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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

O efeito Mendes

12
Jul18

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Rui Patrício e Podence, ambos representados pela Gestifute, de Jorge Mendes, são, até à data, os únicos dois jogadores que rescindiram com o Sporting, e arranjaram formalmente clube.

 

(nesta data, a contratação de Rúben Ribeiro, pelo Nantes, estará presa por um “contratempo”, e nós vimo-nos e desejámo-nos para vender um homem que esteve no Mundial, o Layún, por uma bagatela, e aquém do que custou.)

 

Rui Patrício seguiu para o Wolverhampton, clube da Fosun, ou seja, do Jorge Mendes, e Podence, para o Olympiakos, de Evangelos Marinakis, também proprietário do Nottingham Forest, treinado pelo adjunto favorito de Mourinho, Aitor Karanka, e para onde neste defeso, se transferiram do Benfica, João Carvalho e Diogo Gonçalves (e se falou do Bruno Varela), e onde está emprestado pelo Mónaco, Gil Dias.

 

Sim, todos Gestifute.

 

Na época passada, André Silva e Rúben Neves, que também são Gestifute, saíram do FC Porto, para o AC Milan e para o Wolverhampton, e para este último, saiu Boly, por empréstimo, entretanto, concretizado em saída definitiva.

 

Ricardo Pereira, cuja carreira não é gerida por Jorge Mendes, saiu para o Leicester, para onde, antes dele, haviam saído do Sporting, Slimani e Adrien.

 

O Leicester, que parece próximo do Stellar Group, parece ser um bom porto de abrigo para jogadores que não são representados pela Gestifute.

 

No mercado de Janeiro, o FC Porto contratou Waris, vindo do Lorient, cujo proprietário, vindo do mundo da finança, aparentemente trabalha por conta própria, Paulinho, do Portimonense, ligado a Juan Figer, e fez regressar Gonçalo Paciência.

 

Por sua vez, o Sporting, como termo de comparação, contratou Rúben Ribeiro, que já teve a carreira acompanhada por agentes como César Boaventura ou Tiago Calisto, e apalavrou Marcelo, junto do Rio Ave, e Wendel, através de um consórcio que terá juntado Figer e o Stellar Group.

 

Antes destes, havia contratado no início da época ao SC Braga, Bataglia. Sobre o Rio Ave e o SC Braga, e a relação destes com Jorge Mendes, será desnecessário dizer alguma coisa.

 

Surpreendentemente, Diogo Dalot e Gonçalo Paciência, ambos representados pela Proeleven, de Carlos Gonçalves, antigo agente de Rui Patrício, não renovam com o FC Porto, e saem. Dalot para o Manchester United, orientado pelo primeiro dos treinadores de Jorge Mendes, José Mourinho, e Gonçalo Paciência, para o Eintracht de Frankfurt.

 

No entanto, não obstante ter colocado Lindelöf em Manchester, Mendes parece vir a perder protagonismo para aquelas bandas, em detrimento de Mino Raiola.

 

De Dalot, correm zunzuns que apontam no sentido de ter sido pressionado para mudar de empresário e a aceitar um empréstimo ao Wolverhampton, e de Gonçalo Paciência, que terá sido convidado a renovar e a sair novamente emprestado, não se sabe para onde, mas não fica muita margem para a imaginação.

 

Curiosamente, o próprio presidente do Nápoles afirmou que, quando estava em negociações com o Sporting (supõe-se que através da Proeleven), de repente surgiu Jorge Mendes, que não era sequer representante do jogador, e as coisas descambaram.

 

Miraculosamente, surge uma proposta do Wolverhampton, e tudo se resolve. Mas antes, Rui Patrício teve de mudar de empresário. Diogo Dalot e Gonçalo Paciência, até ver, permanecem com Carlos Gonçalves.

 

Entretanto, é público, depois da destituição de Bruno de Carvalho, o Sporting pediu auxílio a Jorge Mendes.

 

E, extraordinariamente, a dramática hemorragia das saídas por rescisões de contratos parece estancada. Dos mais renitentes, Gelson Martins, através de Futre, é negociado para o Atlético de Madrid, outro dos clubes da esfera de Mendes, e resta Bataglia.

 

Porém, Hernan Barcos - ainda se lembravam dele? – é colocado no Cruzeiro de Belo Horizonte, que tem um acordo com Mendes, e através do qual tenta arranjar clube, entre outros, para Joel, que esteve na temporada passada emprestado ao Marítimo.

 

O FC Porto, por sua vez, empresta Galeno ao Rio Ave, tal como na época transacta, o Sporting emprestou Francisco Geraldes.

 

Eu não sei que conclusão tiram destas movimentações, mas a mim, fica-me a sensação de que, ao contrário do Sporting, que já recorria indirectamente a Mendes, e agora passou a fazê-lo directamente, no nosso caso, fomos impelidos a fazê-lo. E pelo próprio Mendes.

 

Parece-me estranho, num mercado com tantos clubes e tantos empresários, só consigamos vender, ou através do Mendes, para onde ele quer, e pelo preço que quer, ou para o Leicester.

 

E por outro lado, só consigamos fazer aquisições em franjas perfeitamente marginais do mainstream (Waris, João Pedro, Janko), ou ao Portimonense (Paulinho, Ewerton).

 

Fico com a nítida sensação que o nosso mercado é decisivamente condicionado pelo Jorge Mendes, e a via poderá ser aquela que circula por aí, em relação aos casos do Rui Patrício e do Diogo Dalot, tendo por objectivo estrangular-nos financeiramente, e colocar-nos na sua dependência.

 

A confirmar-se esta hipótese, entre clubes-satélites do Benfica e da Gestifute, a Liga NOS está toda ela controlada. Com que propósito? Veremos.

 

É o efeito Mendes.

O acordo necessário e a necessidade de acordar

14
Mai17

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O reatamento das relações institucionais entre dois clubes desportivos, que competem entre si numa série de campeonatos de variadas modalidades, seria sempre algo de saudar salutar. Independentemente da dimensão dos clubes em questão.

 

Desejavelmente, rivalidades à parte, o bom relacionamento entre emblemas, que mais não seja, institucional, deveria ser a regra, e não a excepção.

 

Digo "desejavelmente", porque no nosso país, terá sempre de ser aberta uma excepção. 

 

E esta é, obviamente, o clube a quem interessa a manutenção do status quo, aquele que indubitavelmente detém o poder fático , e a quem um clima de relacionamento institucional pacificado e normalizado, cairia que nem ginjas.

 

Esse clube é fácil de perceber qual é. Basta observar quais os que reataram relações e como reagiram a esse reatamento, os adeptos do que ficou de fora.

 

Mas isto, são contas de outro rosário, por isso, volto atrás neste introito.

 

Retrocedo para relembrar aquela história do telefonema, que o Vítor Baía denunciou ter havido, de Luís Filipe Vieira para Pinto da Costa, no final da primeira temporada de Lopetegui. 

 

Então, segundo Baía, Vieira teria indagado Pinto da Costa sobre o seu interesse em Jorge Jesus, ao que teria sido informado que tal interesse não existia.

 

Pela minha parte, na altura, fiquei duplamente satisfeito ao saber disso. Por um lado, apesar da predileção que Pinto da Costa tem por Jorge Jesus, este não teria sido cogitado para tomar o lugar do basco.

 

E por outro, um tal telefonema, e uma tal manifestação de receio, seriam sinal de que o FC Porto ainda dispunha de alguma autonomia, naquilo que à escolha de treinadores diria respeito.

 

Contudo, Pinto da Costa rapidamente negou a revelação de Baía, e fez desvanecer as minhas melhores expectativas de independência do clube, nomeadamente, em relação a Jorge Mendes. 

 

Mais tarde, o próprio Jesus revelou a história da sua ida para o Sporting, e a tentativa que Mendes e o Benfica terão feito de recambiá-lo para a Arábia Saudita, ou coisa que o valha.

 

E o FC Porto, conclui-se, não foi, de facto, nem tido nem achado, em todo o processo.

 

Lopetegui e Jesus, sendo ambos homens de Mendes, este optou, sabe-se lá porquê, por manter o basco no FC Porto, mas não conseguiu evitar a ida do bronco para o Sporting.

 

Ora, embora pessoalmente não engula Jesus nem barrado com manteiga de amendoim, reconheço que, se há treinador capaz de olhar o sistema nos olhos, viver comodamente no seu seio e, eventualmente, confrontá-lo, é Jorge Jesus. 

 

Por isso, talvez tê-lo no FC Porto seja um risco muito maior para o establishment, do que num Sporting, menos habituado à luta pelo título.

 

O Benfica e Mendes pouparam-me a esse sofrimento, mas talvez o FC Porto tenha perdido uma oportunidade. 

 

Avancemos agora para os dias de hoje, novamente para o reatamento de relações entre FC Porto e Sporting. 

 

Dá-se o caso de este ter acontecido, após a derrota em casa dos sportinguistas contra o Belenenses, e o mais que evidente extremar de posições entre Bruno de Carvalho e Jorge Jesus.

 

E o que é que acontece? É claro que vem à cena o interesse do Dragão, como em todas as ocasiões em que Jesus viu contratos melhorados por via desse propalado interesse. 

 

Acto contínuo,  José Maria Ricciardi reúne com Jesus, e surge a saudada pelos envolvidos e censurada jocosamente pelos demais, "aliança" FC Porto/Sporting. 

 

Note-se que não é o omnitudo Bruno de Carvalho, em ruptura com o treinador, quem reúne com o treinador, mas uma eminência parda, especializada nesse mesmo papel, o de eminência parda.

 

Ricciardi serena os ânimos com uma das partes desavindas, e a recém fundada amizade azul-verde-e-branca acalma(rá?) a tentação portista de contratar Jesus. 

 

E mais uma vez, o catedrático das chicletes fica arredado do FC Porto. Sem pena nenhuma da minha parte, confesso. 

 

Neste cenário, o Sporting evita vir a ter um problema de treinador. Depois de ter posto os patins a Leonardo Jardim e Marco Silva, e do fracasso da contratação de Jesus, quem é que Bruno de Carvalho poderia desencantar? 

 

Pedro Martins? Apostar num homem que, apesar de ter passado pelo clube, nunca orientou um grande?

 

Vitor Pereira? Um portista confesso? 

 

Paulo Fonseca? Mais um dos pupilos de Mendes, e cuja aspiração de vida é treinar o Benfica?

 

A saída de Jesus seria um valente bico d'obra nas mãos de Bruno de Carvalho.

 

Ou seja, este acordo era absolutamente necessário para preservar a continuidade em segurança de Bruno de Carvalho, e dado o envolvimento de Ricciardi, de um qualquer projecto, que ambos corporizam.

 

Nem que para isso, tenha Bruno de Carvalho de engolir sapos, e apertar a mão a alguém de quem já disse o que Maomé não disse do bacon.

 

E nesse caso, qual é a vantagem que o FC Porto retira deste acordo?

 

Vi escrito e ouvi por aí, que nos unimos ao Sporting para evitar o penta, o hexa, sei lá o quê, do Benfica.

 

Será assim?

 

Ao FC Porto, perdendo a hipótese de contratar Jesus, só lhe restam duas alternativas: ou continua com Nuno Espírito Santo, ou começa tudo de novo, com outro treinador, seja ele quem fôr. 

 

Logo, fica na mesma ou pior, uma vez que o capital de confiança de que Nuno dispõe junto dos adeptos, ficou bastante depauperado pelos resultados da presente temporada.

 

Vindo alguém de novo, ainda poderá usufruir do benefício da dúvida, mas a ansiedade e a dúvida estão instaladas. 

 

No Sporting mantendo-se Jesus, e embora tolerando-o Bruno de Carvalho, apenas a bem da nação sportinguista, o nível de saturação entre os adeptos é de tal ordem, que há primeira escorregadela, a coisa dá para o torto. Além de que a aura de vencedor, já viu melhores dias.

 

Quem é que lucra no meio disto tudo?

 

O novo tretacampeão, que vai beneficiar da instabilidade nos seus dois rivais, e vê o caminho desbravado em direcção ao penta.

 

Portanto, como penso que terei deixado claro, se este era um acordo necessário para o Sporting, do lado do FC Porto, a necessidade premente é de acordar. De uma vez por todas.

Em questões de princípios, os fins justificam os meios?

20
Ago15

Apenas três notas sobre acontecimentos recentes:

 

Athletic Bilbao. Na segunda-feira, depois de 31 anos sem conquistar qualquer titulo, empata no Campo Nou, e vence a Supertaça espanhola, com um resultado de 5-1, no conjunto das duas mãos.

 

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Benfica e Jorge Jesus. "(...) quando estamos casados com alguém temos de calar e aceitar os defeitos e as faltas de carácter. Mas esse dever termina quando o casamento chega ao fim".

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Nem vou comentar esta bela noção de harmonia matrimonial. Cada um saberá de si.

 

Portanto, durante seis temporadas calaram e aceitaram os defeitos e as faltas de carácter. Fizeram bem mais do que isso, mesmo sendo conhecedores dessas faltas de carácter, alimentaram-nas, patrocinaram-nas e defenderam-nas.

 

A troco de quê? Três títulos da Liga, cinco Taças da Liga, uma Taça de Portugal e duas finais da Liga Europa. Bom proveito.

 

Onde é que está a maior falta de carácter? Em quem, pura e simplesmente não o tem, ou em quem o tolera e se vende a troco daqueles títulos?

 

E o freguês que se segue, faz pouco do anterior porque levou seis anos para compreender o corolário manuel-machadiano de que um cretino, é apenas um cretino, mas pouco se importa com isso, e prepara-se para lhe seguir os passos.

 

Estão bem uns para os outros.

 

FC Porto, como não poderia deixar de ser.

 

"(...) só com a bendição de Mendes e da sua teia de negócios é que o FC Porto sobrevive."

 

Esta frase foi retirada de um texto escrito recentemente pelo Miguel Lourenço Pereira, no "Reflexão Portista".

 

Ao contrário de outros escritos do mesmo autor, que geraram ondas de indignação, até por parte de co-autores daquele espaço, e por vezes descambaram inclusivamente em insultos, desta vez, nada. Zero.

 

Vários comentários sobre o tema da peça escrita - o negócio da venda do Otamendi, mas sobre este ponto em particular, tudo tranquilo.

 

Como se de nada de novo se tratasse, ou nada de particularmente interessante ou grave. Afinal, fala apenas sobre a sobrevivência do clube, nada de especial, portanto.

 

Ninguém parece ter ficado grandemente preocupado ao ler que dependemos da bendição de Jorge Mendes para sobreviver.

 

O mesmo Jorge Mendes que coloca jogadores e treinador no FC Porto, na expectativa da sua valorização, e serve em simultâneo de intermediario para transferir para o Valência e para o Mónaco, uma série de jogadores de um rival, a valores, nalguns casos, bastante acima do valor de mercado, fazendo entrar nos cofres desse clube mais de 100 milhões de euros.

 

Ou ainda que efectivamente não entrem, sempre dão uma ajuda para mascarar a contabilidade, e contornar o fairplay financeiro.

 

É que, uma coisa é partilhar o risco de investir em jogadores especulativamente, tendo em vista a sua valorização, outra completamente diferente é comprar passes, sem grande regateio, por valores acima dos de mercado. Neste caso, para não lhe chamar branqueamento de capitais, chamar-lhe-ia apenas "investimento institucional".

 

E, olhando para o recente caso Jorge Jesus, dá que pensar a sua resposta de que vive num pais livre, e que pode escolher o clube para onde vai trabalhar. Mas isso alguma vez esteve em causa?

 

Pelos vistos sim, a fazer fé naquela resposta. Mas então, quem é que condicionou a sua liberdade de escolha, e o quis colocar noutro sitio?

 

De acordo com alguns comentários, que aquela resposta vem corroborar, Vieira e, obviamente, o seu empresário, Jorge Mendes, himself.

 

O facto da sobrevivência do FC Porto depender da bendição de Jorge Mendes e da sua teia de negócios, não causa transtorno a ninguém?

 

A mim, causa-me. E ao que parece, em Espanha, os adeptos do Valência e do Atlético de Madrid vão acordando para a realidade de que os seus clubes são concorrentes directos, e Jorge Mendes está em ambos.

 

A ser verdade, a tentativa de afastar um treinador de um clube adversário, não entreabrirá uma porta a outros tipos de manipulação?

 

Aparentemente, no pasa nada. Desde que os resultados desportivos vão aparecendo, e não se zanguem as comadres, os fins justificam os meios, e os princípios são os fins, eles próprios.

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És um mito, ó mano. Perdão, mitómano.

18
Ago15

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Jorge Jesus sabia que o perigo do CSKA, vinha do Musa, que tem jogado habitualmente como avançado-centro.

 

Mas também sabia, que hoje, como o Doumbia ia entrar na equipa, o Mussa iria alinhar à esquerda.

 

No entanto, fez alguma coisa em relação a isso? Foi o que se viu!

 

"O problema não é só nosso, é de todas as equipas que jogarem contra ele". Pois, com o mal dos outros...

 

Porém, "foi só na primeira parte", e ele sabia que ia ser assim. Por isso, para quê fazer alguma coisa? O João Pereira, e quem quer que jogue contra ele que se desenrasquem.

 

É o que qualquer grande equipa, ao nível da Champions, dotada de "grande criatividade individual e colectiva", faria.

 

Este gajo continua a ser um verdadeiro tratado de mitomania.

 

Se não é do mal, é da cura

05
Jun14

Diz o presidente do Sporting, que o "[f]utebol português é um ânus, do qual só sai trampa ou vento mal cheiroso".

 

Ora, se o Bruno de Carvalho se apresenta como a cura para limpar o futebol português, o que é que isso faz dele?

 

Quanto a mim, nada mais, nada menos, que o clíster do futebol português. Ou será o supositório?

 

Um verdadeiro piadista escatológico de primeira água, este Bruno.

 

Também pudera, de alguém que frequenta diariamente um sítio destes...

 

 

 

 

...o que é que se pode esperar?

 

No fundo, o que o Bruno, mais ou menos, nos quer transmitir é aquela sensação com que ficámos quando o Scolari, referindo-se na altura ao Miguel Veloso, ameaçou que não queria "bundões" na selecção: "o que a bunda não prejudica, hã?!"

 

Sim, porque bem vistas as coisas, para os sportinguistas, caso as coisas corram mal, o presidente arranjará maneira de encontrar uma outra desculpa qualquer. Se não fôr do cú, há de ser das calças.

 

Ainda no domínio dos aforismos populares, há pelo menos dois que contradizem esta lógica de caca do Bruno de Carvalho.

 

"Quem tem cú, tem medo". Muito sinceramente, não me parece que quem quer que domine o futebol português, malgré, aparente grande medo. Pelo menos do Bruno. Especialmente quando é o próprio quem reconhece, secundarizando-se, que apoiará que tiver o "autoclismo maior", pois que o "novo Sporting ainda não tem um autoclismo suficiente para fazer esse trabalho".

 

O outro é aquele em que se comparam duas realidades perfeitamente distintas e incomparáveis, como o cú e a feira de Castro. Cabendo ao futebol português o papel de cú, até poderá não se parecer com a feira de Castro, mas lá que há quem seja perito em fazer dele uma feira de vaidades, isso não resta dúvida.

 

Sinceramente, há qualquer coisa que me escapa neste personagem. Interrogo-me, como aquela professora da série "Dear John", se "are there any sexual problems?"

 

Por via das dúvidas, o Bruninho que vá levar no futebol português!

 


Nota: Aproveitando uma temática tão enriquecedora, este talvez fosse um momento oportuno para lançar uma candidatura do Pragal Colaço à presidência da Liga de clubes.

 

E, já agora, se um dia o Rabobank desistir do ciclismo, porque não convidá-lo para patrocinar a nossa Liga?   

O bê-à-bá da domesticação de mentecaptos

22
Fev14

"[Jesus] limitou-se a contestar uma decisão real e inequívoca da arbitragem. Dessa falha grave e indiscutível resultou a vitória do clube visitante e consequente vitória do campeonato, por parte do clube que beneficiou do erro"

 

"O árbitro em causa tinha todas as condições para ver a falta e tinha a obrigação funcional de o fazer, e não o fez, por motivações que só ele sabe"

 

"O treinador, que era um dos grandes ofendidos do erro cometido, passou, por artes mágicas, a arguido e, nessa qualidade, punido disciplinarmente"

 

Das hipóteses abaixo, escolha e indique, em menos de 2 minutos e picos, aquela, e apenas aquela, que corresponda ao autor das frases acima reproduzidas:

 

a) Luis Filipe Vieira;

 

b) um familiar do pateta platinado, o herói da Merdaleja;

 

c) Jorge Nuno Pinto da Costa;

 

d) um qualquer outro elemento azul e branco, que tenha por hábito remeter fruta e conviver com árbitros de futebol no seu domícilio;

 

e) um sportinguista, depositante de importâncias monetárias nas contas bancária de árbitros, expositor em público dos dados pessoais destes, e destruidor exímio de montras de talho;

 

f) Herculano Lima, o ilustríssimo e iluminadíssimo mafarrico portista que preside à Comissão Disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol;

 

 

   

Este desafio tem como principais destinatários os ilustres sportinguistas Eduardo Barroso e Dias Ferreira. Sendo possuidores de formação superior e figuras de proa nas suas actividades profissionais, certamente que, apesar de ser ténue a linha que separa a clubite da desonestidade intelectual, não lhes será complicado demonstrar que é possível a existência de inteligência, também no futebol.

 

Tendo em conta aquelas frases, poderão ainda aproveitar para explicar aos seus correligionários, assumindo que estes não serão totalmente mentecaptos, porque é o Conselho de Disciplina não lhes dá garantias de imparcialidade, no que toca ao FC Porto.

 

Peguem nestes dois sportinguistas, e mais no presidente, e peguem num benfiquista, e mostrem-me as diferenças.

 

Cada vez mais, a melancia costumava ser uma fruta de Verão, nos dias de hoje é fruta da época o ano inteiro.

Digam-me que estou enganado (ou "O teste da melancia")

15
Fev14

Por favor, digam-me que estou enganado. Que não estou a ler bem.

 

Digam-me que não é verdade que este filho de uma putéfia, coitada, que de certo não terá culpa pelo acto falhado de gente que pôs no Mundo, em vez pedir a derrota dos vizinhos, no jogo que o vento levou, vem agora pôr em causa a imparcialidade do Conselho de Disciplina da Liga, apenas e só, em função das perguntas feitas a alguns intervenientes no processo, e que transpiraram para a imprensa.

 

Curioso é que, antes do relatório da Comissão de Instrução e Inquérito, não se soube se esta quis ouvir ou ouviu alguém, ou que perguntas foram feitas, para além da posição que foi amplamente divulgada do clube do pateta alegre em questão.

 

 

 

Digam-me que na citação desta primeira página falta a palavrinha "selectivamente". Ou seja, que seria assim: «Vamos acabar "selectivamente" com a impunidade no futebol português!». Porque é isso que deve estar em causa.

 

Este cabrãozeco está atrasado. Não atrasado no sentido que possam eventualmente cogitar, mas atrasado porque, aqui há uns anos atrás, houve uma fase em que estavam na moda os testes.

 

Eram testes sobre tudo e mais alguma coisam, e nada em especial. Agora o que está na moda são os testes de stress da banca e as avaliações da troika.

 

O que este fulano vem fazendo, desde que começaram a conceder-lhe direito de antena, e muito por causa disso é que lho dão, é, no fundo, aplicar um teste, não aos professores, como o ministro Crato, mas aos adeptos do seu clube, e a si próprio: o teste da melancia.

 

O teste da melancia é um poderosíssímo instrumento de avaliação, que mede, por exemplo, a inteligência dos adeptos do clube a que o indigente preside.

 

Permite avaliar até que ponto é que os adeptos percebem que este tipo anda apenas a fazer o jogo dos vizinhos do estádio dos flocos de lã, e  os anda a iludir.

 

Testa ainda a sensibilidade dos adeptos, ou seja, até que ponto conseguem os ditos serem encornados, sim, eu disse "encornados", e não outra coisa parecida, e continuarem o seu caminho, remirando os flocos que caem do céu, se não forem chapas de zinco, e assobiando alegremente o hino da senhora do cabelo verde.

 

E finalmente, um teste ao projecto de vida do próprio. É assim que testa aquilo que quer na vida, e a forma como quer ficar, se é que quer, nos anais do futebol português, a que, às vezes, diz não pertencer, mas a que tanto fez para chegar: como uma entrada de topo de página, ou como um burrié, escondido algures num cantinho da contra-capa do livro.

 

A escolha parece-me óbvia. Não é, ó cagaita!? 

No dia em que os porcos voarem

08
Fev14

Ainda que não concorde inteiramente com o enquadramento dado a alguns dos clubes mencionados, e muito menos com a conclusão final, achei interessante, para reflexão, este texto de João André, publicado no blogue Delito de Opinião.

 

Vejam se concordam.

 

 

"Modelos de negócio no futebol

 

 

Quanto mais sigo o futebol europeu mais me convenço que existem 4 modelos de sucesso. A saber:

 

1.    O clube com o bilionário que paga as extravagâncias (com ou sem equilíbrio financeiro posterior): Chelsea, PSG, Mónaco, Manchester City;

 

2.    Os clubes ricos que são mais ou menos bem administrados e que (também) por via de serem bem sucedidos equilibram as contas: Manchester United, Real Madrid, Arsenal, Barcelona, Bayern de Munique, Juventus;

 

 

3.    Os clubes que se baseiam em descobrir futuras vedetas noutros países e as tentam vender com lucro: Benfica, FC Porto, Udinese, Lyon, Sevilha;

 

4.    Os clubes que tentam essencialmente formar os seus jogadores e que quando vão ao mercado preferem jogadores ainda muito jovens e pouco conhecidos: Ajax, Sporting, Atlético Bilbau, Feyenoord.

 

Os nomes referidos acima são essencialmente indicativos e não são herméticos. Há clubes que poderiam caber em mais que uma categoria (Arsenal e Barcelona, por exemplo). No entanto, e para este post, quero comentar essencialmente o modelo 3.

 

Este modelo interessa-me por ser aquele que o meu clube - Benfica - segue actualmente. É indiscutível que tem dado alguns bons frutos. No reinado de Jorge Jesus - que é um ás a valorizar jogadores e fraquinho a vencer troféus - deu para a venda por bom dinheiro de Coentrão, Ramires, di María, Javi García, David Luiz e agora Matić. Outro exemplo de sucesso (e ainda mais pronunciado) é o do FC Porto, com a venda de Falcao, Hulk, João Moutinho, etc. São modelos que têm dado para adquirir jogadores por 5 a 15 milhões para os vender a 20-35 milhões e pelo meio os jogadores contribuem bastante para a equipa. No papel são bons negócios.

 

Claro que têm problemas. Estão dependentes de agentes (Jorge Mendes à cabeça) e um dos problemas disto é que estes poderão exigir a compra de jogadores no máximo apenas medíocres como contrapartida (o cortejo de jogadores contratados pelo Benfica para serem emprestados e depois dispensados dá a volta ao Estádio). Por outro lado, se os jogadores forem bons mas não forem vendidos, o investimento não compensa em termos financeiros. Luisão, Cardozo e Gáitan podem ser bons jogadores, mas há anos que o Benfica tenta vendê-los com lucro e não consegue.

 

Disto resulta que os clubes com o modelo 3 vivem dentro de uma bolha. Por vezes é inflaccionada (não se consegue vender o jogador), noutras alturas é reduzida (o jogador dá um bom lucro). O problema das bolhas é que, de tempos a tempos, rebentam. Para tal bastam normalmente pequenos percalços. O clube pode passar demasiado tempo à espera de vender os jogadores (e entretanto compra outros); os clubes que pagam as fortunas passam por um período de menor liquidez (como quando esperam pelos novos contratos televisivos); ou, e aqui há o risco actual, quando regras externas entram em vigor com o fim de limitar os gastos excessivos - o famoso fair play financeiro da UEFA.

 

Actualmente não se sabe muito bem o efeito que terá porque a própria UEFA ainda não esclareceu certos aspectos. Por outro lado fica por saber se a UEFA teria coragem de negar a entrada a um Chelsea ou a um Milão (dois clubes a tentar cumprir as regras). No entanto, assumindo que as regras são estabelecidas e cumpridas e que clubes que vivem à base do sugar daddy têm mesmo que limitar gastos ou ser excluídos, os clubes dom o 3º modelo arriscam-se a ficar com activos desvalorizados nas mãos.

 

Os jogadores que compram têm-se vindo a tornar cada vez mais caros porque os clubes vendedores (normalmente da América do Sul) sabem que eles são depois retransferidos a valores que aumentam constantemente. Isso significa que ao comprarem um jogador em 2014 por um valor que será substancialmente superior aos de 2012, os clubes "3" esperam também que o valor de revenda em 2016 seja também superior ao de 2013. Caso isso não suceda por razões externas, os clubes perdem dinheiro muito depressa.

 

E é nessa corda bamba que clubes como o Benfica e o FC Porto caminham. O FC Porto menos porque é indubitavelmente melhor organizado, mas também está sujeito ao risco. Nesses momentos veremos os clubes do modelo 4 a reemergir, porque a queda na valorização dos jogadores os afectará menos, já que gastaram também menos a comprar ou simplesmente nada a treinar.

 

Não sou - longe disso - um oráculo de futebol. Espero até que esteja enganado, para bem do Benfica - e, vá lá, do FC Porto, a bem do desporto português. No entanto não posso deixar de pensar que se o Sporting mantiver o caminho que trilha actualmente, será a breve prazo o dominador do futebol português por uns anos.”

 

 

Confesso que fico um pouco preocupado, não com o enquadramento do FC Porto naquele grupo, mas pelo facto de, a nível externo, nenhum dos clubes que o integram lutar declaradamente pelo título de campeão do respectivo país.

 

Por outro lado, a nível interno, fico mais tranquilo pois parece-me que, dentro do nosso modelo de negócio, ainda somos detentores da liderança.

 

Sem dúvida que o nosso rival, pontualmente, tem vindo a fazer alguns bons negócios, e outros em que não se consegue muito bem distinguir negócio de negociata, suscitando bastas dúvidas a proveniência dos fundos que lhes dão cobertura.

 

Pela nossa parte, apesar de alguma inversão no modus operandi, o modelo permanece.

 

As futuras vedetas, que antes eram adquiridas a preço de banana, como diria o Mourinho, deram o lugar a vedetas, ainda que jovens, e como tal, dispendiosas.  

 

É das regras comerciais: para se obterem margens de lucro, ou se vendem muitas unidades, a baixo preço e com uma margem curta por cada uma, ou se vendem poucas unidades, a um preço elevado, obtendo-se margens mais elevadas em cada uma delas.

 

As aquisições do Hulk, do Danilo, do Alex Sandro, em parte do James, do Quintero, e do Reyes e do Herrera, marcam essa viragem.

 

Convém também ter presente o papel dos empresários, intermediários e fundos de jogadores. Quanto maior for a margem na venda dos jogadores, maior será sua própria.

 

Outra explicação para a mudança poderá ter a ver com o plano desportivo. Deste ponto de vista, será sempre preferível vender por época um Hulk, um João Moutinho ou um Falcao, ainda que acompanhados por um James ou um Ruben Micael, que pôr no mercado meia equipa.

 

É claro que a coisa tem outras desvantagens, mas sobre essas, conto falar noutra ocasião.

 

Agora, a parte que me deixou atónito, foi a perspetiva de termos “a breve prazo [um Sporting] dominador do futebol português por uns anos”.

 

Não é por nada, mas eu cresci a ouvir a lenga-lenga das camadas jovens do Sporting, e dos méritos da sua formação. Depois veio a Academia, e qual foi o clube que mais perto andou, e ainda não se safou do buraco?

 

Apesar de todos os méritos de Aurélio Pereira, e dos Futres, dos Figos, dos Quaresmas, dos Crisnaldos, dos Nanis, das maçãs podres, dos bundões, e outros tantos, que não passaram da cepa torta (Carlos Martinzes et al.), nada disso foi suficiente.

 

Bastou vir algum doidivanas, daqueles que abundam lá pelas bandas da Calimeroláxia, e quase foi tudo por água abaixo. Uma vez, outra, e mais outra.

 

Mesmo nesta temporada, em que as coisas até estão surpreendentemente, a correr melhor do que o previsível, o treinador quer levar o barco com calma, sem sofreguidões, degrau a degrau, de acordo com o planeado, e vem de lá o presidente a querer títulos.

 

Pois é, é que é muito bonito recorrer à prata da casa, nem que seja em desespero de causa, como é claramente o caso, ficamos todos muito orgulhosos por termos mais jogadores portugueses que os outros todos, mas se os resultados desportivos não aparecerem…

 

É caso para se dizer, como na anedota sádica: “não há bracinhos, não há bolachinhas!”

 

Atendendo ao actual estado da arte dos três grandes, parece-me muito mais fácil ao FC Porto ou aos outros da capital, na falta de resultados, operarem uma reviravolta estratégica num curto espaço de tempo, do que ao Sporting assomar-se ao patamar dos dois rivais seguindo pela sua via, sem conquistar títulos – e daí a premência absoluta da Taça Lucílio Baptista, há que apaziguar as hostes.

 

Por isso, cheira-me que a previsão do autor, se algum dia se concretizar, será no dia em que os porcos voarem. E aí, cuidado com as penas no fiambre!

Elogio da barbárie

03
Fev14

E agora Leonardo? Quando no Domingo terminou a partida do teu clube, por volta das oito horas da noite, a nossa ressaca durava à praticamente 25 horas, e nos teus vizinhos do lado, os festejos por nos ganharem um ponto, apesar de terem perdido dois, levavam já 23 horas.

 

E nem assim Leonardo, foste capaz de derrotar a Académica do Sérgio Conceição.

 

Percebes agora que aquilo que andas a apregoar, essa tua preocupação com os atrasos nas últimas jornadas do campeonato, não passa de uma treta?

 

Pois é Leonardo, eu sei que até és um gajo inteligente, e que sabes perfeitamente que, muito mais importante do que os horários a que começam e terminam os jogos, é os envolvidos nas disputas darem o seu melhor para vencê-las.

 

Sem isso, podes começar e acabar à hora que quiseres, que não ganhas nada. Viste-o ontem, não viste? Também já o tinhas visto aquando da Taça Lucílio Baptista, mas aí recusaste-te (e, pelos vistos, continuas a recusar!) a aceitá-lo.

 

Se não houverem Calabotes ou patranhas pelo meio, como a de Sábado em Barcelos, desde que todos dêem o seu melhor, não há nada a apontar a quem quer que seja.

 

O problema é quando isso não acontece. Já aconteceu até em Mundiais, e por isso, e apenas por isso, esta história dos jogos começarem todos ao mesmo tempo. Para evitar arranjos e combinações em que alguém se predisponha a perder propositadamente a favor de outrém.

 

Achas que foi isso que aconteceu no nosso jogo do Dragão contra o Marítimo?

 

Parece-te que o FC Porto ou o Marítimo alteraram aqueles que seriam os seus comportamentos expectáveis, apenas por ser conhecido, com três minutos de antecedência do apito final, o resultado do teu clube?

 

Ora, se bem te lembras, o Marítimo até se apanhou à frente no marcador, e o que fez?

 

Entrou pela via do anti-jogo, como se tivesse algo especial para demonstrar. De tal maneira que foi o último a entrar em campo na segunda parte, e foi por assistências a homens seus, que o árbitro teve de prolongar o jogo, ainda assim menos do que devia…

 

Esperavas que o FC Porto, a perder em casa, se ficasse? Nos dias que correm, não digo que não, mas apenas por impotência, e nunca por opção.

 

Pois é, como dizia um colega meu sportinguista, é uma “questão de princípio”, se está no regulamento é para cumprir.

 

Seja. Concordo. É claramente o princípio que nos separa da barbárie de outras modalidades.

 

Não sei se és apreciador de desportos automóveis, mas já deves ter ouvido falar da Fórmula 1 e do Mundial de Ralis?

 

Como deves saber, na F1, para determinar a posição de partida de cada piloto, há qualificações e, uma vez estabelecida a grelha de partida, saem todos ao mesmo tempo, e que vença o melhor.

 

 

E do rali da tua terra, o Rali Vinho da Madeira, já ouviste falar?

 

Não conheço a tua ilha, se é que és mesmo madeirense, mas não consigo imaginar o cortejo de carros a passar quase em simultâneo pelas vossas estradas. Não sei por quê, não me soa.

 

Nos ralis, como deves saber (e nos contra-relógios do ciclismo, também), o que acontece é que os pilotos partem cada um de sua vez, e cada um corre sozinho.

 

Que barbaridade! Como é possível? Mas assim, os que saem depois ficam beneficiados, pois já sabem o tempo dos anteriores!

 

Pois é. Sabes porque é que é possível? Porque estes bárbaros se dedicam a dar o melhor que podem. Todos eles, independentemente da posição de que partem, e de partirem antes ou depois uns dos outros.

 

É estúpido, não achas? Deviam era começar todos ao mesmo tempo. Se isto é uma questão de princípio, e não de estupidez!

 

Olha, nesta matéria vejo-me forçado a concordar com aquele pateta platinado, que um dia disse que o que interessa não é como “isto começa, é como acaba”.

 

Por isso Leonardo, deixa lá os arremedos de populismo bacoco para o teu presidente, e não te consumas com o que vai acabar por acontecer inevitavelmente no final do campeonato.

 

Tu não és burro, e por isso, não nos faças burros. Compreendemos que agora apenas te resta pressionar quem decide, para tentares regressar à Lucílio Baptista, mas deixa-te lá de coisas.

 

Da maneira como isto nos vai correndo, mais vale que não desbarates a boa onda de que (ainda) gozas entre os adeptos portistas, que nunca se sabe.

 

Quantos contratos é que cumpriste até ao fim, nos últimos tempos?

É fodido, é fodido, mas compreensível

28
Jan14

Quem como eu, tem ou teve miúdos pequenos em casa, compreende perfeitamente a reacção do presidente do Sporting, ao ver-se afastado da Taça Lucílio Baptista.

 

Os pedopsiquiatras explicam que as crianças têm uma fraca tolerância à frustração, e como não sabem como reagir doutra forma, expressam assim o que lhes vai nas suas pequenas alminhas de seres humanos em vias de desenvolvimento.

 

Os psiquiatras também dizem que estas situações são frequentes entre os dois e os quatro anos, e têm tendência para diminuir a partir daí.

 

Como os meus filhos têm cinco anos, apesar de revelarem um ligeiro atraso em relação a este prazo, as perspectivas, ainda assim seriam animadoras. Só que, de cada vez que o Bruno Carvalho abre a boca, percebo que afinal, poderá não ser bem assim, e a coisa pode arrastar-se até bem mais tarde.

 

Para mal dos meus pecados, como eu compreendo que o progenitor dele, com os seus oitenta anos, tenha problemas...

 

Deve ser sem dúvida frustrante perder assim. Deve ser frustrante estar a ganhar por 3-1, e o adversário directo a perder, ter o jogo controlado, praticamente abdicar de atacar, e de procurar o possível golo da tranqulidade, queimar tempo com uma derradeira substituição, e o adversário, esse cabrão de merda, virar o jogo, quando o nosso já acabou, e não há nada a fazer.

 

Deve ser frustrante procurar justificar uma eliminação por um desfasamento entre o apito inicial de duas partidas, que nunca terminariam em simultâneo.

 

Pois se o próprio cabrão do adversário do adversário, a partir do momento em que se apanhou à frente no marcador, se dedicou a queimar tempo, e ainda por cima, nem se apercebe que o atraso dos outros foi propositado...

 

É que nem o tempo de compensação, dado a menos pelo árbitro, serviu para alguma coisa. Excepto casualizarem-lhe mais um talho, claro está. Frustrante.

 

 

 

Quase tão frustrante como a tentativa de fazer um brilharete com o "intensómetro", sem sequer perceber que, naquele caso, melhor seria utilizar o argumento da famosa "falta-que-começa-fora-da-área-mas-a-queda-dá-se-lá-dentro", e guardar o "intensómetro" para explicar o penálti que ficou por marcar a favor do adversário, esse sim, por um empurrão descarado. Ou nas grandes-penalidades não assinaladas contra a sua equipa na jornada anterior.

 

Então, e que dizer da frustração do golo que fez a diferença no apuramento, ter sido marcado em fora-de-jogo? Depois de começar a Liga a ganhar com golos obtidos em situações irregulares em jogos consecutivos, macacos me mordam que essa merda, logo agora se haveria de virar contra nós!

 

Bem, pior do que tudo isso, só mesmo ter uma entrada em cena de leão, numa autêntica postura de desafio ao establishment, seja lá isso o que for, arranjar carradas de motivos para protestar, acumular um capital de queixar, maior que o IRS que as finanças nos roubam, acusar tudo e todos, ou melhor, preferencialmente um, e sempre o mesmo, ter ideias, apresentar propostas, e acabar a época...sem ganhar porra nenhuma.

 

Eh pá, isso que é mesmo frustrante. Fodido mesmo, diria eu.

 

É certo que, pela parte que me toca em matéria de frustração,  também é frustrante ver uma defesa levar dois golos, e de uma equipa que jogou sem os seus melhores marcadores.

 

No entanto, não partilho a frustração geral de nos termos visto em palpos de aranha para derrotar a equipa B dos guardanapos. Quando um treinador já utilizou, no que vai de temporada, qualquer coisa como 28 jogadores, num exercício de rotatividade que mete a um canto o "body count" dos "Ases pelos Ares", tenho alguma dificuldade em situar se se trata da equipa B, da C, ou da D. O que é óptimo. Sempre é menos uma frustração.