido o devido realce.

 

Tal como aconteceu em 1988-1989, o FC Porto não conquistou qualquer titulo, mas enquanto Quinito não chegou ao fim da época, Lopetegui conseguiu fazê-lo.

 

E, caso Lopetegui continue a treinar o FC Porto na próxima temporada, será o primeiro treinador que o fará (na gestão de Pinto da Costa), depois de se ter aguentado uma época inteira sem ganhar o que quer que seja.

 

Estatisticamente falando ou não, é obra. Ou sinal dos tempos.

Só um bocadinho de nada de coerência, s.f.f.

01
Mai15

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Quem é que nunca escondeu sua admiração por aquele tipo, reconhecendo-lhe mérito, mesmo depois de uma vitória num campeonato, com passagem pelo túnel, e foram os jogadores, unidos, quem afirmou: "Somos Porto"?

 

Quem é que, por via desse reconhecimento, acabou por contribuir para que, uma vez propalado um eventual interesse do FC Porto, o indivíduo, não só renovasse contrato, mas que entrasse diretamente para o top 10 dos treinadores melhor pagos?

 

Quem é que contratou recentemente dois treinadores agenciados por Jorge Mendes, o qual, através do seu parceiro de negócios, deu milhões a ganhar ao nosso rival, comprando jogadores por importâncias consideravelmente superiores ao então, seu valor de mercado?

 

Quem é que contratou jogadores com o auxílio do fundo gerido por um amigo pessoal do presidente do clube nosso rival, o qual, de acordo com Bruno de Carvalho, o terá convidado pessoalmente para reunir-se com o dito presidente, para discutirem alianças?

 

Quem é que não teve peias em associar-se, a bem da salvação da nação do futebol português, a quem patrocinou um autêntico assassinato do seu carácter na praça pública, envolvendo Carolinas, Pinhões e Gatos Fedorentos?

 

Noutro registo, quem é que disse de um ex-Primeiro-Ministro, que "quase que pôs o Benfica como clube do regime", mas que era seu amigo, e continua a sê-lo, comprovando-o indo visitá-lo à prisão de Évora?

 

O Quaresma fez mais do que isto?

 

Porque é que adeptos, que acreditam piamente em Pinto da Costa, apenas por uma questão de fé, que crêem sem precisarem de outra qualquer evidência, para além das vitorias passadas, nas suas escolhas de treinadores, jogadores e na gestão em geral, põem agora em causa o Quaresma?

 

O discernimento que faz fé numas ocasiões, deixa de fazer noutras?

 

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Sim, isto é feio, é abjecto, mete nojo, provoca náuseas e dá vómitos - caramba, a mim faz-me confusão um jogador, seja ele de que clube fôr, festejar um golo despindo a camisola do clube que lhe paga, quanto mais...- mas ainda assim, e que tal só um bocadinho de nada de coerência, se faz favor?

 

Subsídios a fundo perdido para nada de especial

06
Mar14

Não sou crente. Embora ache que entendo o conceito de fé, por muito que me esforce, nunca o consegui atingir, e duvido que algum dia lá chegue.

 

Acreditar em algo apenas porque sim, para além daquilo que a racionalidade alcança é coisa que infelizmente, não está nas minhas capacidades. Por isso mesmo, admiro aqueles que o conseguem fazer. Imagino que a sensação seja um misto de conforto salpicado de rushes de adrenalina.

 

Esta minha lacuna estende-se obviamente ao que se passa no futebol. Ora, assim sendo, não consigo juntar-me aos adeptos portistas que nos tempos conturbados que atravessamos, têm fé de que tudo se vai resolver. Basicamente, porque assim tem sido desde há trinta anos para cá, e porque o nosso presidente sabe mais de futebol a dormir, do que muitos bem acordados.

 

Percebo que esta é também a mensagem oficial a passar, ou pelo menos a que foi passada no Porto Canal, pelo José Fernando Rio, após o jogo de Guimarães.

 

Quando a esta mensagem se junta a ideia de que no FC Porto, por tradição, não há chicotadas psicológicas, e que em vez disso se dá tempo e estabilidade aos técnicos para fazerem o seu trabalho, como São Tomé, desconfio.  

 

Porque não me fio inteiramente na minha memória, e por manifesta preguiça intelectual, resolvi ir à Wikipedia em busca de algo mais palpável, que me confortasse.

 

 

 

 

Digamos que os resultados não foram muito diferentes daquilo que a minha depauperada memória ainda guardava, nem do que esperava.

 

Temos então que, nos 31 anos que Pinto da Costa leva como presidente (parece-me que será este o período mais pertinente), a nossa equipa principal teve, até ao Paulo Fonseca, 21 treinadores.

 

Nestes incluo o primeiro de todos, José Maria Pedroto, embora na minha mente não tenha como perfeitamente esclarecido se foi Pinto da Costa que escolheu Pedroto, ou se este que escolheu Pinto da Costa, ou se as circunstâncias daquele Verão quente, escolheram ambos.

 

Incluo também, tal como a Wikipedia, o Rui Barros, apesar da condição de interinato em 2006/2007, mas em cuja qualidade, não deixou de conquistar uma Supertaça.

 

Então e destes, quais foram as apostas bem e mal sucedidas?

 

Friso, como se fosse preciso, que esta é uma opinião pessoal, e tendo em conta fundamentalmente, os resultados obtidos no campeonato/liga.

 

Descontando os dois anteriores pelos motivos apontados, considero que terão sido apostas de sucesso 10 treinadores:

 

- Artur Jorge, entre 1984/85 e 1986/1987;

 

- Tomislav Ivic, em 1987/88;

 

- Carlos Alberto Silva, em 1991/92 e 1992/93;

 

- Sir Bobby Robson, entre 1993/94 e 1995/96;

 

- António Oliveira, em 1996/97 e 1997/1998;

 

- José Mourinho, entre 2001/2002 e 2003/2004;

 

- Co Adriaanse, em 2005/2006;

 

- Jesualdo Ferreira, entre 2006/2007 e 2008/2009;

 

- André Villas Boas, em 2010/2011; e

 

- Vitor Pereira, em 2011/2012 e 2012/2013.

 

Do outro lado, o dos falhanços, temos os rotundos, aqueles que reúnem a unanimidade de quase toda a gente, à parte talvez algum dos próprios, menos dotado para a autoavaliação, e os menos rotundos.

 

Rotundamente falharam:

 

- Quinito, em 1988/89;

 

- Tomislav Ivic, também na sua segunda passagem, em 1993/94, em boa hora terminada para dar lugar à vinda de Bobby Robson;

 

- Octávio, em 2001/2002;

 

- Luigi del Neri, Victor Fernandez e José Couceiro, todos em 2004/2005;

 

Além destes, incluo ainda no lote das “falhas”, mas menos graves:

 

- Artur Jorge, na sua segunda passagem, entre 1988/89 e 1990/1991, apesar de ter conquistado um Campeonato, uma Taça de Portugal e uma Supertaça;

 

- Fernando Santos, entre 1998/1999 e 2000/2001, mesmo tendo vencido o penta, duas Taças de Portugal e outras duas Supertaças;

 

No cômputo global, teremos pois oito casos de insucesso. Se somarmos o Paulo Fonseca, serão nove.

 

As escolhas mais arriscadas foram, para mim, Paulo Fonseca, Villas Boas, Vitor Pereira e Mourinho, precisamente por esta ordem.

 

Paulo Fonseca, como escreveu Pedro Marques Lopes, neste artigo, que surripiei com o devido respeito e vénia, do blog do Dragão Vila Pouca, foi o esticar da corda.

 

Não bastando um treinador com uma experiência relativamente curta, acrescentou-se a ausência de vivência de “clube grande”, algo que nos outros, apesar de tudo, havia.

 

Ou naqueles em que ela não existia, o lastro de experiência de que eram portadores, ou o seu temperamento, e neste caso, estou a pensar muito concretamente no Co Adriaanse, faziam deles fortes candidatos a triunfarem. Faltava-lhes apenas a melhor envolvente.

 

Paradoxalmente, as melhores escolhas, do ponto de vista do binómio resultados internos/externos, foram algumas das escolhas mais arriscadas: Artur Jorge, José Mourinho e André Villas Boas.

 

E o que é que temos mais?

 

Vejamos a parte a evitar. Os nossos piores períodos em matéria de treinadores foram aqueles que se seguiram às conquistas da Taça dos Campeões/Champions, entre 1988/1889 e 1990/91, e 2004/2005.

 

A época de 2004/2005 foi a do mais completo desvario, pois um terço das piores escolhas ocorreu nessa mesma temporada

 

Fernando Santos e Octávio Machado foram os protagonistas do hiato de secura de títulos de campeão nacional, entre 1999/2000 e 2001/2002 – três épocas.

 

No entanto, a eles seguiu-se a nossa fase mais resplandecente, com Mourinho no comando.

 

Esta fase, bem como a do penta foram ambas antecedidas de “chicotadas psicológicas”.

 

O único treinador que permaneceu duas temporadas à frente da equipa sem conquistar o campeonato foi Fernando Santos.

 

Se, nos casos dos técnicos que não lograram conquistar o título de campeão e saíram, se poderá falar em apostas falhadas, neste caso houve uma teimosa persistência no erro.

 

Tal como a manutenção de Jesualdo Ferreira em 2009/2010, quando muito claramente, a motivação para continuar a ganhar era manifestamente insuficiente.

 

Vendo as coisas de outro parâmetro, agora que Marco Silva nos é apontado à força toda, ele que é reconhecidamente benfiquista, diga-se que de todos os treinadores elencados (excluindo sempre Pedroto e Rui Barros), apenas três foram unanimemente reconhecidos como sendo declaradamente portistas: António Oliveira, André Villas Boas e Vitor Pereira. Embora este último não tenha sido bem uma opção, mas mais o resultado conveniente duma exclusão de partes.

 

No fundo, quase tantos quantos os benfiquistas: Fernando Santos e Jesualdo Ferreira.

 

Que poderemos então concluir?

 

Que as coisas estão equilibradas. Em matéria de treinadores, Pinto da Costa acerta muito, mas erra quase tanto quanto acerta.

 

A arte da coisa reside precisamente no prolongamento dos períodos de acerto, que faz com que o número de títulos compense largamente os desacertos. Porém, o exagero na insistência não deu bons resultados.

 

Quando acerta, acerta em cheio, tal como quando erra. Mas quando erra, e dá a mão à palmatória reconhecendo o erro, normalmente a recompensa vale a pena.

 

Quanto ao resto, temos vitórias e derrotas, sucessos e insucessos. Excelentes apostas, boas apostas, apostas assim-assim, más e péssimas. Temos escolhas seguras e o desafio da racionalidade mais básica. Desvario e teimosia. Quase tantos homens da casa, como de casas alheias.

 

Ou seja de tudo um pouco. Certo é que, excluindo o desvario de 2004/2005, as famosas “chicotadas psicológicas”, ainda que sem resultados imediatos, antecederam alguns dos melhores períodos do nosso trajecto de vitórias.

 

É preciso dizer mais?

E se se xaringassem nas putas das desculpas?

05
Mar14

 

A fantochada começou com o Helton. No domingo, vi com os meus próprios olhos, e ouvi pelos meus ouvidos, o Abdoulaye a repetir a gracinha.

 

Mas que merda é esta das “desculpas aos adeptos”?

 

Onde é que estamos?

 

O Helton, que já leva uns anitos bons entre nós, deve saber de onde é que partiu esta ideia peregrina das desculpas aos adeptos. Ao Abdoulaye, ainda lhe dou um desconto.

 

Esta parvoíce das desculpas aos adeptos, que me lembre, ou pelo menos, a primeira vez que a vi, estupefacto, começou no período áureo do benfiquista Vale e Azevedo, quando após um mau resultado qualquer, apareceu aos microfones, a falar em nome do plantel, um pesaroso João Vieira Pinto – olha quem! – a pedir desculpas aos adeptos pelo sucedido.

 

Achei a coisa tão aberrante, que nunca me passou pela cabeça ver jogadores do meu clube a enveredar por tal caminho.

 

Falar com os adeptos, como fez o Bruno Alves após a derrota com a Naval 1.º de Maio em 2008, tudo bem. Pedir desculpas?! Tá tudo doido, ou quê?

 

Alguém se importa de explicar àqueles dois de onde é que isto surgiu. Dizer-lhes que isso não é nosso. É coisa doutros lados, doutras gentes, e é daquelas importações que, como tantas outras, dispenso.

 

Será que alguém á capaz de perguntar àqueles rapazes, ou aos colegas, para que é que nós, adeptos, queremos as desculpas?

 

Estamos a marimbar-nos para as desculpas. O que queremos são resultados, vitórias, títulos. Desculpas, não servem rigorosamente para nada.

 

Expliquem-lhes lá, se faz favor, que o que queremos é que façam jus àquela velha sentença de que as desculpas não se pedem, evitam-se.

 

Melhor ainda, que corram, que se esforcem, que lutem, e se possível, que joguem alguma coisa. Se o fizerem, mesmo que não ganhem, quero lá saber de desculpas!

 

Alguém que lhes explique, porque de um treinador que não consegue explicar o inadmissível, de um treinador que se limita a constatar, qual vítima, mas de mais ninguém senão de si próprio, que, no estado actual do clube, é fácil falar mal dele, mas que permitiu que chagássemos a esse estado, e daí para diante, pouco ou nada fez para inverter a situação, não espero tanto.

 

 

 

E que dizer de uma SAD ou de um presidente que preferem segurar um tal treinador, e dar apertões ao plantel, fazendo os jogadores passarem por entre os seus próprios adeptos, numa suposta humilhação de um cortejo de derrotados, reminiscência de um qualquer filme sobre a Antiguidade Clássica?

 

Então e se experimentassem explicar aos jogadores porque é que aqueles adeptos ali estavam, e o que é que estavam a sentir? Ou não sabem? Ou não querem saber, agarrados às muitas vitórias que já lhes ofereceram?

 

Talvez fosse preferível. Talvez assim os jogadores e o treinador percebessem onde estão. Porque a realidade é que parecem confusos, e nem precisam de meter cidades alemãs ao barulho.

 

Se é verdade que ninguém nasce ensinado, então talvez fosse mais indicado ensinar-lhes, em vez de censurá-los ou humilha-los.

 

Se não quiserem aprender, aí o caso muda necessariamente de figura, mas talvez valesse a pena começar por aí.

 

E por favor, cresçam, sejam homenzinhos, e de uma vez por todas, xaringuem-se nas putas das desculpas!

 

 


Nota: Entretanto, foi-se o Paulo Fonseca. Bela prenda de anos! Para nós! Bem, sobre isso, e a entrada do Luis Castro conto falar depois. Para já, queiram ler em pretérito passado as referências anteriores ao ex-treinador.

Um leão só e triste

17
Out13

O Carlos Tê, no seu "Porto Sentido", perpetuado pelo Rui Veloso, falava em "lampiões tristes e sós".

 

Nos dias que correm foi descoberta uma nova variedade: a dos lagartos sós e tristes.

  

 

Numa lógica muito valedeazevediana, talvez inspirada num Governo, que corta onde é mais fácil, em vez de reformar, o moçoilo, actual presidente do Sporting, descobriu que atacar o presidente do FC Porto compensa.

 

Nada de especial, vindo de um pobre coitado que faz lembrar aqueles putos queques da escola, com muita bravata, muita conversa, e uma postura empinada, mas que quando acossados, viola no saca e ala, que se faz tarde.

 

No fundo, não passa de um gajo solitário. Atacar o presidente do FC Porto é apenas um meio para granjear admiração junto dos adeptos do seu clube. Porém, afasta-o do FC Porto.

 

A estratégia, como se tem visto, joga-o nos braços do rival da Segunda Circular. É o ressurgir da Grande Lisboa. Os adeptos, esses não morrem de amores pelo adversário mais próximo. Contudo, o seu instinto de melancia deixa-os eufóricos perante as farpas dirigidas ao norte.

 

Resultados práticos? Nenhuns. Basta relembrar, mau grado a aliança lisboeta, a postura do presidente da Associação de Futebol de Lisboa. Passa pela cabeça de alguém que os do outro lado, depois de três anos sem molhar a sopa na Liga, e de uma época 100% fracassada, deixem escapar algum título para as bandas da Calimeroláxia?

 

Lá se vai a aliança, e veremos se não irá a admiração dos adeptos. É possível que não, porque afinal, as claques, que conseguiu, dê-se-lhe esse mérito, pacificar e juntar, estão com o homem.

 

Mas, do ponto de vista institucional, o que é que valem as claques? Com grande parte do património hipotecado ao BES e ao BCP, e com o capital angolano a financiar as aquisições de jogadores, já se viu que tanto faz um Godinho Lopes, como um Bruno de Carvalho. Com quem quer que esteja à frente do clube, quem manda são os bancos e os angolanos. As claques? Está bem, abelha.

 

O presidente do Sporting bem pode estar a realizar o seu sonho de criança, mas é no fundo, um homem só. A qualquer momento, e com a maior das facilidades, ver-se-á abandonado. Como dizia a minha professora da primeira classe, não passa de um pateta alegre.

 

Um pateta alegre bem pago, é verdade, com um salário de 5.000 euros, aprovado em Assembleia Geral pelos seus amigos das claques, mas ainda assim, um pateta alegre.

 

E vamos à parte do triste. É triste que o presidente de um clube como o Sporting, para fazer prova de vida, se tenha de pôr em bicos de pés e tente achincalhar alguém, a cujos calcanhares não chega nem em cima duma escada de bombeiros.

 

Fazê-lo, utilizando para isso a questão da idade, é ainda mais triste. Não por causa da menção ao seu próprio progenitor, que não terá culpa, coitado, porque assuntos de família são assuntos de família, mas por exemplo, porque o último presidente que foi campeão pelo seu clube tinha, no seu entender, a provecta idade de 69 anos quando tal aconteceu.

 

Ou porque o seu clube bem poderia, ou deveria ter como referência, se é que não tem, alguém como Moniz Pereira.

 

É triste, mas compreensível. Não se espera que um jovem queque irreverente conheça a história mais recôndita do seu próprio clube, e use como tema de brincadeira a idade, ignorando a vetustez de algumas das suas maiores figuras vivas.             

2 + 2, igual a … uma puta duma dor de cabeça!

27
Mar13

Pinto da Costa falou. O seleccionador respondeu com postas de pescada, e a turba vermelha e branca exultou. Até por aqui, onde poucos comentários aparecem, apareceu um anónimo a comentar em verso, o que ainda se torna mais original.

 

E a exagerar naquilo que escreveu, o que me levou a cometer também a originalidade de remover o dito comentário.

 

Pinto da Costa replicou, e o seleccionador vem de lá, aproveitando a boa onda de uma vitória por 2-0, contra dez azeris, ufanar-se de que o "João Moutinho reaprendeu a jogar em três dias".

 

Mais um tsunami de exultação. “Sim senhor, assim é que é. O Paulo Bento têm-nos no sítio, e põe na ordem o Pinto da Costa”.

 

“O Pinto da Costa tem a mania de que manda em tudo e todos. Assim é que se mostra quem manda, como antes tinha feito o Scolari”.

 

Este tipo de comentários, são apenas uma amostra daquilo que li um bocadinho por tudo o que é caixa de comentário, inclusivamente de blogues portistas que não passam em testes de higiene.

 

É precisamente isto que eu não atinjo. Talvez seja necessária uma qualquer predisposição genética para emburrecer quando em presença da cor vermelha.

 

Se tiverem alguma memória para factos irrelevantes, hão de recordar-se que Scolari comunicou a sua saída dos comandos da selecção portuguesa, mal alcançou um lugar nos quartos-de-final do Euro 2008.

 

Que se saiba, ninguém o empurrou borda fora ou o obrigou a ir para o Chelsea. A asneira foi apenas responsabilidade do Abramovich!

 

Já Carlos Queiroz, a quem Pinto da Costa defendeu em tribunal, foi corrido da forma exemplar como foi.

 

Agora com Paulo Bento, é o que se vê.

 

E ainda há gajos que conseguem ficar felizes, porque um pobre de espírito faz frente ao presidente do FC Porto?

 

Como se o Pinto da Costa fosse o maioral pelas bandas da selecção. Não é por nada, e é para o lado que durmo melhor, mas, para burros só lhes faltam as penas.

 

Outra coisa a que acho piada, e em que estas alminhas talvez ainda não tenham parado para pensar, enquanto se preocupam com miudezas destas, é a estupefação de alguns pelo discurso motivacional que antecedeu o jogo com Israel.

 

"O segundo lugar é um objectivo ao alcance, mas o jogo não é decisivo".

 

 

Qual é o espanto? O treinador da selecção portuguesa é ou não é o gajo cuja maior proeza desportiva até à data, foi um tetra de segundos lugares?

 

Diziam (dizem?)muitos daqueles que agora o aplaudem, que à pala do acordo entre o José Roquette e o Pinto da Costa, desvendado pelo falecido João Rocha, em pleno conselho de viscondes.

 

Sabem quem é que nesses anos ficou de terceiro classificado para baixo, e fora da Champions?

Uma ameaça para levar a sério

15
Mar13

Interrompo a minha pausa dedicada a actividades do foro reclamativo, para fazer uma ameaça, que peço por todos os santinhos que levem a sério.

 

Eu avisei que isto iria acontecer:

 

  

"Pinto da Costa atento a Jesus"

 

A estratégia é sempre a mesma. Primeiro, foi no fim-de-semana, o Manuel Sérgio no "Zona Mista". E agora isto.

 

É mentira. É claro que é mentira. É mais que óbvio que é mentira. Só pode ser mentira.

 

Mas, se por hipótese não fôr...

 

Garanto que fecho o tasco. Não quero chatices com a ASAE...

 

...e volto para a minha pausa!

A Sucessão: à moda de Mansfield

18
Jan13

Os colegas do Reflexão Portista, e espero que me perdoem a ousadia de os tratar assim, e de lhes surripiar o tema, têm vindo a publicar, pelo teclado de Filipe Sousa, uma série de artigos, dedicados à sucessão de Jorge Nuno Pinto da Costa (O «Bibota», Baía a presidente, Baía a presidente!, António Oliveira, Antero Henrique e O fim de um tabu?, por ordem cronologicamente inversa).

 

De forma a expandir o âmbito da discussão em volta desta matéria, trago aqui o exemplo de um modesto clube inglês, o Mansfield, que ainda recentemente defrontou o Liverpool, na Taça de Inglaterra.

 

 

Que tal?