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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Porque perguntar, em princípio, não ofende…

10
Set12

“É público que o FC Porto conseguiu encaixar cerca de 450 milhões de euros, com as suas melhores 20 transferências (para além disso, só o FC Porto conseguiria encaixar cerca de 10 milhões de euros, em 2003 (!), pela venda de Postiga ao Tottenham!). Isso contribuiu, e muito justamente, para afectar positivamente à imagem do clube do Dragão uma aura de intocável capacidade de negociação. Agora que os contornos da transferência de Hulk estão a ser discutidos na praça pública (o que vai fazer a CMVM perante declarações não coincidentes produzidas pelas partes interessadas?!...) e sobretudo perante a inevitável decepção em torno dos números, muito distantes dos 100 milhões, talvez estejamos perante a queda de um mito: com efeito, o FC Porto, ao longo dos tempos, vendeu muito e bem.


A verdade é que, não obstante essas vendas e o produto das receitas de qualificações sucessivas para a Champions, o passivo anda na ordem dos 200 milhões de euros. Nestas condições, podemos falar em boa gestão? Afinal a ‘boa gestão’, que vem sendo dada como um dado adquirido na opinião publicada, não será apenas um ‘módulo de propaganda’ e dar como certo algo que não está plasmado nas contas? Não teria o FC Porto a obrigação, num quadro de encaixes tão significativos, e com esta capacidade de realizar transferências de indiscutível impacto financeiro, de apresentar contas equilibradas? Com tantas receitas, não estará o FC Porto a gastar mais do que pode? Sem oposição externa e interna, este é um assunto condenado a não dar discussão”

 

“Ouvi muitas coisas nestes últimos meses sobre a situação financeira do nosso clube. Como não sei de ciência certa não me vou alargar. Confesso apenas uma incompreensão e deixo um desejo. O Porto só nos dois últimos anos fez vendas de mais de cem milhões de euros. Como é possível estar a viver dificuldades? O meu desejo é que não se desbaratem estes 40 ou 50 milhões mais os do Guarin e do Pereira. Como podem perceber, não peço muito”.

 

Vendo as coisas pelo prisma utilizado nestes três parágrafos, o concurso de medição de pilinhas sobre os valores das transferências do Hulk e do Witsel, a discussão sobre quem arcou ou vai arcar com a solidariedade e os empresários, ou sobre quem esperou por quem para dar o(s) negócio(s) por consumado(s), ficam um bocado em perspectiva.

 

É a velha questão da árvore e da floresta.

 

Os dois primeiros parágrafos são da autoria daquele, que por esta altura já devem ter percebido, é um dos meus amores de perdição, Rui Santos.

 

Há que dar-lhe por isso um desconto. Nem chega bem a ser uma ejaculação precoce. Assemelha-se mais a um daqueles desejos formulados quando se apagam as velas todas do bolo de aniversário.

 

Não é por o Rui o querer ou desejar, que estaremos como com propriedade, diz à cautela, “talvez”, e sublinha-se, aviva-se e põe-se em itálico, o talvez, “perante a queda de um mito”. Resta-lhe pois engolir em seco, e seguir para diante, escrevendo textos como aqueles que habitualmente nos dedica.

 

O último parágrafo é para mim mais preocupante. Pelo conteúdo, e por ser um portista acima de qualquer suspeita, Pedro Marques Lopes, quem partilha quase estereofonicamente a preocupação do Rui Santos.

 

 

 

 

Obviamente que as motivações e as apreensões de um e outro, são inquestionável e necessariamente diferentes, mas a questão fulcral é a mesma.

 

Como muito bem escreve o Jorge, a filosofia de compra/valoriza/vende que tem sido pivotal na capacidade negocial no mercado de transferências e na manutenção de plantéis competitivos”.

  

Pivotal, de acordo. Porém, será mesmo imprescindível? Não em termos abstractos, mas tomando como exemplo este caso concreto do Hulk, haveria mesmo a necessidade imperiosa de vender, agora e pelo preço a que se realizou a transação, seja ele qual fôr?

 

Tem-nos sido dito que sim. A maior parte dos sócios e adeptos acredita que sim. Muito sinceramente, também me parece o mesmo. Mas afinal, qual o impacto da transferência do Hulk nas contas da nossa SAD?

 

Desta vez, o argumento mais abundantemente empregue para justificar o estado de necessidade, foi o pagamento do empréstimo obrigacionista de 18 milhões, que vence até ao final no corrente ano.

 

Será isso? Se foi por 18 milhões, então as vendas do Álvaro Pereira, do Guarín e do Belluschi, resolviam a questão, e ainda sobravam uns trocados.

 

Indo ao Relatório de Contas Consolidado do 3.º trimestre – 2011/2012 (pág. 14), retiramos que o passivo da SAD ascendia, àquela data, a 214.171.035 euros, dos quais € 167.533.480, classificados no passivo corrente.

 

Por seu turno, o activo corrente é apenas de € 52.683.659. Portanto, sejam 40 milhões, 31 milhões, ou qualquer outro valor intermédio ou abaixo daqueles dois, o desequilíbrio era de tal sorte, que não é a venda do Hulk que vai equilibrar as contas.

 

Que ajuda, é inquestionável, mas daí até se concluir, neste momento e pelo montante que seja, pela sua imprescindibilidade, é outra história. É um daqueles casos que alivia, mas não cura.

 

Se estivéssemos a fazer um puzzle, a parcela onde aquele montante mais facilmente encaixaria seria nos custos com pessoal – 31 milhões e meio de euros no trimestre.

 

É bem certo que, a ser verdade o que se diz quanto à duplicação do ordenado do jogador, a partir de Setembro, a poupança andará por volta dos 9 milhões de euros. Ou seja, feitas as contas, o que o Zenit despendeu pagará qualquer coisa como um trimestre de encargos com salários e afins. Ficam a faltar outros três.

 

Para quem não gosta de números e contas, vamos tentar analisar a coisa por outra via.

 

Peguemos nas transferências mais vultuosas de há três épocas a esta parte. Comecemos pelas do Bruno Alves e do Raúl Meireles. Sem olhar para as somas envolvidas, era por demais evidente que ambos estavam por cá descontentes.

 

O papá do Bruno Alves não se calava, e o Raúl Meireles, que não ia além dos 70 minutos por jogo, foi para Inglaterra correr que nem um galgo atrás do coelho.

 

A seguir veio a do Falcao. Segundo reza o relatório de contas, a sua transferência deu azo a uma mais-valia de 20.170.000 €. Independentemente disso, todos sabemos que se tratou de uma shotgun sale, tendo em conta a ambição do jogador em mudar de ares.

 

Ainda assim, mesmo partindo de uma posição negocial menos vantajosa, a sua saída poderá vir a revelar-se mais rentável que a do Hulk.

 

Tanto quanto consta, não terá sido por vontade expressa deste último que se operou a mudança para Sampetesburgo. O próprio afirmou que não estava à espera de ser transferido, antes contava ficar entre nós e festejar o tricampeonato

 

Nesse particular, esta movimetação teve mais similaridade com a saída do Lucho Gonzalez, que com qualquer uma das atrás mencionadas.

 

 

Assim sendo, volto à questão fundamental: a venda do Hulk, neste momento e por qualquer que seja o valor, era efectivamente imprescindível ou vem resolver definitivamente alguma coisa, do ponto de vista financeiro?

 

Desportivamente, o timing da sua venda, quando o mercado português se encontrava encerrado, não permitiu acrescentar ao plantel um substituto de que se diga poder preencher directamente a sua lacuna.

 

Resta a prata da casa. Era essa a intenção? A sua saída (ou a do João Moutinho, por hipótese), sendo inevitável e impreterível, dentro daquela que é a lógica de gestão do clube, foi atempadamente acautelada pelas entradas do Iturbe, do Atsu ou do Kelvin? É isso? Ou serão o James ou o Varela que o vão substituir?

 

Pela parte que me toca admito que fiquei surpreendido com a saída do Hulk, e confesso a minha frustração. Sendo certo que era algo que mais tarde ou mais cedo acabaria por acontecer, sempre acreditei que enquanto fosse possível se faria por ir protelando o inevitável.

 

Foi como regressar aos tempos da escola e adiar o início do estudo para o exame de Estatística, “só mais este jogo! Estou a ganhar ao Torquay, e a seguir só falta o Scunthorpe!” – meu rico Football Manager! Bons tempos -, ou o pendurar a porcaria do candeeiro da sala de jantar, que depois de demorar nove anos para ser comprado, convinha que ficasse pendurado vinte minutos antes de chegarem os convidados para o jantar.

 

Enfim, a vida é mesmo assim, e faz-se por ela. A que preço? Logo se vê.

Momentos da verdade

21
Ago12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não se assustem que não vou escrever sobre o Karate Kid (I, neste caso), nem sobre o Dan(iel), que com a ajuda do Sr. Miyagi-san, derrota os cobras, e se torna num verdadeiro campeão de karate, com uma perna, quase literalmente, às costas.

 

Nada disso, mas vou falar de um outro autêntico kid, porque disso não passa, sem dúvida. Uma criançola que um dia, como outros tantos, se resolveu arvorar em paladino da verdade desportiva, e cujas incoerências, me divirto a apontar.

 

Sobre o jogo que decorreu no passado fim de semana, na Cesta do Pão, pode ler-se no "Relvado" que, "Rui Santos dá nota negativa a Artur Soares Dias, sustentando que o segundo cartão amarelo exibido a Douglão, do Sp. Braga, foi uma decisão errada e entendendo o mesmo quanto à análise do lance entre Cardozo e Beto. O comentador diz que o árbitro foi "iludido pela movimentação do Cardozo, típica de quem vai fazer falta, mas simplesmente não há nenhum toque no guarda-redes do Braga". Portanto, conclui que foi "uma decisão errada com influência direta no resultado do jogo".

 

Já no que toca ao árbitro do nosso jogo em Barcelos, lê-se: "A prestação do árbitro Duarte Gomes no encontro de Barcelos merece nota positiva de Rui Santos, que não aponta falhas graves ao homem do apito".

 

E as duas jogadas em que jogadores do FC Porto foram placados pelos adversários em plena área, referidas pelo Vítor Pereira, logo na flash interview?

 

Rui Santos não as viu? Não teve tempo? Ou eram da responsabilidade do árbitro assistente, e aquilo que aparece no Relvado, refere-se apenas ao Duarte Gomes?

 

Não quero com isto encontrar motivos para o nosso empate inaugural, que esses são outros, e começam a ser recorrentes mas, "[a] prestação do árbitro (...) merece nota positiva" "não [lhe] aponta falhas graves"? Que raio!

 

Seria estranho se não fosse o Rui Santos, o mais perspicaz dos cavaleiros andantes da verdade desportiva, o único a afirmar aqui há uns anos, peremptoriamente e sem o mínimo rebuço, que um golo do Falcao em Paços de Ferreira, marcado em vôo, numa jogada rapidissíma, havia sido obtido com a mão. 

 

Sobre o "caso" do Luisão ("caso"?! Qual caso, não vejo aqui caso nenhum, mas isso sou eu que estou de férias! É agressão ao árbitro, e tudo o que for menos que isso, é uma falta de vergonha do tamanho dos seis milhões), o nosso Rui Santos teve acesso ao relatório do árbiro. E quase que teve um acesso de qualquer coisinha má...

 

 

 

"Rui Santos sublinhou, em relação ao relatório, que "nunca se fala na palavra agressão, há uma descrição e não uma interpretação dos factos".

 

No entanto, este documento poderá nem ser considerado um relatório e o comentador do Relvado explicou porquê: "Isto é chamado o relatório especial, é tudo menos um relatório ortodoxo, relativamente ao que nós estamos habituados a ver e relativamente às características de um relatório".

 

"Se o Conselho de Disciplina aceitar isto como um relatório válido, o Benfica tem matéria para invocar nulidades relativamente à questão processual porque não há assinaturas dos delegados e tudo isto faz muita confusão".

 

Partantos, no ralatório na se fala em agressão, logo, na é agressão. O documente na é ortodoxe, logo, na é ralatório. Se o Conselho de (in)Disciplina o aceitar como válido, há matéria para invocar nulidades, porque não tem lá os rabiscos identificativos de quem de direito.

 

Esta é a visão de um paladino da verdade desportiva. Então...e a questão de facto? O Mona Lisa deu ou não deu um encosto ao árbitro? Tentativa de agressão? Se bem me lembro, o Vandinho por esticar a perna em direcção ao Raúl José, apanhou uns quantos jogos. E foi por tentativa!

 

E agora? Vem-se com pormenores processuais? Isso é o que diziam, e continuam a dizer, e continuarão a dizê-lo ad nauseum, sobre a ilibação do presidente do FC Porto no "Apito Final", à conta das escutas, que, por mero acaso, até foram tidas em consideração. Não me recordo se, por coincidência, Rui Santos não terá também sido um dos ignorantes a patrocinar essa homérica patacoada. Sendo contra o FC Porto, e contra o seu ódio de estimação, Pinto da Costa, é bastante provável.

 

Agora vem ilibar o Luisão por um "pormenor processual"? E o acto? E a verdade desportiva?

 

É por demais óbvio que, às vezes, muitas mesmo, não interessa nem ao menino Jesus. Nem pode interessar, o empresário do jogador até já tem garantias de que dificilmente o insígne capitão do emblema da verdade desportiva, será castigado. Garantia da direcção. Porque será?

 

O comentador conclui o seu raciocínio (?) com chave de ouro, acrescentando "que, em relação a eventuais castigos, há já "uma série de situações em que os nossos órgãos disciplinares olham sempre para estes casos no sentido de não penalizar de acordo com aquilo que é uma visão mais distanciada de quem decide".

 

"Quem decide está sempre subordinado a um conjunto de fatores e a um conjunto de influências".

 

Partantos, se o minino da cabeça rapada for punido, todos ficamos a saber o porquê: "as influências"! Porque não chamar-lhe "o sistema"?

 

Sempre era mais facilmente identificável por seis milhões de indivíduos que, em vez de se preocuparem com a agressão, e exigirem da direcção do seu clube uma punição exemplar para o prevericador, conforme prentendiam que a direcção do FC Porto punisse, por si própria, o Hulk e o Sapunaru, se preocupam com o facto de o árbitro cair, e ...continuar a segurar firmemente o cartão amarelo, mesmo no chão!

 

O remate final é aquilo que, sem conhecer a mãe do Rui Santos, e por isso não querendo eventulamente ofendê-la, classificaria na gíria como uma valente filha-de-putice, feita em público, para deleite de alguns.

 

Para terminar, e voltar para o remanso quase terminado das férias, mais um momento da verdade, com um protagonista habitual nestas coisas.

 

 

 
O fulano que insiste em que o Melgarejo há-de ser lateral nem que a vaca tussa, e oxalá continue assim, "assegurou esta sexta-feira que os seus risos após o lance entre Luisão e o árbitro Christian Fischer, em Dusseldorf, não pretenderam significar qualquer falta de respeito para com o juiz da partida.

“Estava a comentar com o Javi Garcia, numa altura em que ainda não se sabia que o jogo iria ser interrompido, que o iria substituir por outro jogador sem o árbitro dar por isso para evitar o cartão. Rimo-nos, nada mais do que isso”.
 
Partantos, este foi o comentário e era esta a brincadeira entre estes dois desportistas de eleição e bem pagos, exemplo para milhões, enquanto o árbitro se encontrava prostrado por terra, depois de ter sido agredido, perdão, ter levado uma peitada, sem qualquer intenção de agredir, do Mona Lisa.
 
É bonito! Muito digno, sem dúvida. 

O eterno brilho de uma mente imaculada

21
Jun12

 

"Parece evidente que Michel Platini parece preocupado com as dinâmicas de controlo da arbitragem. Porquê? Toda a gente já entendeu. A situação é tão anacrónica que já se tornou ridículo.

Os árbitros, nos Campeonatos da Europa, estão sob a tutela da UEFA. São homens, têm ambições, querem dirigir jogos, querem ser promovidos. Estão na ‘bolha’ de Platini. No mínimo, sugestionados. O futebol vai perder toda a sua credibilidade (que já não é muita) se Platini continuar na senda da aquisição de um poder incontrolável. À custa das receitas que a UEFA proporciona às Federações, uma forma de comprar o silêncio. As Federações comportam-se como cãezinhos amestrados, que dão a pata perante a ordem do dono. E assim ‘o maior espectáculo do Mundo’, sem regulação nem capacidade de se regenerar, vai perdendo o primacial valor da reputação".

 

A mente não só brilhante, mas também sem sombra de mácula, que produziu estas afirmações, assim, sem o menor rebuço, foi a mesma que igualmente, do alto do pedestal etéreo da sua verdade desportiva, diz e repete com mais frequência do que, se calhar, deveria, que "[n]a dúvida os árbitros beneficiam o FC Porto".

 

 

Será que o raciocínio agora produzido, só se aplica às competições da UEFA e ao Sr. Platini?

 

Será Rui Santos capaz de transpor aquelas afirmações para a realidade nacional?

 

Se for, como é que os seus dois corolários se concatenarão coerentemente?

 

A quem pertence a "bolha" da arbitragem no futebol português?

 

Por acaso foi o FC Porto que apoiou a candidatura de Fernando Gomes à presidência da Liga de Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), incluindo Vítor Pereira nas suas listas?

 

Por acaso foi o FC Porto que apoiou a candidatura de Fernando Gomes à presidência da Federação Portuguesa de Futebol, abdicando inclusivamente de sponsorizar um candidato das suas próprias cores?

 

Que eu saiba o FC Porto limitou-se a apoiar, em teoria, conjuntamente com os outros dois grandes, na prática, pelo menos com um deles, a candidatura de Carlos Marta à presidência da LPFP, que agora já não risca nada.

 

Quem é que tem a fama, e não tem mais frequentemente o proveito, apenas porque, lá está, há o FC Porto de permeio, de "fazer as coisas pelo outro lado"?  

 

Porque é que a verdade desportiva que Rui Santos revê nos comportamentos da UEFA e do Sr. Platini, é diferente daquela que observa entre portas?


Nota:  O título deste texto, é a tradução da minha lavra, do título do filme The Eternal Sunshine of the Spotless Mind, um filme perturbante, embora menos que o Rui Santos, com o Jim Carey e a Kate Winslet em registos que não são nada habituais.

Os deuses devem estar loucos

14
Mar12
 

“Marco Ferreira foi classificado com nota 7 no FC Porto-Académica. Os maiores erros terão sido dois penáltis por marcar a favor do FC Porto e um fora de jogo mal assinalado quando Hulk surgiu isolado diante do guarda-redes Peiser”.

 

Já Bruno Esteves é classificado com uma nota 8 de 0 a 20 pela arbitragem no Paços de Ferreira-Benfica. Rui Santos chama a atenção para dois erros graves: penálti por marcar sobre Bruno César e vermelho por mostrar ao mesmo jogador do Benfica”.

 

A minha alma está parva. Estou extasiado, siderado, apoplético, que nem posso. Como dizia a minha saudosa Avó: “Deve haver um pobre que vai ficar sem burro!”

 

Quando o próprio «Rui Santos chama a atenção para o facto de "ter havido factos nesta jornada que desvirtuaram a verdade desportiva", lembrando ainda "o golo mal anulado à União de Leiria no encontro com o Sporting de Braga"», e aponta aqueles dois exemplos, logo ele, um eminentíssimo portista dos sete costados, desde pequenino, como todos sabemos, o que dizer?
 
 
 

Talvez que lhe escapou um singelo pormenor. No caso dos Brunos, as situações são mutuamente exclusivas. Ou seja, havendo o cartão vermelho, não haveria lugar ao penálti. Assim como ao segundo golo da sua equipa, e às duas expulsões no adversário.

 

 

Mas isso são meros pormenores, que o Rui Santos omite. Compreende-se. Resta contudo, dada a raridade da efeméride, registá-la para a posteridade. Sabe-se lá se não será irrepetível…

Mó Cajuda, nã t’assentes nã, moss!

13
Fev12

O Manel Cajuda é algarvio, tal e qual como eu, e apesar de ser de Olhão, foi como capitão do meu Farense que terá atingido o ponto mais alto da sua carreira.     

 

É por isso que, de algarvio para algarvio, lhe dedico, à laia de conselho, o título deste texto. Mas aviso desde já, que é só o título, pois o resto não tem nada a ver.

 

O Cajuda é um bocado lírico, por isso tenho alguma dificuldade de perceber o alcance do seu “morrer de pé”. Presumo que esteja mais relacionado com a situação que vive o seu clube actual, do que o desenrolar do jogo do Dragão, onde a sua equipa poucas vezes se preocupou com a baliza adversária.

 

 (Estatísticas Oficiais da Liga Zon Sagres - LPFP/wTVision/Amisco)

 

É que, quanto ao jogo, não sei que razão de queixa é que o bom do Manel terá. Ele e outras aventesmas, como aquela do cabelo ondulado e sebento, que, em nome da verdade desportiva, debita diarreia mental na SIC-N.

 

Ontem, para meu azar, a seguir ao jogo zappei por esse canal. Como vi que era do nosso jogo que arengavam, resolvi estacionar por um bocadinho.

 

Então não é que para o Sr. Rui Santos, distinto cavalheiro a que acima me referia, na expulsão do Schaffer, o árbitro foi rigoroso, mas esteve bem. Porém, não terá usado da mesma dose de rigor ao não dar a mesma ordem de expulsão ao Janko, por atingir o guarda-redes leiriense.

 

Além disso, na jogada do primeiro golo, curiosamente o mesmo Janko, aquando do passe do João Moutinho, para o James, estaria em fora-de-jogo posicional.

 

Sabedor como é das regras do jogo, diz o Rui Santos que o fora-de-jogo posicional deixou de ser sancionado. Ainda assim, a posição do nosso ponta-de-lança (reparem como encho a boca e o peito, enquanto escrevo isto!), uma vez que dela partiu para intervir na jogada, beneficiando desse facto, deveria ter sido punida.

 

Só não o ouvi falar foi sobre o penálti que ficou por marcar sobre o Hulk, ainda antes da expulsão e do primeiro golo. Pormenores.

 

Sobre as outras questões, dei-me ao trabalho de ir consultar uma fonte, supostamente fidedigna, para me instruir sobre a matéria, o site da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. E que vejo eu?

 

Antes de mais uns gráficos, com animação, muito bonitos e bem elaborados, como o que se segue. E depois, que nenhuma das situações aí retratadas se assemelha, ainda que ligeiramente, com o que terá visto o Rui Santos.

 

 
 

Aliás, certamente por manifesta incapacidade de retenção na memória visual de todos os lances desde o início das partidas, os senhores que congeminaram as regras, a pensar como não poderia deixar de ser, naqueles que têm sobre si o ónus de as aplicar, avaliam o fora-de-jogo na altura do último passe, e não de um dos trezentos e cinquenta e nove que o antecederam.

 

Ora assim sendo, derivado dessa amnésica lacuna, concluir-se-á, como aquiescerão Vossências, que o Janko não estava efectivamente fora-de-jogo.

 

Para que o Rui Santos perceba como é que estas coisas funcionam, dou-lhe um exemplo. No jogo do Nacional da Madeira, a dada altura, um jogador da equipa que os madeirenses defrontavam, de nome Luisão, alcunha “Gioconda”, teve uma entrada a pés juntos sobre um opositor.

 

O lance continuou, mas mandavam as regras, sim, as tais regras a que o Rui tanto se apega quando apregoa a “sua” verdade desportiva, que na primeira interrupção, o ex-Super Dragão Jorge Sousa, lhe acenasse, pelo menos, com a cartolina amarela.

 

Mais adiante, há um homem alvi-negro, ou o Claudemir ou o Diego Barcelos, que faz falta sobre um oponente, o lance continua, e na primeira interrupção superveniente da partida, levou com o inerente cartão amarelo.

 

A memória humana é assim, nuns casos falha por insuficiente capacidade de retenção, noutros por selectividade. Caro Rui, qual das duas a mais grave, a bem da “sua” verdade desportiva?

 

Confesso que não vi o lance do Janko sobre o guarda-redes benfiquista emprestado. Mas caramba, o do Schaffer fez lembrar a entrada do Nélson Oliveira sobre o João Moutinho na época passada, quando representava o Paços de Ferreira, por empréstimo da mesma equipa do Oblak.

 

Todos os três fizeram por honrar quem lhes paga o ordenado, o guarda-redes legitimamente, os outros dois, nem por isso.

 

Foi mal expulso o Schaffer? Brincam!

 

O Rui Santos é mais um daqueles indivíduos, que são pagos para opinar, e que se auto-investiram em cavaleiros andantes em cruzadas sem tréguas contra o FC Porto, presumo eu que movidos, não só pelo amor por outras cores, mas neste caso, muito mais pelo ódio visceral que nutre por Jorge Nuno Pinto da Costa.

 

Contudo há o pormenorzinho das regras. Essas malvadas leis que espartilham tão belo jogo. O Rui pode não concordar com elas, e até apelar insanamente pela “sua” verdade desportiva, que não adianta.

 

Por exemplo, eu, pessoalmente, acho a fisionomia do Rui Santos ideal para ser sodomizado, num qualquer estabelecimento prisional deste país, por um gang de sujeitos sensíveis, do género daqueles motards que aparecem nos filmes americanos.

 

Isso irá algum dia acontecer? Provavelmente, não. E é pena.

 

É essa a diferença entre a realidade e o sonho, e entre o Rui Santos e um jornalista à séria. Se se deixasse de parvoíces só ficava a ganhar.