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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

A mentalidade dos povos

02
Fev14

Aqui há uns anos atrás, corria por aí uma anedota que, supostamente, seria reveladora da maneira de ser de alguns povos.

 

Era qualquer coisa como isto:

 

Numa movimentada rua citadina, existiam três estabelecimentos comerciais.

 

A dada altura, desesperado com as vendas que teimavam em não subir, e nem sequer estávamos ainda em crise, o espanhol, dono do estabelecimento da direita, colocou uma placa de muito razoáveis dimensões, a dizer:

 

“Descontos 30%”.

 

O português, proprietário do estabelecimento da esquerda, pôs uma placa ainda maior, onde se lia:

 

“Saldos 50%”.

 

Vai daí, o judeu, cuja loja estava entalada entre as outras duas, coloca um cartaz, de tamanho descomunal:

 

“Entrada Principal”

 

Isto era há uns anos. E era engraçado. Ou tentava ser.

 

Actualmente, é mais assim:

 

Na Ucrânia

 

 

E, em Portugal 

 

 
 

Não tem tanta graça, mas ainda assim, não deixa de ser elucidativo de que cada povo, tem a sua mentalidade. As diferenças são evidentes, mas a mim, o que mais me surpreende são as semelhanças.

Com tranquilidade, assim fomos…

28
Jun12
 

…de barco.

 

Era expectável. E no entanto, superou as minhas melhores expectativas.

 

Quando começou o Euro 2012, em conversa com o meu colega de sala, perguntava-me ele se tinha esperança de que fizéssemos alguma coisa de jeito.

 

Respondi-lhe que ia ver como é que corria a fase de grupos. Se ultrapassássemos o tal “grupo da morte”, talvez me motivasse para pensar no assunto.

 

Enganei-me. Depois daquele arranque titubeante contra a Alemanha, o segundo jogo, contra a Dinamarca, naquele que foi para mim o ponto alto da nossa participação, deixou-me francamente entusiasmado.

 

Vencer naquela partida, apesar dos dois falhanços do Cristiano Ronaldo, marcou assim a modos que uma emancipação da ronaldodependência, que não suporto, por muito bom que o rapaz seja.

 

Veio em seguida a Holanda, e fizemos aquela que era, no mínimo dos mínimos, a nossa obrigação perante uma laranja por demais espremida.

 

Contra os checos cheguei a ficar preocupado. À partida, se havia jogo que poderíamos encarar com algum favoritismo, seria esse. E era esse o problema. Tanto eu, como o tal meu colega, estávamos à partida confiantes de que íamos passar às meias-finais.

 

Quando ele e eu concordamos em alguma coisa, é mau sinal. Como diria a minha Avó, “está algum pobre para ficar sem burro”! Nessa semana estivemos em consonância por duas vezes: aí, e a torcer pela vitória do Sporting na final do futsal.

 

No caso dele, é natural, pois é sportinguista. No meu, nem tanto, e daí a preocupação.

 

Passada que foi a República Checa, naquela que terá sido, para mim, a nossa melhor exibição, vieram os calamares.

 

Caramba! Perder nos penáltis com a selecção campeã da Europa em título, e campeã do Mundo, não deslustra ninguém.

 

Fomos de barco, sim senhor, mas de cabeça erguida, com dignidade, tranquilidade, q.b., e acima de tudo, sem scolarices.

 

Podia ter sido melhor? Talvez. Devia ter entrado o Varela, para o lugar do Hugo Almeida? É provável. E porque não o Quaresma? O Miguel Veloso devia ter saído mais cedo? Acho que sim.

 

Aqui chegados, entramos, como de costume, no domínio dos “ses”. “Se o Bruno Alves não tem marcado o penálti…”

 

Como dizia um primo meu, quando éramos putos: “Se a minha Avó tivesse rodas, dava um belo autocarro”.

 

Nunca entendi o que queria dizer. Só tínhamos uma Avó em comum (que não a do burro, citada acima), e nunca a vi assemelhar-se a um autocarro. Muito mais a um Ferrari.

 

Aliás, fazendo um paralelismo com a reconhecida fiabilidade dos cavallini rampanti, as 99 primaveras atestam o meu ponto de vista.

 

Quando, após o jogo, comecei a ouvir comentários daquele género a propósito do penálti não concretizado pelo Bruno Alves, sai porta fora.

 

Se, se, se, se…sempre um “se” no caminho, como dizia o Represas, nos seus tempos da “Saudade” e dos Trovante.

 

Estes comentadores encartilhados são capazes de construir tantas teorias, que deveriam ser obrigados a possuir um alvará, como os construtores civis. Fica aqui a sugestão ao ministro Gaspar.

 

É o cartão amarelo mostrado ao Busquets, que só é mostrado, depois da prévia confirmação pelo árbitro turco, que, ao contrário de algumas previsões apocalípticas, até não esteve mal, de que ainda não fora amarelado. Senão, não mostrava…

 

É o Custódio que vai entrar, e claro está, quem é o candidato n.º1 a sair? O Raul Meireles! É sempre o suspeito do costume. “Ah, e tal, o Paulo Bento não vai fazer uma troca directa, blá, blá, blá!”.

 

Pois é, nas outras vezes saiu o Meireles, e avançou o Veloso. É verdade. Mas este não é o Meireles que, a custo, só aguentava 70 minutos com o Jesualdo Ferreira, e além disso, toda a gente estava a ver - toda não, havia ainda uns irredutíveis comentadores que não viam - que o Veloso não podia com uma gata pela bunda.

 

Pimba! Ora, tomem lá a troca directa: sai Veloso, entra Custódio. É pá, apetece dizer: “Deixem jogar o Meireles”!

 

[em boa verdade se diga, que o Meireles deve ter durado até sair, para aí mais dois minutos depois disso]

 

Infelizmente, a única certeza que se foi formando no meu espírito, à medida que se iam sucedendo os jogos, é a de que, só muito dificilmente e com muita sorte à mistura, o João Moutinho permanecerá muito mais tempo entre nós.

 

Tanta publicidade à volta do Nelson Oliveira, e quem dá nas vistas é o nosso jogador.

 

O seleccionador ainda fez a vontade à trupe de comentadores, e meteu o rapaz. Debalde, porém. Na realidade, nos jogos todos em que participou, acho que lhe vi um passe de jeito. Ontem então, nada de nada.

 

Com uma agravante. Enquanto o Hugo Almeida, que tanto gostam de criticar, jogou na segunda parte a extremo-esquerdo, e até safou bolas na defesa, como, sei lá, o Ronaldo, por exemplo, nunca se dignou a fazer, o Nelson Oliveira, que até brilhara no tal mundial da Colômbia, em arrancadas a carrilar jogo pela direita, entrou para jogar ao meio (ou alternar com o Ronaldo, à esquerda).

 

E ainda assim, népia.

 

Por outras palavras, está-se mesmo a ver que vai ficar fazer companhia ao Cardozo, ao Rodrigo e ao Kardec. São quase tantos pontas-de-lança, como nós temos guarda-redes. Mas ainda assim ganhamos.

 

Por um lado, até nos favorece: é menos dinheiro a entrar nos cofres depauperados do nosso rival. Por outro, aqui na santa terrinha, o rapaz ainda é bem capaz de nos lixar, e marcar alguns golos.

 

Bom, mas isso são contas do rosário da liga portuguesa, e como tal ficam para daqui a umas semanas.

 

Dito isto, bem jogado rapazes. Venham lá de férias, que são merecidas!
 
 

Os que fazem rimar juiz com meretriz

27
Jun12

Algo me diz que a nossa comunicação social desportiva, ou parte dela, aquela que tem mais a ver com periquitos e gaiolas, se está a sentir em casa lá para as bandas da Polónia e da Ucrânia.

 

Ao contrário do que por aí vi escrito, parece-me perfeitamente compreensível e legítima, a apreensão manifestada pela nomeação do árbitro turco Cuneyt Çakir, para a nossa meia-final.

 

 

 

Quem não fica apreensivo depois de saber que, afinal, o “Presidente do comité de árbitros da UEFA é espanhol e vice-presidente é turco e amigo do Barcelona e da UNICEF”.

 

Pior, quando lhe falta esse selo indelével de garantia, que é o “Cuneyt pode vir o Cuneyt”, e ao que consta, não figura na lista de contactos do Paulo Pereira Cristóvão, do Miguel Relvas ou de qualquer espião da Ongoing.

 

Mais grave ainda, ouviram-se zunzuns de que, um dia, quando colocado ao estilo linha de reconhecimento policial, perante três fotografias de Jorge Nuno Pinto da Costa, foi capaz de identificá-lo numa delas, como sendo presidente de um clube de futebol de um País qualquer, começado por “L”. Lissabon, Lisbon, ou qualquer coisa do género…

 

Fica-lhes bem este assomo patrioteiro de preocupação, que tornado extensível a todos nós, “Portugal indignado”, nos coloca mesmo à mão de semear um excelente bode expiatório, para o caso de as coisas não correrem pelo melhor logo ao fim da tarde.

 

E, vindo de quem vem, é claro que é para ser levado com a devida seriedade, pois é oriundo de gente que sabe do que fala. Convirá ter em conta que estamos perante jornalistas que, nas suas lides caseiras, estão habituados a obrar com este tipo de situações e a olhar despreocupadamente para o outro lado, quando as coisas se fazem “pelo outro lado”, e eles próprios participam em repastos onde são congeminadas as estratégias nesse sentido.

 

Porém, chegam tarde. Ainda o Euro 2012 mal tinha começado, e já as simpáticas raparigas ucranianas, activistas do grupo FEMEN, haviam exposto os seus argumentos, e dito de viva voz, não à prostituição e outras formas de exploração.

 

 

 

Confesso o meu total desconhecimento sobre o efeito que este protesto terá eventualmente surtido entre as(os) profissionais encartadas(os) do ramo.

 

A avaliar pelo rebanho transumante de ruminantes, entre os quais repórteres, correspondentes, enviados especiais, comentadores e outros, que entre a Polónia e a Ucrânia, procuram pasto, ora para alimentar as páginas do papel para forrar fundos de gaiolas de periquitos onde escrevem, ora para que, volta e meia, um qualquer pirómano venha e se encarregue de lhe puxar fogo, não terão sido inteiramente bem sucedidas na tentativa de banir a mais velha profissão do Mundo deste Euro.

 

Prostitutas e putas, por prostitutas e putas, antes estas que aqueles(as) que, sendo incapazes ver o que os rodeia, sem que seja como um reflexo dos seus próprios umbigos, persistem em confundir juízes, ou neste caso árbitros, com meretrizes.

 

Deixem-se de tretas, e façam como o Rui Santos. Esse, pelo menos, é capaz de distinguir sem espinhas a realidade uefeira da nacional.

 

 

Logo, é mais do mesmo...

 

O Euro da crise do euro

25
Jun12

Mais uma deslocação à capital do Império, que veio interpor-se entre mim e o computador, impedindo-me de comentar em devido tempo a passagem da nossa selecção às meias-finais do Euro 2012.

 

Depois, meteu-se o fim-de-semana. Ai, os fins-de-semana…A partir de que idade é que se podem mandar miúdos para colégios internos, de preferência na Suiça, ou coisa que o valha?

 

Para completar o bouquet, nunca mais acaba este maldito vento que ainda espalha os restos de polén primaveris, e que me acicata a maldita da rinite alérgica. Por isso, é ainda sob efeito do anti-histamínico que escrevo hoje. Dêem-me um desconto, ok?

 

Chegámos então às meias-finais do Euro. Quando digo “chegámos”, refiro-me aos três PIIGS, ainda em prova, a saber: Portugal, Itália e Espanha.

 

A Irlanda e a Grécia foram-se, e de PIIGS, ficámos com PIS. Não deixa de ser igualmente sugestivo, mas lá mais para os lados da Bélgica, que nem da qualificação passou…

 

 

Foi engraçado ver a chanceler Merkel a vibrar com os golos da sua manschaft, indo ao encontro dos PIS latinos, preguiçosos, folgazões e com muitos feriados nos seus calendários.

 

Que plano de saneamento financeiro será capaz de sobreviver a uma vitória de qualquer um destes países sobre a Alemanha? A troika permitirá esse tipo de veleidades?

 

A selecção alemã terá feito por cumprir os desejos subliminares mais recalcados (ou talvez não!) da chanceler e, talvez, de muitos dos seus compatriotas, e recambiou para casa a Grécia do engenheiro do penta. Não podendo, fazê-lo do euro, em nome da estabilidade monetária, fê-lo do Euro.

 

E a aproveitar de caminho para descansar a linha avançada, outrora titular.

 

Diga-se em abono da verdade, que se a presença da Grécia nos quartos-de-final foi de bambúrrio, nas meias-finais seria de bambúrrio, elevado a um expoente que tenderia para o infinito.

 

Nós fizemos a nossa parte. A República Checa foi fraquinha. Mais fraquinha do que contra a Polónia. Sem o Rosicky, não há por ali quem se habilite a pegar no jogo, e tanto o Jirácek, como o Pilar, não se viram.

 

Tinha visto bocados dos jogos em que os checos derrotaram os anfitriões polacos e os gregos, e muito sinceramente, o que mais me impressionou nesses jogos, para além dos dois jogadores que mencionei acima, e do lateral-direito, o tal com nome de maratonista etíope, foi a capacidade física. Corriam como autênticos papa-léguas.

 

Aliás, essa foi uma característica que as equipas deste grupo, com excepção da Grécia, todas revelaram. O bocadinho que vi do Rússia x Polónia, deixou esfalfado!  

 

Pois é, os nossos amigos checos tiveram o azar de, numa daquelas conjugações astrais, tão pouco frequentes como o alinhamento de Júpiter com Saturno (ou Marte, tanto faz, que não percebo peva disso!), apanhar com uma selecção portuguesa onde todos estiveram bem.
 
 

 

 

Até o Hélder Postiga, ao lesionar-se e dar espaço para a entrada do Hugo Almeida. É verdade, se o Nelson Oliveira é tão bom, porque é que não entrou ele para o lugar do Postiga?

 

Gosto muito do Hélder, mas o Bombardeiro, naquela equipa faz toda a diferença. Cria uma ruptura com o estilo de jogo, e impõe-se fisicamente como, nem o Postiga, nem o Nelson Oliveira são capazes de fazer.

 

O jogo rendilhado da selecção, com qualquer um dos dois tem tendência para afunilar-se, e qualquer defesa que lhe apanhe o jeito, está nas suas sete quintas e dificilmente abrirá brecha. Com o Hugo, por muito pouco que faça, por muito que falhe ou que caia em fora-de-jogo, o físico desgasta e arrasta os defesas, permitindo entradas, olha, como a do golo do Cristiano. Que coincidência!

 

Por mim, mantinha a aposta contra um Piqué, com a cabeça na Shakira (vá lá, não se ponham com trocadilhos de cabeças!), e um Sérgio Ramos, que é uma espécie de enxerto a central.

 

Mas, como eu dizia, deu-se o caso de, contra a República Checa, todos terem estado bem. O João Pereira, teve os seus lapsos sempre que tentou partir para a ofensiva, mas, defensivamente anulou o homem que lhe apareceu pela frente.

 

Do outro lado, o Coentrão bem, dentro daquilo que vem fazendo. Os centrais, impecáveis, mas o Baros também não lhes deu muito que fazer.

 

No meio-campo, o preterido pelo Carlos Queirós(oz), João Moutinho, do costume. O bundão do Scolari, a jogar, e pasme-se, bem. Tanto a trinco-trinco, como quando subiu ligeiramente no terreno, após a entrada do Custódio. E o Raúl Meireles, a fazer o seu melhor jogo.

 

No ataque, o Ronaldo em bom nível, acompanhado por um Nani, melhor do que contra a Holanda, ainda que abaixo do que fez aquando do embate com a Dinamarca.

 

Agora com a Espanha como será? Os centrais sem avançado fixo a quem marcar. O que fará o João Pereira se apanhar com o Pedro Rodríguez, chato e extremo a sério, em vez do Iniesta, sempre a fugir para dentro do terreno?

 

O Cristiano Ronaldo irá acompanhar o Arbeloa, ou irá deixar o Coentrão, o Moutinho e o Veloso a haverem-se com ele, e mais com o David Silva e o Xabi Alonso, a entrar pelas costas?

 

Ouvi ontem o Del Bosque a queixar-se/comentar que a Espanha iria ter menos quarenta e oito horas para recuperar que a nossa selecção. E precisa?

 

Aquele jogo com a França - que decepção foram os gauleses – não me pareceu ter exigido assim tanto, como tudo isso, da La Roja.

 

Entre falhas de marcação e de posicionamento, pouca vontade, e três médios defensivos, mais o Clichy, a marcar à zona o Silva, e a esquecer-se do Xabi, como no golo, os azuis foram decepcionantes.

 

O I que faltava ao PIS era a Itália. Contra uma Inglaterra fora do euro, e que agora está também de malas feitas do Euro, uma squadra azzurra à imagem do País: tecnocrática.

 

Perante isto, o rasgo só podia sair de onde saiu, dos pés do Pirlo, com aquela panenkada (ou terá sido, postigada?) que desmoralizou os bifes. No entanto, nota-se que os trinta e três anos já pesam, e não necessariamente apenas no prolongamento. Vê-se que a equipa se ressente disso.

 

Depois, com aquele Ballotelli a desperdiçar lá adiante, não há muito mais que fazer. É aguentar estoica e tecnocraticamente o balanço. Ontem os ingleses também não tiveram rasgo para mais.

 

É difícil, convenhamos, quando se deixam os dois avançados à mercê de três centrais italianos, e o único fulano que parecia capaz de levar a bola para a frente era o Steven Gerrard, que durou, enquanto durou (sessenta/setenta minutos, não apontei).

 

Parece-me que vai estar nas nossas mãos (ou melhor, pés), deitar por terra a vontade de monsieur Platini.

 

Oxalá mandem o embaixador Eusébio convalescer para casa, para ver se toda a gente se concentra no que é essencial, que para substituir o Postiga, já chegam o Hugo Almeida e o Nelson Oliveira.

Postiga e mais dez

13
Jun12

Num País em cuja capital se fina o Acordo de Schegen, e onde mais facilmente se adentra um bando de moldavos com destino à pedinchice nos semáforos da dita ou um gang de facínoras do leste, do que um grupo de adeptos de um clube, com a pretensão, apenas e tão somente, de assistir ao vivo e a cores a um jogo da sua equipa, simplesmente porque a polícia é incapaz de garantir a sua segurança.

 

O que também não é de espantar, pois como todos sabemos, num País de tanga, as forças policiais, terão forçosamente de redireccionar as suas muitas competências para a caça às grandes fortunas.

 

 

 

Neste País, o seleccionador nacional, vê-se forçado, perante o peditório nacional “Nelson Oliveira ao onze”, a vir a terreiro afirmar que "o Hélder joga", perdendo assim, o único eventual elemento de surpresa que poderia introduzir na sua equipa para o próximo e decisivo jogo.

 

 

A não ser que o Morten Olsen fique tão confuso como nós com o Nani, que num dia, não joga a número 10, e no outro, tanto se lhe dá, mas, só se tiver muito, muito, que ser.

 

Ou seja, não vale a pena esperar grandes surpresas contra os dinamarqueses. Na baliza, o Rui Patrício foi o guarda-redes do Paulo Bento no Sporting, continua a sê-lo na selecção. E, diga-se, até à data, não se lhe pode apontar o que quer seja, para que deixe de o ser.

 

Na lateral-direita, desta vez contra o Krohn-Dehli, pelo menos em altura, antevê-se um duelo equilibrado para o João Pereira. Quanto ao resto, logo se vê.

 

No centro da defesa, fará sentido abdicar da dupla Pepe-Bruno Alves, por troca com o Rolando e o Ricardo Costa? Acho que não.

 

À esquerda, por falta de alternativa, fica o Fábio Coentrão. Bem, falta de alternativa não será tanto, pois já ouvi o Rui Santos falar no Miguel Veloso, e há sempre a possibilidade do Ricardo Costa. Dos três, o Coentrão, de longe.

 

A trinco, vale a pena por o Custódio no lugar do Miguel Veloso? O que se ganha em vigor e capacidade de remate lá para diante, perde-se em toque de bola. Ressuscitar o queirosiano Pepe-trinco? Pelo que disse em relação aos centrais e à lateral esquerda, mais vale não mexer, que se estraga. Além do mais, os dinamarqueses não têm propriamente um organizador de jogo, pelo que se adivinha um Miguel Veloso mais liberto de tarefas defensivas.

  

Os outros dois médios, será de por fora o João Moutinho e/ou o Raúl Meireles? Para quê? Para entrarem o Ruben Micael e/ou o Hugo Viana? Tanto o João como o Raúl, parecem-me mais consistentes defensivamente, e mais propensos a dar uma ajuda nesse capítulo, que os outros dois.

 

Lá na frente, perante uma defesa que se houve, ainda que por vezes em flagrantes palpos de aranha, e com bastante chapada à mistura, com a tripla Robben, Affelay e Van Persie, há alternativa ao Nani e ao Ronaldo?

 

Numa comparação homem-a-homem, o Ronaldo é superior ao Robben, ainda que jogue no flanco contrário, e o Nani, estará ligeiramente acima do Affelay. O português mais construtor, o holandês mais finalizador.

 

O nosso deficit é no meio, onde para nosso azar o Agger e o Kjaer são bastante fortes, e onde o Postiga parece estar de pedra e cal.

 

Concluindo, não enganamos, nem vamos surpreender quem quer que seja, quanto aos onze que vão entrar em campo. Espero bem que os nossos médios sejam capazes de fazer circular a bola, de modo a evitar o dinamismo dos três centro-campistas contrários, que, basicamente, é a sua melhor característica.

 

E que o João Pereira, com a ajuda do Raúl Meireles, e se possível do Miguel Veloso, consigam estancar o lado esquerdo deles.

 

Infelizmente, é quanto a mim, o mais forte do ponto de vista ofensivo, e coincide com o nosso lado mais fraco da defesa. Mais fraco, que é como quem diz, porque na outra banda, o Ronaldo não defende, mas também só costuma por lá andar o Rommedahl.

 

Bom, resta esperar que hoje seja dia D. “D” de “Derrotar a Dinamarca”, e não de “Deixem lá rapazes, fica para a próxima”, e…arroz de polvo para o jantar!
  

Os insondáveis desígnios do Professor Queirós (ou Queiroz)

01
Jul10
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pois é. Como bons navegadores, fomos de barco.

 

Agora já nos podemos sentar descansadinhos, a ver os outros jogarem. E como o Di Maria vai fazer companhia ao Mourinho, até dá para torcer sem complexos pela Argentina. Ou pelo Brasil (desde que não joguem o Ramires e o Luisão!), ou pela Holanda, ainda não sei.

 

Na véspera do jogo o Expresso online dizia que a Cidade do Cabo, onde se enfrentariam Portugal e a Espanha, iria experimentar no dia da contenda, um novo dia de temporal, meteorológico, e não futebolístico, claro está.

 

Durante o jogo não me apercebi de que as condições atmosféricas estivessem assim tão más como se pintava. De facto, a única real e grande ventania que houve parece ter sido na cabeça do professor Queirós, e isto se, ao contrário daquilo que dizem, afinal de contas, o ar sempre se propagar no vácuo.

 

O Miguel Sousa Tavares dizia aqui há tempos que "o futebol não é assim tão complicado". Concordo com ele.

 

Ao contrário do que alguns xamãs, pelos vistos, nos querem fazer crer, o futebol não é nenhuma ciência oculta, nem é preciso ser um génio para percebê-lo. Ainda que lhes possa dar jeito que assim pareça.

 

É o tal instinto de sobrevivência, que, curiosamente faltou ao professor Queiroz quando substituiu o Hugo Almeida.

 

O “plano de jogo” sobrepôs-se ao “gut feeling” (foi isso que o professor andou a aprender com o “Sir” Alex? Não acredito), e ao “hara-kiri” português sobreveio o “tiqui-taca” espanhol.

 

As escolhas feitas pelo professor? As opções tácticas? O sistema de jogo? Pormenores. Concorde-se ou não com elas, até àquela malfadada rajada de vento, que lhe passou pela cabeça, da substituição do Bombardeiro, as coisas estavam razoavelmente compostas.  

 

Uma palavrinha para o nosso mais que tudo.

 

Os ratos são sempre os primeiros a abandonar o navio, e agora, pode vir com as justificações que quiser, que aquela do “falem com o Carlos Queiroz”, não tem ponta por onde se pegue.

 

Quando o amigo Cristiano Ronaldo se deu ao luxo de nem sequer tentar recandidatar-se à conquista da “Bola de Ouro”, abstendo-se de conquistar a Champions, só para irritar de tal maneira o mister Ferguson, que este lhe abrisse as portas a caminho de Madrid, pensei “oxalá não seja como a história da Lebre e da Tartaruga”: “Corre que eu já te apanho”!

 

“Não ganho esta, ganho a próxima…, ou a outra a seguir…, ou outra qualquer, mais tarde”

 

Agora, começo a questionar se não terá antes aplicação ao nosso ratão, o Princípio de Peter, da Sociologia: a sua competência promoveu-o até melhor do Mundo, patamar a partir do qual se revela(ou) incompetente. E por aí fica ou ficou…Ficará?

 

 

 

Ficam na memória os 7-0 à Coreia do Norte:

 

 

 

Dá-me esperança Joana!

29
Jun10

Antes de mais, uma espécie de “declaração de interesses”.

 

Nunca fui, e não sei se poderei algum dia vir a ser, admirador do ex-seleccionador nacional Luiz Filipe Scolari.

 

O seu percurso, enquanto treinador de futebol, não me convence, e menos ainda me convenceu a sua passagem pelo banco da Selecção Nacional portuguesa.

 

Foi campeão do Mundo com o Brasil? Ah, pois foi. Só que ser campeão do Mundo com o escrete, digamos que, é assim como o Mário Wilson, em tempos idos, dizia do Benfica: quem por lá passa(va), arrisca(va)-se a ser campeão…

 

Mesmo deixando de fora o Romário!

 

Obteve bons resultados com a Selecção portuguesa? Também é inegável. Curiosamente os bons resultados coincidiram com os, também excelentes, resultados de um clube português, e vocês sabem de quem é que eu estou a falar…, em cuja equipa assentou, após a casmurrice inicial, a base do onze do Sargentão.

 

A Selecção que foi à final do Euro 2004, só começou a carburar depois de, devidamente arrumado no banco o sr. Rui Costa, e da entrada em funções do meio-campo do FC Porto. Enfim, coincidências…

 

No entanto, tenho de admitir: em termos de capacidade de liderança e de habilidade para pegar numa equipa, que até tinha alguns jogadores talentosos, e após o nosso Euro, pô-la a produzir exibições como as dos jogos contra a Holanda e a Inglaterra no Mundial, aí, penso que dificilmente alguém lhe chegará aos calcanhares.

 

Porque é que não gosto do sr. Scolari, paladino da defesa do seu “minino”?

 

Porque não gosto que gozem comigo, na minha própria casa. Porque fui vezes suficientes ao Brasil para ver como os nossos irmãos “brasucas”, escarnecem dos “portugas” e dos “manóeis” bigodaças de Portugal.

 

O comportamento do sr. Scolari entre nós, naquela sua postura de “em terra de cego, quem tem um olho é Rei”, sendo ele o feliz contemplado, sempre me fez lembrar isso mesmo.

 

E depois, porque, futebolisticamente, como disse, não me parece que tenha trazido nada de novo, para além de umas estatísticas bonitas.

 

Também não morro de amores por Carlos Queirós (ou será, Queiroz?). Neste caso, como, de certeza absoluta, no de milhões (seis??) de outros portugueses, por nenhum motivo em especial. Apenas porque não!

 

No entanto, convirá não esquecer, que também ele foi campeão do Mundo de futebol. E por duas vezes!

 

Foi nos juniores!? Ah, pois foi. Mas andarão por aí muitos treinadores que se possam orgulhar do mesmo? Quantos em Portugal?

 

Parece-me evidente que o que lhe faltou (falta), como, de resto, aconteceu a tantos dos jogadores que comandou, foi fazer convenientemente a transição para os seniores.

 

É bem certo que não lhe terão faltado boas oportunidades para isso. Mesmo assim, não sei, se apesar de tudo, a sua passagem pelo Real Madrid não terá sido mais prolongada que a do Scolari pelo Chelsea.

 

Enfim, pela minha parte, nada a favor, nada contra. Porquê a embirração generalizada com o actual seleccionador nacional?

 

Pois claro que o Carlos Queirós cometeu erros de palmatória.

 

Então é lá coisa que se faça chegar à Selecção, e não arrumar logo com dois ou três jogadores, como o Scolari fez com o Vítor Baía, o João Vieira Pinto e o Sérgio Conceição?

 

Como se não bastasse, ainda vai ter a infeliz ideia de por a jogar os naturalizados Képler Laveran Lima Ferreira e Liedson da Silva Muniz, quando por lá já andava um tal de Anderson Luiz de Souza. Ainda por cima não sendo nenhum deles portador desse inelutável “selo de qualidade”, que é ter tido uma experiência de sucesso com uma camisola vermelha vestida (a do Salgueiros não conta!).

 

Para acabar em beleza, sai a convocatória para o Mundial, e, não querem lá ver? Nem Quim, nem Nuno Ribeiro, nem Ruben Amorim, nem Carlos Martins. Népia. Do Benfica, só o Fábio Coentrão, para tomar o gosto.

 

Assim é impossível ser levado a sério. Por “sorte”, lá se aleijou o Nani, e entrou o Amorim, e o Jesus lá fez o favor de despedir o Quim, em directo, que é sempre uma maneira simpática de fazer as coisas…

 

O árbitro do jogo particular com os Camarões também deu uma ajudinha, ao expulsar o Eto’o, ainda na primeira parte. Sempre foi uma forma de cativar mais alguns adeptos benfiquistas…

 

No entanto, não chega. O Carlos Queirós (ou Casqueroz, como alguns lhe chamam!) que se cuide: assim que Portugal vier para casa…é o burro do costume!

 

É impressionante a falta de apoio de que padece esta Selecção, a que alguns, jocosamente, apelidam de “escrete B”.

 

E começou, como de costume, pelo princípio, ou seja, pela fase de qualificação. Recordo um episódio que me deixou basbaque.

 

Depois daquela brilhante fase de apuramento, com resultados razoáveis (bem, alguns foram assim p’ró fraquinho. Mauzitos, mesmo. Pronto, que diabos, decepcionantes), não nos restou alternativa senão disputar a presença no Mundial, no tal de play-off a duas mãos, com a Bósnia-Herzegovina, essa potência (emergente) da cena futebolística internacional.

 

A Bósnia-Herzegovina (ou República da Bósnia e Herzegovina, como consta na Wikipedia), resultou do desmembramento da Jugoslávia, e é, na prática, uma federação, composta por dois estados: a Federação da Bósnia e Herzegovina e a República Sérvia (que, aparentemente, não é a mesma coisa que a Sérvia).

 

A sua população é maioritariamente de origem bósnia (44%), de religião muçulmana, numa proporção relativamente inferior, vêm os sérvios (31%), cristãos ortodoxos, e em minoria estão os croatas (17%), que são cristãos. Pelo meio ficam as várias combinações que se podem obter daqueles povos.

 

O jogo da segunda mão realizou-se na cidade de Zenica, a 80 km da capital, Sarajevo, na Federação da Bósnia e Herzegovina, num estádio, que teria mais ou menos (para menos) a capacidade do Estádio de São Luís, em Faro (17.000 lugares), e cujo relvado, ou coisa que o valha, como o Simão Sabrosa fez questão de salientar, pedia meças ao de Alvalade, após um qualquer concerto.

 

No meio da amálgama que é a Bósnia-Herzegovina, o que é certo é que os indivíduos, desde a chegada da nossa Selecção ao aeroporto, não pararam de fazer barulho. Todos a puxar para o mesmo lado, presumo eu, que não os entendo, tanto nos insultos, como nos incentivos.

 

No jogo da primeira mão, os bósnios (e herzegovinos), tinham sido recebidos, com pompa e circunstância, na capital de Portugal, naquele estádio, que intitulam por “A Catedral” do futebol português.

 

A escolha do palco, naquela altura, não colheu a preferência do treinador nacional, e, por aquilo que vou dizer a seguir, compreende-se.

 

O Estádio da Luz (ou do Sport Lisboa e Benfica, oxalá venha o “naming” do bendito do estádio, para acabar a confusão), tem hospedado quase todos os momentos altos dos eventos desportivos realizados no nosso País.

 

Tem capacidade para 60 e tal mil espectadores, e esse pormenor, associado à receita que daí advém, não terá sido despiciendo para a Federação Portuguesa de Futebol. E como temos um Estádio Nacional, com condições mais ou menos como aquelas que vão encontrar na Bósnia (excepto o relvado), e que só serve para fazer um jogo por ano, e mais uns concertos….

 

Neste palco imponente, eis o que a dada altura, mais ou menos perto do final da primeira parte (trinta e tal minutos), me é dado a ouvir:

 

“Cheira bem, cheira a Lisboa!”

 

Não sei se foi alguma resposta ao Carlos Queirós, por ter dito a um dos diários desportivos, que “cheira(va) bem, cheira(va) a África do Sul”.

 

Queirós nasceu em Moçambique. É natural que goste do cheiro de África. Neste caso, terá sido uma forma metafórica de dizer que acreditava no apuramento para o Mundial.

 

Só que, claro está, aquela deturpação da canção tradicional, foi mais uma acha para a fogueira daqueles que o querem ver pelas costas. Mas daí até cantar “cheira bem, cheira a Lisboa”, num jogo da Selecção Portuguesa…

 

Que raio! Quem é que estavam a apoiar? O Eduardo? O Ricardo Carvalho? O Bruno Alves? O Duda? O Raúl Meireles? Tirando o Nani, que salvo erro, nasceu em Lisboa, e o Paulo Ferreira, que ou muito me engano, ou é de lá perto, de Setúbal, quem é que estavam a apoiar?

 

Os portugueses nascidos no Brasil? O Liedson, de facto, vive em Lisboa. E o Deco e o Pepe, tiveram passagens por Lisboa, que embora efémeras, foram mais demoradas que uma passagem em trânsito pelo Aeroporto da Portela. O próprio Simão, apesar de ter passado grande parte da sua carreira na capital, não é alfacinha.

 

Seria para os suplentes? O Tiago, jogou no Benfica, mas é de Braga, e o Fábio Coentrão, apesar de jogar no Benfica, é das Caxinas (Vila do Conde). Seria para o Hugo Almeida? Não me parece.

 

Desde quando é que “Cheira bem, cheira a Lisboa”, é uma canção de incentivo à Selecção? É porque não “Grândola vila morena”? Ou a “Ti Anica de Loulé”? E já não digo o “Porto sentido”, porque é muito mortiço.

 

Havia necessidade disto?

 

Ou, num exemplo bem mais comezinho: depois do golo do Bruno Alves, no jogo da primeira mão, virem dizer que o golo foi marcado por “um defesa vindo sabe-se lá donde”, ou coisa que o valha.

 

Pois é. Não foi do Luisão, nem do David Luiz, que esses estão no escrete A!

 

Custa-lhes pronunciar o nome do Bruno Alves? Dá-lhes uma azia do caraças que os golos decisivos de Portugal tenham sido marcados pelo Bruno Alves, pelo Raúl Meireles e pelo Liedson. Mas o que é que se há-de fazer? É como dizia o outro: “É a vida!”

 

Agora isso não justifica os tratos de polé com que têm obsequiado a Selecção Nacional. É Portugal, caramba!

 

Não concordam com o treinador, porreiro! Mas não estejam a torcer por uma derrota para desancar o homem.

 

Pelo menos abstenham-se. Deixem-se de parvoíces, torçam pelo Brasil, pela Argentina ou pelo Uruguai, e sejam felizes!

 

É por isso que eu digo: “Dá-me esperança Joana”, para aturar este estado de coisas!

 

FORÇA PORTUGAL!

 

Renháhau, bicho mau!

17
Jun10

Acaba o jogo contra a Costa do Marfim, e vem de lá o Deco e diz que com futebol directo, não vamos lá, e que toda a gente sabe que ele não é extremo-direito.

 

O Cristiano Ronaldo diz que a selecção africana, que até é uma das melhores do seu continente, só se limitou a defender.

 

O professor Carlos Queirós, para além de dizer o mesmo que a nossa vedeta principal, acrescenta que, para a FIFA, uns são filhos e outros são enteados, a propósito da protecção braçal do Drogba.

 

Do lado dos costa-marfinenses, o Ericksson diz que ambas as equipas tiveram medo de perder.

 

Por sua vez, o Drogba diz que a sua selecção foi a que mais merecia a vitória.

 

Entretanto, o Deco já pediu desculpas ao treinador pelas declarações feitas a “quente”, e diz que está tudo bem entre eles.

 

As declarações do Cristiano Ronaldo e do Carlos Queirós desmentidas pelas estatísticas do jogo.

 

Descontando o facto do Drogba, certamente se ter esquecido da bola na trave do CR7 (ou 9?), o mais razoável, no meio deste arrazoado pós-jogo terá sido o Ericksson, que por si terá falado, e lido bem a postura do adversário.

 

Depois, temos ainda a TV 7 Dias, que revela na capa, que só o CR, tem direito a jacuzzi privado, naquela que terá sido uma bronca no hotel, donde foi retirado o álcool (não curativo, suponho eu!) do bar da selecção (também não sabia que a selecção tinha um bar. Mas isso explica muita coisa, ó se explica!).

 

 

E ainda este palerma “entitulado” (por analogia com encartado), que anda para aí com uma pandilha, por tudo o que é porta de supermercado, em pose de CSI Miami, vem botar faladura sobre o Deco, sem que se perceba muito bem onde é que lhe dói.

 

 

Mas, pergunto eu, correu assim tão mal o jogo com a Costa do Marfim?

 

É motivo para tamanha algazarra? Será que já se esqueceram de como correu o apuramento?

 

Estavam à espera que, de um momento para o outro, estilo “são rosas senhor, são rosas”, o panorama ficasse cor-de-rosa?

 

Vamos lá a ver, Portugal tem a selecção que tem, e fez o jogo que pôde e tinha de fazer. O resto é conversa fiada.

 

Ainda que “com o mal dos outros possamos nós bem”, basta olhar para os resultados de outras equipas europeias, e até não estivemos assim tão mal. Quanto a mim, num jogo inaugural dum certame deste género, o importante é não perder.  

 

E não vale a pena bater no Carlos Queirós, no Deco, na postura da Costa do Marfim, no jacuzzi do Ronaldo, no bar da selecção ou na vuvuzela.

 

Para aqueles mais esquecidos, o Carlos Queirós montou uma equipa “à Pedroto”, e é só por isso que falo neste assunto.

 

Ai eles são grandes, fortes, e nós rasteirinhos e franzinos? Então tomem lá um meio-campo com quatro anõezinhos, a trocarem a bola uns com os outros, e venham cá buscá-la, se conseguirem.

 

Admito que não vi o jogo todo (se dissesse o contrário, era despedido!), e pior, ainda assim, consegui ser interrompido por um elemento do sexo feminino, totalmente desprovido de sentido de oportunidade para perguntas idiotas de trabalho (passe a redundância!), e outro, do sexo masculino, e por isso, sem desculpa, ainda que motivado por insistência feminina.

 

Mas, a dada altura, houve momentos (poucos) e jogadas (também não muitas), que, passem as distâncias qualitativas gritantes, em que me lembrei daqueles meio-campos com o André, o Quim, o Sousa e o Jaime Pacheco (sim, eu sei que este meio-campo é mais do Artur Jorge ou do Ivic, mas não me digam que não é “à Pedroto”).

 

Eram pequeninos. Pois eram. Não corriam muito. Pois não. Mas a bola corria, e os adversários atrás dela, sem sequer lhe apanharem o cheiro.

 

Só foi pena que durou muito pouco.

 

No entanto, faltou ali qualquer coisa. O Deco, de facto não é extremo, e duvido que fosse isso que lhe era pedido para ser. Não o sendo, e não havendo um médio com essas características, faltava ali um lateral-direito “à João Pinto”, capaz de fazer o corredor todo.

 

Com a sua saída e a entrada do Tiago, ainda mais evidente isso se tornou. Só que, com o Bosigwa lesionado, o mais próximo seria o Miguel. No entanto, lá se perdia a (maior) solidez defensiva do Paulo Ferreira. Lá está, o Ericksson é que tem razão!

 

Quanto ao resto, o que é que há de discutível nas opções queirosianas?

 

Devia ter jogado o Simão de início, em vez do Danny? Lá perdia consistência o meio-campo de quatro unidades, e ficávamos mais abertos.

 

Então quem? O Miguel Veloso? Tem menos mobilidade e rapidez de execução do que qualquer um dos anteriores.

 

O João Moutinho? Tem a tendência para jogar mais pelo meio, e se já o Deco foi desviado para a ala, não fazia sentido.

 

O Carlos Martins? Talvez. A posição é mais ou menos a do Danny, e teria a vantagem da facilidade de remate, por troca com a capacidade de transporte de bola.

 

Mas, lá está, o Carlos Martins é sempre uma incógnita. Tanto pode dar certo, como não.

 

Por isso, fiquei satisfeito com o resultado (se calhar fui o único, mas que se xaringue!). Não somos tão maus como (alguns) nos pintamos, nem tão bons que dê para jogar de peito feito contra a Costa do Marfim, como (alguns) pareciam querer.

 

Temos o arcaboiço que temos, e temos de viver com isso.

 

Quanto a mim, o próximo jogo é que vai ser decisivo. O ideal era ganhar à Coreia do Norte por 3-1.

 

Passo a explicar. Estou a contar que o Brasil vai somar por vitórias todos os jogos. Como já empatamos com a Costa do Marfim, ganhando à Coreia por 3-1, mesmo perdendo com o Brasil, digamos, na melhor das hipóteses, por 1-0, ainda ficávamos com um “goal average” positivo.

 

Se a Costa do Marfim ganhasse à Coreia, o que acredito que acontecerá, mesmo que por 1-0 ou 2-0, perdendo contra o Brasil pelo mesmo resultado que nós, ficaríamos em vantagem (ou no “goal average” ou por termos mais golos marcados).

 

O Drogba e os colegas têm, no entanto, a vantagem de fazerem o último jogo com a Coreia do Norte, e puderem jogar para o resultado que lhes interessar.


Nota: Tendo em conta o jogo do Brasil com a Coreia do Norte, talvez esteja a sobrevalorizar o Brasil, e a menosprezar a Coreia. Mas, como dizia o Bom Gigante: “Deixem-me sonhar”…