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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Nas calmas

30
Ago12

Sá Pinto e o Sporting: “Os resultados não têm sido justos”

 

"A equipa está unida, com vontade de continuar e chegar às vitórias já amanhã [quinta-feira]. A equipa está agressiva, joga bom futebol, cria oportunidades. Não fomos tão constantes e regulares, por falta de discernimento no último terço e temos de afinar essa situação"

 

"Queremos mostrar superioridade em todos os momentos. Os detalhes fazem parte do futebol e não têm estado do nosso lado. Esta equipa precisa de marcar golos que deem vitórias. Todas as equipas têm aspectos a melhorar, mas o Sporting tem sido superior a todos os adversários, somente os resultados não têm sido justos"

(Sá Pinto, no Público)

 

«Somos profissionais e temos de saber sair por cima quando as coisas não correm tão bem. É lógico que ficamos tristes [com a derrota frente ao Rio Ave], sentimos o clube, mas temos um jogo já amanhã para ganhar. Estamos muito fortes. Amanhã é outro jogo e é para ir para cima deles»

 

«Todos os jogos que fazemos é para ganhar. Contra o Rio Ave não o conseguimos fazer, injustamente. Somos o Sporting e todos os jogos que fazemos é em busca da vitória. Temos um grupo fantástico e vamos fazer um grande jogo»

(Rui Patrício, na antevisão do jogo contra o Horsens)

 

«Este Sporting tem sido claramente superior a todos os seus adversários e somente o resultado não tem sido justo para nós. Somos o Sporting. Assumimos a responsabilidade do jogo, mas os detalhes fazem parte do futebol... A equipa precisa de marcar golos. Não temos de ser injustos com a própria equipa»

 

«Sou o primeiro a estar triste e a assumir a tristeza [pela derrota com o Rio Ave]. Não posso misturar sentimentos e tenho de ser lucido e rigoroso nas minhas análises e decisões»

 

(Sá Pinto, na antevisão do jogo com o Horsens)

 

 

Conclusão: estão tristes, têm sido superiores a todos os adversários, só os resultados é que têm sido adversos. Mas estão bem, o grupo é fantástico, e está unido.

 

Além disso, crises de identidade é que não têm. Sabem perfeitamente que são o Sporting, e estão muito bem ensaiadinhos, graças a Deus.

 

Contudo, quando ouvi este(s) discurso(s), o que que me veio à mente foi uma antiga anedota, que partilho de seguida convosco.

 

Um indivíduo vai ao médico. “Então Sr. Sá, o que é que o traz por cá hoje?”

 

“Ó Sôtor, nem calcula…Ai, desculpe lá. Eu volto já…”!

 

Perplexo o médico vê o homem correr esbaforido porta fora. Passados uns minutos, ei-lo que regressa.

 

“Então Sr. Sá, o que é que se passa consigo homem?”

 

“Desculpe lá Sôtor, mas estou com uma valente diarreia. Tem que me dar qualquer coisa, que não aguento isto…Ui! Desculpe lá outra vez!...”

 

E torna a sair. Nesse entretanto, o médico passa-lhe a receita da cura para o mal que o apoquenta. Quando regressa:

 

“Está aqui Sr. Sá. Tome isto, que vai ver que fica fino. Volte cá para a semana”

 

“Obrigado Sôtor!”

 

Na semana seguinte o homem regressa. Antes da consulta, quando dá uma vista de olhos à ficha do paciente, o médico nota que se enganou na prescrição que fez. Em vez de receitar algo para a diarreia, havia prescrito um calmante.

 

“Ó Sr. Sá, então não quer lá ver que me enganei na receita. Como é que você vai homem? Ainda se anda a borrar todo?”

 

Responde-lhe o homem sonolento, e com uma voz arrastada:

 

“Sabe Sôtor, borrar, eu ainda me borro todo. Mas já não me rala, meeesmo nada!”

 

Assim está o Sporting…

 


Nota: Dedicado aos meus familiares e bons amigos sportinguistas.

O maravilhoso mundo dos totós, 398 dias depois

26
Abr12

Há, exactamente, 398 dias, no dia 25 de Março do ano passado, escrevi umas parvoíces sobre o processo eleitoral então em curso no Sporting.

 

398 dias depois, Godinho Lopes foi eleito Presidente. O Domingos Paciência foi o treinador escolhido, e pouco mais durou que seis meses. Milhentos jogadores entraram, e um pelo menos, o Bojinov, até também já saiu. Dos trinta e tal pontos que ficaram atrás de nós na classificação, recuperaram uns quantos, ainda insuficientes para sequer nos morderem os calcanhares.

 

Quase 400 dias depois, e tenho que chegar à conclusão que o problema daquele clube, pelo qual, até nutro alguma simpatia, continua a ser o mesmo: desperdício de recursos.

 

 

Quando se ouve o presidente do clube, convencidíssimo de que, mais tarde ou mais cedo, vai arranjar investidores minoritários, que entrem com capital fresco, tão necessário como de pão para a boca, invocando “o facto de o Sporting ser uma marca fortíssima”, concluímos que os inúmeros talentos do seu vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão, seriam bem melhor empregues a analisar a situação interna, e reportá-la ao seu presidente, do que a espiar árbitros, jogadores e sabe-se lá quem mais.

 

De acordo com o Futebol Finance, e tendo por base um relatório do Brand Finance, há apenas um clube português nos trinta primeiros, mais concretamente em 28.º, e não é o Sporting.

 

Ao que parece, o FC Porto estava em 31.º, e só depois, mais lá para baixo, viria o clube do leão.

 

“Uma marca fortíssima”?

 

O outro motivo para o optimismo incontido prender-se-ia com o facto de “ter uma Academia que trouxe para o futebol mundial «jogadores de classe reconhecida “ e que é considerada, a par da do Barcelona e do Lyon, “uma das três melhores” do velho continente”».

 

Uma vez mais, aqui seriam bem melhor empregues os préstimos do vice-presidente, para informar o seu presidente.

 

[U]ma das três melhores [academias] do velho continente”? Qual?

 

A que formou quem? O Marcelo Boeck, o Rodriguez, o Polga, o Oniewu, o Evaldo, o Arias, o João Pereira, o Insua, o Turan, o Xandão, o Schaars, o Izmailov, o Matías Fernandez, o Rinaudo, o Elias, o Bojinov, o Wolfseiláquantos, o Capel, o Jeffrén, o Carrillo, o Ribas ou o Rubio? Será esta?

 

Onde é que andam os jogadores formados na Academia nos últimos tempos? Deportivo da Corunha? A Academia em si mesma, é um recurso claramente desperdiçado. O vice-presidente andar a espiar árbitros, jogadores e sei lá mais quem, e não constatar e relatar isso ao seu presidente, outro desperdício.

 

E não pára por aqui.

 

Então logo agora que arranjaram um treinador, que apesar de parecer movido a Xanax nas conferências de imprensa, em termos de eloquência futebolística bate aos pontos os rivais dos outros dois clubes, o grande e o mais grande, e só não bate o Leonardo Jardim em conteúdo, porque na forma, com aquela pronúncia madeirense arrevezada, pede-lhe meças, o que é que fazem?

 

Decretam um "black out"! Claro!

 

Em vez de aproveitarem o homem, e o discurso para motivarem as hostes, não. Black out! Faz sentido.

 

É caso para dizer que dá Deus nozes, a quem não tem dentes. E ainda por cima é de leões que se fala…  

 

Se isto não é desperdiçar recursos à fartazana, então não sei o que é.

 

Ainda assim, estão nas meias-finais da Liga Europa, e com fortes possibilidades de ir a Bucareste, à final.

 

É assim o mundo maravilhoso dos totós!

São bloqueios senhores, são bloqueios!

26
Mar12

 

Ponto primeiro. Esteve bem durante a semana o nosso treinador, ao trazer de novo à baila, ainda que em resposta a um energúmeno que mais valia deixar ficar a falar sozinho, a questão dos bloqueios, refinando-a.

 

A comprovar esse facto, a reacção descabelada, em mais do que um sentido, do, ao que parece, futuro ex-comunicador-mor do nosso rival mais dado à pantomina. Uma reacção assim ao género dos miúdos que são apanhados com a mão dentro do frasco dos biscoitos:

 

“Em Olhão, João Capela, (…) além de cúmplice do antijogo, mostrou-se um diligente moço de recados do treinador do FC Porto, tantas as vezes e o tempo que dispensou a ver os jogadores do Benfica na grande área do Olhanense, de forma a garantir que não havia “bloqueios” que irritassem o treinador do FC Porto. João Capela bloqueou, isso sim, o jogo e não me parece que tenha sido só ingenuidade”

 

Aliás, consta que o calcanhar de Aquiles do nosso treinador não é o trabalho desenvolvido durante a semana. A questão é em que é que esse trabalho se vem a consubstanciar posteriormente no fim-de-semana (ou à sexta-feira, ou à segunda-feira, quando calha!).

 

Às vezes, faz-me lembrar de mim próprio, quando as avaliações me corriam menos bem. Por norma, até estudava a matéria toda, excepto umas paginazinhas as mais das vezes insignificantes, que, de certeza absoluta, não iam sair no teste.

 

Depois, bem depois, era o que se via. O raio do professor(a) fazia o teste incindir precisamente sobre a matéria dessas, e eu bloqueava. Assim parece o Vítor Pereira.

 

Ponto segundo. Grande parte das discussões futebolísticas que tive com um colega sportinguista, no tempo em que o Sporting ainda dava luta para discutir alguma coisa, terminavam invariavelmente da mesma maneira.

 

Eu a queixar-me de azar, do árbitro, ou de outra coisa qualquer, e ele a retorquir-me: “Em futebol, só contam as que entram”.

 

Aprendera esse argumento com o pai, que era treinador de futebol. Aposto que o Vítor Pereira nunca foi treinado pelo pai do Uva.

 

Bloquear naquela história de que “podíamos ter marcado o segundo, o terceiro, o quarto, não marcámos, e sofremos um. Marcaram no nosso único erro”, não aquece, nem arrefece, e eu até nem desgosto de semi-frio, de chocolate, de morango, de caramelo…

 

Só que, em futebol, não dá. Ou melhor, dá para respostas como a do Henrique Calisto: “Se falham, é problema deles!”

 

 

Ficaram penáltis por marcar? Pois terão ficado. Um para cada lado. E se, para os próximos jogos ultrapassasse-mos este bloqueio do “podia-ter-sido-tão-bom-mas-não-foi”?

 

Ponto terceiro. E porque é que havemos de assacar responsabilidades ao treinador (pronto, pronto, aquela de manter o Defour a meio-campo, obrigando o João Moutinho a recuar para o duplo pivot, num jogo com o Paços de Ferreira e com o Fernando disponível, não foi das melhores, mas enfim…), quando há jogadores que parecem bloqueados, às vezes por adversários reais e outras nos labirintos da sua própria psique?

 

Nos últimos dois golos que sofremos, que, por mero acaso, coincidiram com os empates frente à Académica de Coimbra, e agora com os castores, onde é que andava o Rolando?

 

Desta vez o Maicon estava castigado. E o Mangala? Foi castigo por causa das falhas na meia-final da Taça da Liga, que não alinhou? Se vamos por aí, nos jogos que nos correram mal recentemente, o miúdo francês apenas esteve num deles. O Rolando, em compensação, esteve em todos, e com falhas comprometedoras em dois deles. A titularidade é para manter?

 

Ponto quarto, quinto e sexto. Dentro de tudo, quando se comparam os discursos dos treinadores dos quatro primeiro classificados, não estamos tão mal como tudo isso (ok, eu sei que isso não dá títulos, mas deixem lá. É uma espécie de prémio de consolação).

 

Quando oiço o Sá “socos” Pinto dizer que não viu "nenhum adversário mais forte que o Sporting", desde que assumiu o cargo, causa-me estranheza.

 

No FC Porto é o adjunto (o prof. Rui Quinta), que vai para a bancada para ver outra dimensão da partida. Pelos vistos, lá pela Calimeroláxia parece que é o treinador principal. E ainda por cima deve ter alguma coisa a bloquear-lhe a visão. Na volta fica num daqueles lugares radiofónicos do estádio, de onde nem se vê o jogo.

 

Do lado do mais grande do Mundo dos arredores de Carnide, é o contrário. Parece que desligaram o bloqueador de asneiras. É o treinador que não percebe porque expulsaram o Aimar, artista que não faz mal a uma mosca, desde que ela não lhe vá chocar contra a sola da bota, e que insiste, contra todas as evidências e opiniões contrárias, que não “não treina bloqueios, bloqueios é no basquetebol”.

 

Ora, por aquilo que disse um dos ex-pupilos do Prof. Doutor Rei da Chuinga, eu que joguei basquete durante uns anos, devo ter treinado menos bloqueios na minha vida do que os comandados deste fulano. Vale o que vale.

 

Estes tipos não sabem mesmo o que dizem. É como dizer que “O auxiliar [Tiago Trigo] fica melindrado porque o treinador do (…)ica lhe aponta o erro”

 

É um caso mais do que evidente de bloqueio em face da verdade, bastante usual, de resto, lá para aquelas bandas. Julgava eu que o tal treinador havia feito um juízo de valor sobre a intenção do árbitro auxiliar de assinalar ou não aquele fora-de-jogo.

 

Aparentemente, enganei-me. Eufemisticamente falando, limitou-se a apontar um erro.

 

Neste contexto, tendo em conta que o treinador do SC Braga é um rapaz pacato, que ainda não anda envolvido nestas guerrilhas comunicacionais, há que admitir que o nosso treinador, ao menos falou de algo real, tão concreto e definido como outra coisa qualquer, os bloqueios, agora em versão refinada.

 

Os outros devotam-se a elucubrações fantasiosas, projecções indefinidas e retiradas estratégicas perante a verdade dos factos.

 

Ponto último. Como disse antes, não será grande consolo, pois, mais coisa, menos coisa, agora vemo-nos na posição de, caso o SC Braga vença hoje, no próximo jogo estarmos a tirar pelos da casa, para regressarmos ao topo da Liga.

 

Isto, partindo do princípio que levamos de vencido o Olhanense, com os três ausentes da jornada passada de volta, e o Sérgio Conceição no banco. Há duas épocas, empataram dois a dois no Dragão.

 

Acho que essa é uma posição que nem auxiliado por um kama sutra, com instruções transcritas foneticamente conseguirei assumir.

 

Mal, por mal, oxalá empatem, sempre dá para gerir a ida à Pedreira, partindo do pressuposto de que um empate será um mal menor.

 

Bem, para terminar deixo-vos a minha piada favorita sobre bloqueios, que nem o cabotino especialista na matéria consegue superar…