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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Os lemingues também se abatem

30
Jan12

 

Varela, de seu nome, o rapaz da foto. Tenho de confessar que, quando ouvi por aí que o tal fulano que joga futebol pelos cotovelos, tinha sido considerado o “homem do jogo” de sábado à noite, não consegui conter a minha estranheza.

 

Como é que é possível? Sim, marcou um golo. E depois? O Varela fez o resultado do jogo. Não fora ele e o árbitro auxiliar, que invalidou um golo limpo ao Feirense, o desfecho do jogo não tinha ido além do nulo.

 

Coitado do rapaz, vai na volta até é bom moço. Foi só uma daquelas noites em que tudo corre mal. Bem, tudo também não, afinal foi ele o autor do único golo da sua equipa.

 

Quanto ao resto, depois do golo na própria baliza e do penálti, cada vez que o via aproximar-se da bola, fiquei à espera de um atraso para o guarda-redes ou um vermelho directo, só para compor o ramalhete. O vermelho esteve quase. Foi por uma nesga que não rasteirou o Rodrigo, quando este seguia isolado para a baliza.

 

A dada altura fez-me lembrar aquela anedota dos pais que vão ver o filho à parada militar, e que constatam embevecidos que o seu rebento é o único que vai com o passo certo.

 

Assim foi o Varela. Toda uma equipa a puxar para um lado, e só o bom do Varela a remar contra a corrente. É obra. Nunca tinha visto uma coisa assim. Ou melhor, até tinha, só que os protagonistas se chamavam Veríssimo e Marc Zoro.

 

Atenção, com o que acabei de afirmar não estou a querer insinuar rigorosamente nada, apenas a constatar a semelhança entre algumas actuações de jogadores, que no caso dos dois últimos, até tinham algumas coincidências no seu percurso desportivo.

 

Aliás, a bem da verdade, tenho que me penitenciar pelo comentário que fiz antes da partida, sobre a eventual maior ou menor entrega dos homens da Feira.

 

Na realidade, os rapazes do Feirense correram e suaram as camisolas até ao limite das suas forças. O Diogo Cunha até atirou uma bola ao travessão. Pronto, aconteceu aquilo do Varela, mas sobre isso já disse o que tinha a dizer.

 

Também não pretendi por em causa vitória de quem a obteve. Nem por sombras.

 

Quem ganhou correu atrás do prejuízo. Correu, correu, correu, muito correram aqueles jogadores. E deram a volta ao resultado.

 

É impressionante o que aqueles homens correm. Jogar, não jogam muito, mas correm como se fossem onze Forrest Gumps. Ainda me lembro que foi isso que o seu treinador disse, quando chegou à Cesta do Pão. Que com ele, aqueles jogadores tinham de correr três vezes mais. E bolas, que o fazem. Melhor, fazem-no sem se ressentirem com lesões de esforço, ou coisa que o valha. Umas quantas gastroenterites e mais nada. O Rei da Chuinga deve ter descoberto a receita da poção do Panoramix.

 

Há, porém o reverso da medalha. Nunca dão a sensação de ter a partida controlada, basta ver as estatísticas, mas empregam-lhe uma dinâmica e uma intensidade difíceis de conter.O domínio do jogo fica repartido e embates como o de sábado, ficam transformados, como dizem os espanhóis a propósito dos jogos da NBA, em autênticos corre calles. Quando a coisa se parece encaminhar para o torto, vem de lá uma ajudazinha extra, que a repõe de volta nos eixos.

 

 

(Estatísticas Oficiais da Liga Zon Sagres - LPFP/wTVision/Amisco)

 

Logicamente que isso não é o quanto baste para garantir vitórias. Bem se viu naquele jogo. Não fora o Varela e o providencial golo anulado, e onde é que andaria a vitória. Achava eu, na minha ingenuidade, que o Rui Costa era demais para esta ida a Santa Maria da Feira.

 

Verdade seja dita, as minhas previsões deram quase todas, como se costuma dizer, com os burros na água.

 

Veja-se o caso do Sporting. Era capaz de apostar que não era desta que ganhariam. Ainda para mais, com o Duarte Gomes como árbitro.

 

Rotundo falhanço. O Onyewo encarregou-se de mandar as malvas as minhas capacidades preditivas.

 

Infelizmente, o único ponto em que acertei, foi no ardor estomacal que me dava a nomeação do Bruno Paixão para o nosso jogo. Admitamos também, que era o mais fácil de prever.

 

Como não vi o nosso jogo em Barcelos, apenas consegui ir ouvindo o relato radiofónico, vou abster-me de tecer grandes comentários sobre o assunto. Pelo que ouvi, e recorrendo às mesmas estatísticas que pesquei acima, foi um jogo à FC Porto actual: muita posse de bola, ataque inconsequente e defesa sobre brasas.

 

 (Estatísticas Oficiais da Liga Zon Sagres - LPFP/wTVision/Amisco)

 

Quanto ao resto, o título deste texto diz quase tudo. A trajectória do nosso clube nesta edição de 2011-12 da Liga Zon Sagres, faz lembrar um grupo de lemingues, numa cavalgada desenfreada e inexorável em direcção do abismo.

 

O Bruno Paixão limitou-se a dar o tiro de misericórdia que impede de sentir nos bigodes (acho que os lemingues, enquanto roedores, têm bigodes!) a vertigem do vazio, num salto de bungee, sem cabo. Como de resto, se adivinhava, e certamente correspondendo inteiramente às esperanças nele depositadas por quem o nomeou.

 

 

Pelo que disse logo no início, devem com certeza ter percebido que dei uma vista de olhos pelo jogo do clube que nos antecede na classificação. Estive num sítio onde a televisão estava ligada no canal do jogo, e, de vez em quando não resisti.

 

Como dizem os anglófonos, “better the devil you know”. Pior ainda, tive o desprazer de me sentar ao lado de um adepto daquele clube.

  

Pois bem, sabem qual é o principal motivo porque aquelas almas estão confiantes de que serão os novos campeões? Porque o Vítor Pereira é o nosso treinador.

 

Nem mais. Não é porque jogam enormidades, como há dois anos, ou porque há uma vaga de fundo, há quem lhe chame andor, que os empurra, ou porque tem que ser. Simplesmente porque o Vítor Pereira é o nosso treinador, e enquanto tal, estão confiantes. É triste.

 

Ainda a propósito do Vítor Pereira registei, como eu havia sugerido a troca da braçadeira de capitão de equipa entre o Helton e o Rolando. Pena é que a minha sugestão redundou (como se esperava, n’est-pas?) numa perfeita estupidez. Basta ver o nó cego que o André Cunha lhe pregou no lance do terceiro golo do Gil Vicente, para se perceber que a braçadeira não traz ao Rolando grande valor acrescentado.

 

Contudo, fiquei na esperança de que o Vítor Pereira fosse capaz de aqui vir beber mais alguma ideia gasificada. Mas não, ilusão minha. Não foi daqui que ele sacou a ideia. Afinal houve, como sempre há, uma razão muito mais lógica para a atribuição daquela responsabilidade ao Rolando. Resultados é que, nem por isso.

Avivar de memórias

27
Jan12

 

 

Ora então esta semana tivemos Vítor Pereira, o das nomeações, e não o nosso treinador, quase de volta ao seu melhor com uma série de nomeações que trazem à memória os mesmos artistas, noutros tempos e situações.

 

Duarte Gomes, em Alvalade, na recepção ao Beira-Mar, Bruno Paixão, em Barcelos, no nosso jogo, e o Rui Costa, em Vila da Feira, com o mais grande do Mundo dos arredores de Carnide.

 

 

Como seria de esperar, Duarte Gomes não colhe grandes simpatias entre os adeptos sportinguistas, assim como Bruno Paixão, também não suscita paixonites agudas cá para os nossos lados.

 

Na Calimeroláxia, os da casa perderam uma boa parte do seu poder de fogo com a lesão do Wolfseiláquantos. Do outro lado, o Beira-Mar continua a ostentar uma das melhores defesas desta Liga. Com uma ajudinha do Duarte Gomes, desconfio que ainda não é desta que o Sporting irá saborear uma vitória em 2012. Se contribuisse para pagar as dívidas dos clubes ao fisco, e jogasse no "Totobola", era "x" ssem espinhas...

 

Com a sua presença nesta partida, o Duarte Gomes faz o pleno dos quatro primeiros classificados da época passada: esteve no Rio Ave x SC Braga, na ida do Vitória de Guimarães à Cesta do Pão e na nossa recepção ao Marítimo. Faltava-lhe o Sporting, e, no que toca aos grandes e mais grandes, sempre em casa. É o homem dos grandes e mais grandes palcos, sem dúvida! 

 

A aversão portista ao Paixão, já vem de outros carnavais, e reconheça-se, tem algo de epidérmico. E já nem é por aquela famosa estória de Campo Maior, ou pelos penaltis que não marcou no Estádio do Mar. Muito mais recentemente do que isso, tivemos a derrota em Coimbra e a eliminação da Taça de Portugal. Por acaso, por mero acaso, aí até nem consta que tivesse estado mal, mas não deixa de ser um presságio.

 

Além disso, causa alguma estranheza o Vítor Pereira se lembrar agora do Paixão, ele que, no que vai de temporada, tem andado arredado das lides que envolvem os grandes – só esteve na sétima jornada em Guimarães, quando lá se deslocou o Sporting. Vamos ver o que vai dar, mas que é estranho, é.

 

O Rui Costa, é o tal que não viu, não ouviu e não fez constar em relatório a pouca vergonha protagonizada pelo Prof. Doutor Rei da Chuinga, no jogo da sua equipa contra o Nacional da Madeira. Para uma deslocação a Vila da Feira, não será um exagero?

 

 

Ainda me lembro das imagens do nosso jogo contra o Feirense, e de ver um tal de Diogo Cunha a esfarrapar-se todo a cada lance que disputava, depois de ter sido amarelado ainda na primeira parte.

 

Se o espírito dos restantes comandados do Quim Machado for este, e partindo do princípio que estes indivíduos que fazem dos jogos contra nós, os jogos das vidas deles, normalmente não têm comportamento similar contra uma certa equipa, desconfio que não advirão grandes problemas ao líder, na sua deslocação a Vila da Feira ou a Aveiro.

 

Sim, porque os homens da Feira, até prescindiam de jogar em casa para ver se abichavam uns trocados extra em Aveiro. Como o Estoril-Praia, aqui há uns anos, lembram-se? A Liga é que não foi na conversa, "por maioria, e não por unanimidade". Quiçá faltou por lá uma cunha leal!

 

Pelos vistos nem o anunciadoboicote dos diabretes vermelhuscos fez esmorecer as expectativas dos feirenses. É pena, mas não se perde tudo. Afinal, tal como em Leiria, é o mesmo benemérito que vai pagar os ordenados. Será que se fizer um choradinho bem feito, me pagam o subsídio de férias e o de Natal?

 

 

A vida dura do Rui

09
Jul09

A acreditar nas notícias vindas a público ontem, o Benfica terá desistido de contratar o já famoso, Radomel Falcao (ou Radamel Falcão), como também já vi escrito).

 
Como explicou o senhor Director do futebol encarnado, à semelhança do caso do guarda-redes Andújar, terá sido dado um prazo ao jogador para decidir se vinha ou se ficava. Esgotado esse prazo, o Benfica (ou o Rui Costa, a saber) entendia que o seu amor pelo(s) jogador(es) não estava a ser correspondido, e rompeu o(s) noivado(s).
 
Acontece. No entanto, é estranho que dois jogadores fiquem assim com tantas dúvidas, ainda para mais quando se trata de vir para o Grande Benfica, e não se tenham metido no primeiro avião, sujeitando-se a serem contagiados pela gripe H1N1, e ala para a Luz.
 
Dá a entender o Rui Costa que terá havido algures uma intromissão do FC Porto neste último negócio, e aproveita para enaltecer a superioridade ética e moral do Benfica, que “(…) nunca procurou nem procura contratar jogadores para não irem para o FC Porto ou porque o FC Porto está interessado”, e que “(.…) não anda atrás de jogadores apalavrados por outros clubes”.
 
Desculpem lá, mas isto soa-me, antes de mais, a desculpa de mau pagador.
 
E parece que é precisamente isso que estará em causa. Em relação ao Andújar, não sei o que se passou, mas quanto ao Falcão, o que corre por aí é que a diferença de valores entre as duas partes anda à volta de 400 mil euros.
 
Ora, 400 mil euros é bem menos que o valor do passe do Mário Bolatti. Se o FC Porto pode ficar com um jogador pelo preço que o Benfica ia pagar, rentabilizando de caminho, um activo pouco activo do seu plantel, e entra na corrida por ele, de que se queixa o Rui Costa?
 
É do FC Porto a culpa de que o Benfica pague indemnizações a treinadores que saem e a equipas dos treinadores que entram, que, curiosamente, não estavam só apalavrados com o clube que treinavam, tinham até mais um ano de contrato, e depois ande a regatear na compra de passes de jogadores?
 
É o tipo de coisa que talvez dê resultado no negócio dos pneus ou na construção civil. No futebol, pelos vistos, não dá.
 
Que o diga o Atlético de Madrid, que também já se veio queixar de que o Benfica não cumpriu o estabelecido quanto ao Reyes. Se calhar querem mantê-lo por cá a preço de saldo.
 
E até talvez consigam, mas só porque parece que não existem muitos interessados nele. De tal maneira que até também o dão como a caminho do FC Porto. Deve ser só para pressionar o bom do Rui Costa.
 
Vendo bem as coisas, não era má ideia. Apesar de não ter gostado de algumas atitudes de filho-da-p*%@ do Reyes, ao longo da época passada, isso foi no Benfica.
 
O FC Porto precisa urgentemente de jogadores sacanas e que dêem porrada à má fila, que concorram em pé de igualdade com os do Benfica e do Sporting, porque os que por lá andam, com excepção do Bruno Alves, que pode ficar ou não, são uma chusma de anjolas.
 
Pois é, caro Rui, a vida é difícil. Era bem mais fácil aqui há uns anos, quando jogadores do Barreirense, do Montijo, do Atlético, da CUF, do Olhanense ou do Lusitano de Vila Real, recebiam convites de outros clubes, e eram redireccionados, para não dizer outra coisa, para o Benfica.
 
Ou, quando não, davam com os costados em África na Guerra Colonial, juntamente com colegas de outros clubes, que não o Benfica.
 
Os adeptos benfiquistas não gostam de ouvir isto. É a fase da negação da doença crónica de que padecem, e da qual sofrem recidivas sazonais quase todos os anos, aí por volta de meados de Maio.
 
Foram várias as histórias que me lembro de ler na bíblia benfiquista “A Bola”, no tempo em que ainda perdia tempo a lê-la, contadas na primeira pessoa por antigas glórias do nosso futebol, algumas das quais até ex-jogadores encarnados, que narravam episódios deste género.
 
Um dos únicos que sempre negou veementemente, ter sido desviado do Sporting, naquela época foi o Eusébio. Mas compreende-se. Trata-se de um funcionário do clube, do qual depende de tal maneira, que até o Vale e Azevedo apoiou, virando depois a casaca.
 
Aliás, foi interessante vê-lo na cerimónia de apresentação do Cristiano Ronaldo em Madrid, ainda que não tenha percebido muito bem a que título, ao lado do Alfredo di Stefano, que foi e é outro caso idêntico.
 
Um desviado pelo regime do generalíssimo Franco para o Real Madrid, e o outro pelo salazarismo, para o Benfica. Um e outro imagens dos regimes, e um e outro, a nunca o admitirem. Talvez daí o simbolismo a sua reunião no Santiago Barnabéu.
 
Nesses tempos era muito mais fácil contratar jogadores. Nos dias de hoje, dá algum trabalho, não é Rui Costa?