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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

I Encontro da bluegosfera – O (meu) rescaldo

23
Jul12

 

 

Estive no Dragão. É verdade.

 

O que dizer? Mais coisa, menos coisa, há talvez oito anos que tinha estado no Porto pela última vez.

 

Nunca cheguei a entrar nas Antas, apenas passei uma vez à porta no trajecto do, então aeroporto de Pedras Rubras, para a estação da Campanhã. E no Dragão, nem isso.

 

Perfeitamente natural para um algarvio. Mas agora, posso finalmente dizer que estive no Dragão.

 

Não estive nas bancadas, que só vislumbrei, assim como a relva que os artistas, e outros, pisam, através da grade de um portão. Ainda assim, foi inesquecível.

 

Estive no Auditório José Maria Pedroto. O mesmo onde são feitas as conferências de imprensa após os jogos. Aquele onde os jogadores rodearam o Jesualdo Ferreira quando fomos tetracampeões em 2009. A sala onde, quase um ano depois, o capitão Nuno Espírito Santo, retorquia a toda uma série de infâmias, com aquele magnífico “Somos Porto!”.

 

Estive lá, ali mesmo, pisei aquele palco, e sentei-me, talvez, na mesma mesa. Não vi o palco principal? Pois é. Mas, esse dia já esteve mais longe…

 

Estive no Dragão. Repito, o que dizer?

 

Agradecer aos organizadores, ao Jorge, ao José Correia e ao bLuE bOy, por se terem lembrado de mim?

 

Dizer-lhes que se deixem de tangas, e de agradecimentos especiais, apenas por ter ido do Algarve, quando o que eles me deram a mim, suplantou todo o meu putativo esforço, e foi muitíssimo além do que talvez possam imaginar?

 

Vale mesmo a pena ir por aí? É claro que vale. E considerem-no feito.

 

Olhando para trás, direi que foi uma experiência, quase como se estivesse no filme “Querida, encolhi os miúdos!”. Posso afirmar que passei uma tarde inteira, a sentir-me tão pequenino, do alto do meu metro e setenta e dois.

 

Tudo começou logo à saída da estação de metro do Dragão, quando dei de caras com o estádio. Mal consegui fitá-lo. Tive de seguir em frente.

 

De cada vez que o mirava de soslaio, como que para ter a certeza de que estava mesmo ali, tive de me forçar a olhar em frente, e continuar a andar. Há emoções que são difíceis de conter, o que é que querem?

 

Sou um gajo emotivo, não me metam em Bambis, Nemos, Rockys, bungee jumpings e cagadas dessas, que dá mau resultado. A recente expulsão do Maxi Pereira, é bem capaz de marcar o limite da minha tolerância a emoções fortes.

 

Fui para o centro comercial em frente, tomei um café, bebi uma água, e só depois de receber um telefonema do Jorge, a dizer que vinham a caminho, é que consegui sair, e ir ver o Dragão de perto.

 

Mal e porcamente, porque não gosto de fotografar e porque foi com o telemóvel, a minha câmara por excelência, mas lá tirei a fotografia acima, e pude apreciar a beleza da nossa casa.

 

A sensação de pequenez foi prosseguindo pela tarde fora, à medida que fui tomando contacto com a realidade do que foi aquele Encontro, e com os seus intervenientes.

 

 

 

Estar numa sala com tantos portistas, com tantos nomes apenas conhecidos das leituras na bluegosfera, tanta gente bem informada, conhecedora da realidade do clube, nos seus mais ínfimos e por vezes, sórdidos, pormenores, e nele envolvida até ao tutano, remeteu-me, sem dúvida, para a minha insignificância.

 

Para além dos que previamente mencionei, e entre outros tantos, que se não o faço, não é que seja por menor consideração, cruzar-me com nomes que leio com alguma regularidade, como Mário Faria, Enid, Mafaldinha, guardabel, José Lima ou Kosta de Alhabaite, ser fotografado e aparecer no Fotos da Curva, e por fim, last, but not least, conhecer em carne e osso, e ter o prazer de cumprimentar em pessoa, o Penta1975, assíduo e simpático comentador deste espaço, foram todos eles, sem dúvida, momentos memoráveis.

 

Resta saber se vou conseguir continuar como até aqui, porque, convenhamos, é preciso ter lata, para andar aqui a arrotar postas de pescada, perante uma tal companhia.

 

Sobre o Encontro propriamente dito, o tema que me calhou em sorte, “A bluegosfera no contexto das novas formas de comunicação”, foi, sem dúvida o que menor polémica suscitou.

 

Digamos que o relato daquelas que são as experiências pessoais de cada um, não deixa grande margem para polemizar. Ninguém caiu na tentação de tentar “normalizar” a bluegosfera, e isso reflecte muito daquilo que ela é, e o entendimento, mais ou menos generalizado, porque há sempre excepções, que quem a frequenta, dela faz.

 

Um excelente sinal, quanto a mim, e uma garantia para os que (ainda) receiam pela sua possível submissão a outros interesses, que não o puro e simples portismo.

 

Descontando a atrapalhação inicial com a geringonça para fazer avançar os diapositivos, e o atabalhoamento do discurso, provocado em grande parte pelo quadro emocional acima descrito, a coisa, da minha parte, fez-se.

 

Recomendo apenas, para terem uma ideia, a leitura da intervenção do guardabel. Simplesmente dez estrelas!

 

Os outros dois temas, “A relação entre o Clube, os sócios e os adeptos portistas”, dá sempre, e em qualquer circunstância, pelo que percebi, pano para mangas, e questionar se “As modalidades de alta competição têm futuro no FC Porto”, no contexto de suspensão da secção de basquetebol, não podia ser mais actual.

 

Se quiserem saber mais, digo-lhes que a cobertura em directo do Encontro, feita no Porta 19, está óptima. No Mística Azul e Branca, pelas teclas do José Lima, e no Mística do Dragão, a cargo do Emanuel, encontram mais dois bons resumos das intervenções, e claro, as fotos, no citado Fotos da Curva.

 

Foi um sucesso, não foi um sucesso? É subjectivo e sou suspeito para avaliar

 

O que é que acham? É claro que foi, carago!

 

Somos Porto! Viva o Porto!

O estado da arte a que chegámos

17
Jul12

Até poderá parecer mal que meta o bedelho neste assunto. Por exemplo, quem siga o mesmo processo intelectual de raciocínio, será tendencialmente levado a concluir que estarei a trabalhar em causa própria. E então, seria feio. Mas que se lixe!

 

 

Por incrível que pareça, ao ouvir ontem o Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, afirmar:

 

"Este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir"

 

e que,

 

"O problema é civilizacional, porque é ético (...) Eu não acredito em alguns destes tipos, porque são equívocos, porque lutam pelos seus interesses, porque têm o seu gangue, porque têm o seu clube, porque pressionam a comunicação social…”

 

o que me veio à cabeça, foi um comentário que li, aqui há dias, no Porta 19, a propósito da divulgação do I Encontro da Bluegosfera.

 

Questionava então, o comentador, como se havia chegado ao local do encontro, queria saber se era pago ou de borla. E porquê? Porque, segundo dizia, “a independência é muito bonita, mas cada vez mais rara, há um apetite voraz em controlar tudo e todos. E diferentes formas de lá chegar”.

 

Depois, sobre os temas. Que seriam(são) “muito pouco aliciantes”.

 

“Sobre o primeiro [“A relação entre o Clube, os sócios e os adeptos Portistas”] há sempre muito a dizer, porque sobre ele pouco se faz. Mas é algo que não mudará”.

 

“(…) o segundo ["A "bluegosfera" no contexto das novas formas de comunicação"], parece algo desfasado do tempo, não parece levar a algum lado de interesse. O terceiro ["As modalidades de alta competição têm futuro no FC Porto?"], porquê as modalidades???. entre tudo o que há para falar as modalidades representam uma prioridade maior ou cativam um maior interesse face a tudo o resto?”

 

Deixa a seguir registada a sua visão sobre que são, ou deveriam ser, os blogues: “(…) locais antigos, com autores individuais ou colectivos, que mais não devem ser do que um local virtual onde se registam e trocam opiniões e ideias”

 

e sobre aquilo que, para si, são na realidade, e para que servem:

 

“Tem havido um maciço interesse em usar um blogue para fazer algum alpinismo, para ser passerelle de vaidades, para chegar a algum fim que vai para um caminho muito distante do que um simples redigir de opiniões e ideias”.

 

O Jorge respondeu, e bem, no sítio próprio, mas ainda assim, não consegui deixar de pensar sobre isto, associando as duas intervenções.

 

Mais do que os défices, com os seus desvios colossais, mais do que todas as austeridades e mais algumas, troikas, FMIs, e quejandos, o legado que nos foi, e vai sendo deixado pelos Sócrates e Relvas deste mundo, e seus semelhantes ou dependentes, é este.

 

Quando alguém lê um anúncio sobre um encontro de blogues portistas, e a primeira coisa que lhe vêm à mente, é a questão da “independência”, face a terceiros certos ou incertos, não há dúvida que o problema se transformou em civilizacional e ético.

 

E é neste pântano que vivemos. Será difícil conceber um encontro destes, sem “strings attached”? Sem ficar a dever alcavalas a quem quer que seja?

 

Fazer este encontro no Estádio do Dragão, é, de alguma forma, uma quebra do vínculo à tão propalada “independência”? Onde, então, deveria decorrer o evento?

 

Se fosse para festejar algum título, a minha escolha seria óbvia. Não sendo…

 

Os temas são pouco aliciantes? Bem, se não falarmos sobre eles, dificilmente mudaremos alguma coisa. A não ser que façamos como o comentador, e nos resignemos a que “é algo que não mudará”.

 

Será este o verdadeiro espírito portista? A última vez que olhei, a resignação não constava no nosso ADN, e gostei do que vi.

 

Como é que um tópico está desfasado da realidade, se todo o comentário gira em torno desse mesmo tema? O que é, e o que deveria ser a bluegosfera, e a blogosfera em geral. O que são, o que deveriam ser os blogues, e a utilização que alguns deles fazem. É estranho tanto debate em torno de um tema desfasado da realidade.

 

Sobre o grau de prioridade dos temas, não há muito a dizer, para além da resposta ao comentário. No entanto, a recente dúvida instalada sobre a continuidade da secção de basquetebol, talvez seja justificação suficiente para a eleição das modalidades amadoras a tema prioritário.

 

É engraçado quando, a propósito de um qualquer tema, se brame a plenos pulmões sobre a independência, e depois, se seja tão normativo e determinístico sobre o que é e o que deveria ser.

 

Pela minha parte, e sem que isto seja uma espécie de "disclaimer", não há garantidamente qualquer “agenda”, motivação oculta ou sede de poder, que me mova, e, sem querer preterir as suas próprias opiniões ou tomar as suas dores, não tendo absolutamente nada que me leve a pensar o contrário, outrotanto se passará com os organizadores e demais participantes no evento.

 

Ir ao Dragão, pela primeira vez na minha vida, será uma honra, e certamente, nunca “mais um passo, para que o que seja que vos fez escrever o primeiro post, seja completamente desvirtuado”.

 

Se porventura estiverem nesse dia pelas redondezas, e virem um saloio basbaque a remirar a grandeza do estádio, feito boi a olhar para um palácio, sem saber para onde ir, e quase de certeza, de lágrima no canto do olho, a probabilidade de ser eu, é bastante elevada.

 

Será esta, quase de certeza, a única situação de sensibilidade extrema em todo este processo.

 

Quanto ao resto, “tocar num ponto que vos [nos] pode ser extremamente sensível”? “Tabú”?

 

É o estado da arte a que chegámos. É o reflexo da luxuriante herança que a clique dirigente deste País nos vem deixando de há uns tempos a esta parte, e que, qual bola de neve, se vai tornando mais do que uma crise económica e financeira, numa questão civilizacional, social e ética.

 

Até aqui, caramba!

I Encontro da Bluegosfera

09
Jul12

 

 

Caro Portista,

 

No próximo dia 21 de Julho, vai realizar-se o I Encontro da Bluegosfera, o qual terá lugar no Estádio do Dragão, Auditório José Maria Pedroto (Piso -3, entrada P1).

 

Este evento é organizado por três sócios do FC Porto ligados a três blogues portistas – ‘Reflexão Portista’, ‘ Porta 19’ e ‘Bibó Porto, carago!!’ – e irá contar com a participação de vários sócios/adeptos portistas que escrevem regularmente em diversos espaços da bluegosfera (blogues, sites, fóruns), os quais foram convidados para efetuar apresentações integradas num dos três painéis do evento (ver Programa em anexo).

 

Cada um dos painéis do evento tem uma duração prevista de uma hora e incluirá três ou quatro apresentações de, no máximo, 10 minutos cada. Concluídas as apresentações, o tempo que sobrar em cada painel será destinado a um debate, com moderação, envolvendo os elementos do painel, mas aberto a questões e comentários do público presente.

 

O I Encontro da Bluegosfera é dirigido a todos os Portistas que, olhando para o passado, presente e futuro próximo, estejam dispostos a participar numa discussão aberta onde, concerteza, irão ser focados muitos aspetos positivos e abordados outros que possam contribuir para que este glorioso clube centenário seja ainda e cada vez melhor.

 

NOTA IMPORTANTE: Atendendo ao número de lugares ser limitado, a participação está sujeita a uma pré-inscrição pela Internet (através  do endereço eletrónico encontro.bluegosfera@gmail.com) e confirmação posterior por parte da organização.

Contamos contigo.