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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Tudo, menos isso

31
Jan13

 

Com a chegada ontem do certificado internacional do Liedson, ficou concluída a componente burocrático-administrativa da transferência, falta agora a consumação no terreno de jogo.

 

Se, no caso do Izmaylov, era o joelho que me deixava de pé atrás, por muito que anatomicamente isso fosse complicado, no do Liedson, eram certas e determinadas atitudes com que nos presenteava de cada vez que nos defrontava.

 

Mas, let bygones be bygones, o que lá vai, lá vai, agora está do nosso lado, e concordo plenamente com o nosso treinador quando refere que jogadores como aqueles dois, com a qualidade e o conhecimento do nosso campeonato de que são detentores, se em boa forma física, aportam quase instantaneamente um acréscimo qualitativo à equipa.

 

Ambos têm em comum o facto de, tal como o João Moutinho, serem provenientes, ou pelo menos ter passado por lá, no caso do Liedson, da Calimeroláxia, esse pomar verde e branco de fruta podre.

 

Tendo em consideração esta tendência hortofrutícola, dei por mim a magicar se não haverá por aqueles lados mais algumas peças de fruta com algum interesse.

 

Comecemos pelo princípio, e neste caso o princípio será a baliza.

 

Rui Pastorício. É bom guarda-redes, sem dúvida. Com o Beto a dar frangos como o da Pedreira contra o actual segundo classificado, ex-aequo, e sem saber muito bem em que estado estará o Eduardo, é sem dúvida o melhor guarda-redes nacional.

 

No entanto, até ver, ou seja, a reforma do Helton, estamos bem servidos nesse capítulo, e é demasiado caro, uma espécie de Louis Vuitton da Pepa. Desnecessário.

 

Na defesa, o meu favorito era o Bruno Pereirinha. Que na realidade, tanto pode ser defesa como médio. Uma espécie de sósia do Danilo, mas com menos corpo, menos técnica e sem ser internacional pelo Brasil.

 

 

Gosto deste rapaz, fundamentalmente por aquilo que conheci do pai, o Pereirinha, que jogou no Farense. Também fazia de lateral, nos dois lados, e ainda médio, se bem que mais defensivo.

 

Profissional sério e compenetrado, manteve uma regularidade impressionante ao longo das épocas em que passou por aqui. O filho dá a ideia de ser da mesma cepa, com mais propensão ofensiva, e é outro daqueles que gostam de jogar contra nós.

 

Falta-lhe explodir, no bom sentido, e alguma raça, que pelos vistos não adquiriu no clube do leão, contrariando o anúncio da Peugeot, mas que tenho a certeza, entre nós conseguiria explanar. É com pena que o vejo de partida para a Lazio.

 

No centro do terreno, gosto do Schaars. É inteligente, tem experiência e, tanto técnica como tacticamente, parece-me evoluído. Talvez até demais para aquele habitat.

 

Há quem prefira o Rinaudo, mas esse acho-o um tanto ou quanto estranho. Não é muito usual ver alguém com o seu tipo físico, ter tantas dificuldades ao nível dos rins. Caramba, não se pede um contorcionista, mas neste tipo o tronco parece que foi montando em cima das pernas de outra pessoa.

 

Mais adiante, têm três extremos que não jogava fora, especialmente se tivesse o Varela actual como termo de comparação: o Carrillo, o Jeffrén e o Capel.

 

Com o Carrillo, o problema ao que consta será uma certa tendência para se exceder nas ocasiões festivas, especialmente quando regressa à santa terrinha. Dá-me a ideia de que, devidamente domesticado, poderá tornar-se em algo interessante.

 

Ao Jeffrén vi-o fazer coisas engraçadas quando ainda estava no Barcelona. O passo que agora deu na carreira, não foi necessariamente no sentido evolutivo, e talvez se esteja a ressentir mais disso, do que das lesões.

 

O Capel conhecia-o do Sevilha, quando nos defrontou. Apesar daquela mania muito futriana de pôr os olhos na bola e desatar a correr com ela colada ao pé, ainda assim é o mais efectivo dos três.

 

A possibilidade, ainda que remota, de vê-lo com as nossas cores causar-me-ia bastante apreensão, pelos mecos utilizados nos treinos e por ele próprio, na eventualidade de esbarrar contra a peitaça do Mangala, por exemplo.

 

E há ainda o Wolfseiláquantos. Gosto dele. Tem lances de fora-de-série, e depois, de repente, desaparece.

 

Tenho cá para mim que padece do mesmo mal de que sofria o Izmaylov, e que uma mudança de ares não lhe faria mal. Pode ser que agora, com a concorrência do Niculae, espevite, porque o Viola, tocava muito baixinho.

 

Há apenas um jogador, dos actuais ou dos que mudaram entretanto de ares, que não quero, nem pintado ver com as nossas cores, e desconfio que se fosse o caso, e lhe propusessem um blushzinho ou um rimmel, ele quase de certeza não recusaria.

 

 

Obviamente, o Miguel Veloso.

 

O bundão do Scolari. E não é por motivos técnico-tácticos, de profissionalismo, ou por ser filho de quem é.

 

Reconheço que, esteticamente daria um lifting ao look médio do plantel, e um certo je ne sais quoi de metrossexualidade. Os penteados são magníficos e as sobrancelhas arranjadas um must, mas nem assim.

 

Chamem-me o que quiserem, mas ainda vejo o futebol, masculino, está visto, como um desporto para gajos de barba rija e pilosidades desenvergonhadas nos membros inferiores, onde ele, os Djalós e os Nunos Ribeiros, serão sempre apenas as excepções que confirmam a regra.

 

Porque perguntar, em princípio, não ofende…

10
Set12

“É público que o FC Porto conseguiu encaixar cerca de 450 milhões de euros, com as suas melhores 20 transferências (para além disso, só o FC Porto conseguiria encaixar cerca de 10 milhões de euros, em 2003 (!), pela venda de Postiga ao Tottenham!). Isso contribuiu, e muito justamente, para afectar positivamente à imagem do clube do Dragão uma aura de intocável capacidade de negociação. Agora que os contornos da transferência de Hulk estão a ser discutidos na praça pública (o que vai fazer a CMVM perante declarações não coincidentes produzidas pelas partes interessadas?!...) e sobretudo perante a inevitável decepção em torno dos números, muito distantes dos 100 milhões, talvez estejamos perante a queda de um mito: com efeito, o FC Porto, ao longo dos tempos, vendeu muito e bem.


A verdade é que, não obstante essas vendas e o produto das receitas de qualificações sucessivas para a Champions, o passivo anda na ordem dos 200 milhões de euros. Nestas condições, podemos falar em boa gestão? Afinal a ‘boa gestão’, que vem sendo dada como um dado adquirido na opinião publicada, não será apenas um ‘módulo de propaganda’ e dar como certo algo que não está plasmado nas contas? Não teria o FC Porto a obrigação, num quadro de encaixes tão significativos, e com esta capacidade de realizar transferências de indiscutível impacto financeiro, de apresentar contas equilibradas? Com tantas receitas, não estará o FC Porto a gastar mais do que pode? Sem oposição externa e interna, este é um assunto condenado a não dar discussão”

 

“Ouvi muitas coisas nestes últimos meses sobre a situação financeira do nosso clube. Como não sei de ciência certa não me vou alargar. Confesso apenas uma incompreensão e deixo um desejo. O Porto só nos dois últimos anos fez vendas de mais de cem milhões de euros. Como é possível estar a viver dificuldades? O meu desejo é que não se desbaratem estes 40 ou 50 milhões mais os do Guarin e do Pereira. Como podem perceber, não peço muito”.

 

Vendo as coisas pelo prisma utilizado nestes três parágrafos, o concurso de medição de pilinhas sobre os valores das transferências do Hulk e do Witsel, a discussão sobre quem arcou ou vai arcar com a solidariedade e os empresários, ou sobre quem esperou por quem para dar o(s) negócio(s) por consumado(s), ficam um bocado em perspectiva.

 

É a velha questão da árvore e da floresta.

 

Os dois primeiros parágrafos são da autoria daquele, que por esta altura já devem ter percebido, é um dos meus amores de perdição, Rui Santos.

 

Há que dar-lhe por isso um desconto. Nem chega bem a ser uma ejaculação precoce. Assemelha-se mais a um daqueles desejos formulados quando se apagam as velas todas do bolo de aniversário.

 

Não é por o Rui o querer ou desejar, que estaremos como com propriedade, diz à cautela, “talvez”, e sublinha-se, aviva-se e põe-se em itálico, o talvez, “perante a queda de um mito”. Resta-lhe pois engolir em seco, e seguir para diante, escrevendo textos como aqueles que habitualmente nos dedica.

 

O último parágrafo é para mim mais preocupante. Pelo conteúdo, e por ser um portista acima de qualquer suspeita, Pedro Marques Lopes, quem partilha quase estereofonicamente a preocupação do Rui Santos.

 

 

 

 

Obviamente que as motivações e as apreensões de um e outro, são inquestionável e necessariamente diferentes, mas a questão fulcral é a mesma.

 

Como muito bem escreve o Jorge, a filosofia de compra/valoriza/vende que tem sido pivotal na capacidade negocial no mercado de transferências e na manutenção de plantéis competitivos”.

  

Pivotal, de acordo. Porém, será mesmo imprescindível? Não em termos abstractos, mas tomando como exemplo este caso concreto do Hulk, haveria mesmo a necessidade imperiosa de vender, agora e pelo preço a que se realizou a transação, seja ele qual fôr?

 

Tem-nos sido dito que sim. A maior parte dos sócios e adeptos acredita que sim. Muito sinceramente, também me parece o mesmo. Mas afinal, qual o impacto da transferência do Hulk nas contas da nossa SAD?

 

Desta vez, o argumento mais abundantemente empregue para justificar o estado de necessidade, foi o pagamento do empréstimo obrigacionista de 18 milhões, que vence até ao final no corrente ano.

 

Será isso? Se foi por 18 milhões, então as vendas do Álvaro Pereira, do Guarín e do Belluschi, resolviam a questão, e ainda sobravam uns trocados.

 

Indo ao Relatório de Contas Consolidado do 3.º trimestre – 2011/2012 (pág. 14), retiramos que o passivo da SAD ascendia, àquela data, a 214.171.035 euros, dos quais € 167.533.480, classificados no passivo corrente.

 

Por seu turno, o activo corrente é apenas de € 52.683.659. Portanto, sejam 40 milhões, 31 milhões, ou qualquer outro valor intermédio ou abaixo daqueles dois, o desequilíbrio era de tal sorte, que não é a venda do Hulk que vai equilibrar as contas.

 

Que ajuda, é inquestionável, mas daí até se concluir, neste momento e pelo montante que seja, pela sua imprescindibilidade, é outra história. É um daqueles casos que alivia, mas não cura.

 

Se estivéssemos a fazer um puzzle, a parcela onde aquele montante mais facilmente encaixaria seria nos custos com pessoal – 31 milhões e meio de euros no trimestre.

 

É bem certo que, a ser verdade o que se diz quanto à duplicação do ordenado do jogador, a partir de Setembro, a poupança andará por volta dos 9 milhões de euros. Ou seja, feitas as contas, o que o Zenit despendeu pagará qualquer coisa como um trimestre de encargos com salários e afins. Ficam a faltar outros três.

 

Para quem não gosta de números e contas, vamos tentar analisar a coisa por outra via.

 

Peguemos nas transferências mais vultuosas de há três épocas a esta parte. Comecemos pelas do Bruno Alves e do Raúl Meireles. Sem olhar para as somas envolvidas, era por demais evidente que ambos estavam por cá descontentes.

 

O papá do Bruno Alves não se calava, e o Raúl Meireles, que não ia além dos 70 minutos por jogo, foi para Inglaterra correr que nem um galgo atrás do coelho.

 

A seguir veio a do Falcao. Segundo reza o relatório de contas, a sua transferência deu azo a uma mais-valia de 20.170.000 €. Independentemente disso, todos sabemos que se tratou de uma shotgun sale, tendo em conta a ambição do jogador em mudar de ares.

 

Ainda assim, mesmo partindo de uma posição negocial menos vantajosa, a sua saída poderá vir a revelar-se mais rentável que a do Hulk.

 

Tanto quanto consta, não terá sido por vontade expressa deste último que se operou a mudança para Sampetesburgo. O próprio afirmou que não estava à espera de ser transferido, antes contava ficar entre nós e festejar o tricampeonato

 

Nesse particular, esta movimetação teve mais similaridade com a saída do Lucho Gonzalez, que com qualquer uma das atrás mencionadas.

 

 

Assim sendo, volto à questão fundamental: a venda do Hulk, neste momento e por qualquer que seja o valor, era efectivamente imprescindível ou vem resolver definitivamente alguma coisa, do ponto de vista financeiro?

 

Desportivamente, o timing da sua venda, quando o mercado português se encontrava encerrado, não permitiu acrescentar ao plantel um substituto de que se diga poder preencher directamente a sua lacuna.

 

Resta a prata da casa. Era essa a intenção? A sua saída (ou a do João Moutinho, por hipótese), sendo inevitável e impreterível, dentro daquela que é a lógica de gestão do clube, foi atempadamente acautelada pelas entradas do Iturbe, do Atsu ou do Kelvin? É isso? Ou serão o James ou o Varela que o vão substituir?

 

Pela parte que me toca admito que fiquei surpreendido com a saída do Hulk, e confesso a minha frustração. Sendo certo que era algo que mais tarde ou mais cedo acabaria por acontecer, sempre acreditei que enquanto fosse possível se faria por ir protelando o inevitável.

 

Foi como regressar aos tempos da escola e adiar o início do estudo para o exame de Estatística, “só mais este jogo! Estou a ganhar ao Torquay, e a seguir só falta o Scunthorpe!” – meu rico Football Manager! Bons tempos -, ou o pendurar a porcaria do candeeiro da sala de jantar, que depois de demorar nove anos para ser comprado, convinha que ficasse pendurado vinte minutos antes de chegarem os convidados para o jantar.

 

Enfim, a vida é mesmo assim, e faz-se por ela. A que preço? Logo se vê.

Wtf?!

05
Set12

 

Mas afinal o que é que se passa neste amontoado de folhas de papel para forrar fundos de gaiolas de periquitos?

 

Está tudo doido, ou quê? É que não tarda nada, nem para os fundos das gaiolas isto vai servir, porque os pobres dos bichos ainda podem ficar afectados com as tintas, ou o que quer que seja que empesta o sítio onde produzem esta coisa.

 

Foi impressão minha, ou aqui há coisa de uns dois ou três dias, no mesmo papel infecto a capa era esta:

 

Então como é que é?

 

Primeiro é “Quem diria que Witsel e Hulk iriam render o mesmo?” “Iguais em milhões”.

 

Conforme consta no próprio comunicado à Comissão de Mercado de valores Mobiliários (CMVM), no caso do rapaz de vermelho, ter-se-á tratado de uma alienação “a título definitivo [d]a totalidade dos direitos desportivos e económicos do atleta Axel Witsel ao Football Club Zenit, pelo montante líquido de euro 40.000.000 (quarenta milhões de euros), valor da cláusula de rescisão”.

 

Ou seja, algo que se assemelha a um hostile take over. Bateram o contado e levaram o palhaço. Não há cá comissões, percentagens para empresários, fundos de garantia, mecanismos de solidariedade, direitos de formação, e todas essas tretas.

 

E ficaram muito contentes, porque afinal o rapaz valia tanto como o Hulk.

 

No entanto, o Jornal de Notícias, teve uma visão substancialmente diferente, quiçá uma miragem, que inclui 8 M, para um investidor, 4 M, de comissão de intermediação e 2 M, a confirmar, para o fundo de solidariedade.

 

 

Agora, ficam todos contentinhos das suas tristes vidinhas, porque o Zenit, por certo tão somente para satisfazer a ansiedade de quem escreveu aquele título, terá vindo dizer que pagou apenas 40 M pelo Hulk, o que significará apenas quatro coisas:

 

- que investidor, detentor dos restantes 15% dos direitos económicos não vendeu o seu quinhão, o que é perfeitamente legitimo, embora um tanto ou quanto estúpido;

 

- que o FC Porto mentiu à CMVM, pois os russos não vão suportar o pagamento ao tal fundo de solidariedade;

 

- que aos 40 M, haverá a abater 4 M, e não 6 M, da comissão do agente (10% do valor da venda, que assim passa a ser de 40 M, em vez de 60 M), mais os 3 M do fundo de solidariedade, e os 2 M de prémios ao jogador;

 

- fazendo as contas, o resultado líquido da operação teria ficado pelos 31 M de euros, no lugar dos 40 M anunciados.

 

Portanto, bem vistas as coisas, o negócio do rapaz de vermelho revelou-se mais rentável em 9 M, que o do Hulk. Onde é que estão as parangonas desfraldadas a apregoar isso?

 

Ainda não as vi. Porque é que ao repto lançado pela SAD do nosso clube, muito directo e entendível até a tanto lobotomizado que por aí vagueia, de que sejam divulgados pelo clube vencedor desta espécie de concurso de medição de pilinhas de miúdos da primária, os valores globais envolvidos na transferência, veio um palerma encartado qualquer, refugiar-se na resposta do Zenit e acrescentar mais uma série de banalidades, numa na tentativa clara de interliga-las a não se sabe muito bem o quê?

 

Se os 40 M recebidos pela venda do Rallo, são “líquidos”, onde é que ficou a parte sólida? Marchou com a descarga do autoclismo?

 

Melhor ainda, se os 40 M são “líquidos”, e correspondem à cláusula de rescisão (vide comunicado à CMVM), querem que acreditemos que os russos, que pagaram a cláusula de rescisão integral, e no nosso caso, nem sequer se dignam a suportar o “mecanismo de solidariedade”, ainda vão ser beneméritos ao ponto de arcar com a parte sólida?

 

Era estranho, não era?

 

Quem mente, ou quem mentiu à CMVM, e qual a mentira mais grave: a do FC Porto, que faz um negócio de 31 M líquidos, e declara à CMVM, 40 M, ou de quem declara 40 M líquidos, num negócio cujo valor total se desconhece?

 

O negócio do Witsel, assim à primeira vista, parece ter potencial para ser muito superior ao do Hulk e, sabe-se lá, um dos melhores negócios da época. Ainda melhor do que o pintam.

 

Porque é que, desta vez, aqueles que tanto se ufanam de estar sempre na vanguarda, de serem os mais grandes, de fazerem os melhores e maiores negócios, ficam satisfeitos em serem iguais ou apenas em ultrapassar pela direita?

 

É estranha esta humildade, este comedimento. Muito estranho. 

Mercado: o papão irracional

03
Set12

A visão do “mercado”, que me transmitiram quando estudei (ou a que consegui apreender, quiçá por ser a mais redutora e simplista), é que este era apenas e só o ponto de encontro entre vendedores e compradores.

 

Agindo o mais racionalmente possível, de modo a maximizarem a satisfação das suas necessidades, uns procuram comprar a maior quantidade possível e/ou a melhor qualidade, ao preço mais baixo que lhes aceitarem, e os outros, vender a maior quantidade possível, ao preço mais elevado que queiram pagar-lhes.

 

Esporadicamente, os que vendem partilham com os compradores alguma da sua preocupação com a qualidade.

 

No fundo, é isto. Outros enviesamentos poderão eventualmente acontecer por força de factores de distorção artificialmente introduzidos mas na prática, continuo a pensa que se resume a pouco mais que isto.

 

Depois, entram em cena a procura e a oferta. Quando aquela sobe, aumentam os preços, quando faz o percurso contrário, descem. E vice-versa em relação à oferta.

 

Por isso, há certas movimentações do “mercado” de transferências que me são particularmente difíceis de entender, senão as tomar por conta destes factores de distorção.

 

Três exemplos:

 

 

O interesse do Zenit no João Moutinho. Depois do Conselho de Administração do Zenit de Sampetesburgo ter vetado o pagamento de 50 milhões de euros pelo Hulk, ou o FC Porto ter recusado uma oferta daquele clube, por aquele montante pelo jogador, consoante os pontos de vista, foi noticiado que o clube em questão afinal, se virara para João Moutinho.

 

Tudo isto passado entre os dias 28 e 30 de Agosto, e portanto, a um dia do fecho da grande parte dos mercados europeus mais relevantes. As excepções serão os mercados francês, turco e, espantosamente, o russo.

 

Pelo que então se pôde ler, a oferta do Zenit pelo médio português ascendeu a 26 milhões de euros, quando a sua cláusula de rescisão é na ordem dos 40 milhões. O Tottenham chegou aos 27 milhões, e segundo consta, terá ficado a meras irregularidades processuais de consumar a contratação.

 

Concordo com o Vítor Pereira, quando diz que não haverá por esse Mundo futebolístico treinador que, dispondo o seu clube de arcaboiço financeiro para tanto, não queira dispor nas suas fileiras de Hulk e João Moutinho, ou apenas um deles.

 

O Spalleti, com certeza não será diferente. O que eu não percebo é a fixação do Zenit nos jogadores do FC Porto.

 

O Hulk e o João Moutinho actuam em posições bastante diferentes, por isso, só vejo duas hipóteses: ou os russos estavam (estão?) necessitados de jogadores para ambos os lugares, ou far-nos-ão em estado de tal carestia financeira, que depois da primeira nega, alimentavam esperanças de levar o segundo a preço de saldo.

 

Quanto às necessidades do lado deles, não faço a menor ideia. Sobre as nossas, aparentemente não serão tão prementes como tudo isso. Apesar das poucas vendas que fizemos, algumas, as melhores por coincidência, de faca ao pescoço, e os ajustamentos introduzidos no plantel, ainda assim, parece que fomos os que conseguimos o maior lucro.

 

Porque carga d’água é que o Zenit tanto insiste na nossa tecla? E mais ainda, porque é que um clube de um País onde o mercado de transferências ainda está aberto, entra em concorrência com um Tottenham, pelo João Moutinho?

 

Se era com o nosso desespero que contavam, então mais valia esperar pelo encerramento dos restantes mercados com alguma projecção, e aí sim, avançar com uma qualquer oferta.

 

Quem está desesperado por vender, se não tem mercado, não lhe resta alternativa senão baixar o preço. Serão estes russos burros ao ponto de desperdiçar uma vantagem competitiva destas? – à atenção de monsieur Platini, o fairplay financeiro também passa por aqui!

 

Porém, constata-se que, ao passo que os seus conterrâneos iconoclastas do Anzhi foram bastante lestos a negar o seu interesse por jogadores de outro emblema, quebrando assim a imagem de resistência estóica que se queria ver transmitida, da parte do Zenit não houve refutação alguma da versão do nosso presidente.

 

Tudo isto, é no mínimo estranho. E também não deixa de ser sui generis que tal aconteça em vésperas de uma deslocação complicada da nossa equipa, acompanhada da nomeação de um árbitro também ele complicado, mas que a bem da verdade, até nem complicou de sobremaneira.

 

Que tenha havido interesse dos Hotspurs, e que tenham chegado a vias de facto, não duvido. Quanto ao resto, haja irracionalidade meus amigos, mas nem tanto…
 

  

 

 

O affaire Palito. Este é outro negócio que, à primeira vista, prima em primeiro grau, para não sair da família mais chegada, pela irracionalidade.

 

Antes de mais, considero que foi um excelente negócio. Para nós, é claro. Podem vir dizer que o uruguaio há duas épocas atrás valia 22 milhões, o certo é que, no momento em que foi transferido, o valor facial do Álvaro Pereira era, quanto a mim, zero.

 

O seu destino no FC Porto estava delineado, e não era nem de ontem, nem desde este defeso. O jogo com o SC Braga, na Pedreira, deixou muito pouca margem de manobra a todas as partes envolvidas (jogador, treinador, clube).
 
 
 

Encostado, ou coisa parecida, nem o que demos por ele quando o contratámos, valia. Por tudo aquilo que já se viu ser capaz de congeminar no balneário, com impacto negativo junto do grupo de trabalho, se tivesse que o avaliar, talvez lhe desse um valor abaixo de zero.

 

Vir um clube como o Inter de Milão, aliás à semelhança do que aconteceu com o outro do chapéu, dar 10 milhões pelo Palito, é quase como estar com uma gastroenterite, e encontrar uma casa de banho decente no deserto tunisino (been there, done that!).

 

Ainda bem para nós, mas o que me faz espécie é porque é que os neroazzurri se prestaram a desembolsar tais quantias por aqueles dois jogadores?

 

Dirão que são dois bons jogadores, e que valem aquela dinheirama toda. No caso do uruguaio, não contesto. Quando quer, consegue ser efectivamente um dos melhores do mundo na sua posição. Ou pelo menos já o logrou conseguir, e os italianos terão a esperança de que volte a sê-lo.

 

O outro, nem tanto, mas parece que é por lá apreciado.

 

Por outro lado, o Inter não é conhecido por fazer contratações de jogadores a pensar na sua valorização e posterior revenda com lucro, como infelizmente parece ser o nosso fado sem remissão.

 

Logo, se se prestou a pagar aqueles valores, será porque era mesmo aqueles que queria no seu plantel.

 

Se é assim, sabendo de antemão o estado azedo a que haviam chegado as relações dos jogadores com o treinador, e por via disso com o clube, por que carga d’água é que atiram com aqueles montantes para cima da mesa, em vez de esperar que os dois lhes caíssem de maduros no colo?

 

Não é que me esteja a queixar, mas do ponto de vista meramente economicista, não parece ser uma decisão muito racional.

 

A não ser que, sem que a comunicação social, sempre tão expedita a arranjar interessados para os atletas que fazem parte do plantel do FC Porto, e que interessa manter, tenha dado por isso, o Inter tivesse alguns concorrentes na corrida por aqueles dois.

 

Ou querem lá ver que nós é que estamos mal habituados por cá, e por outras paragens ainda perdura alguma réstia de ética no futebol?

 

Numa altura em que o próprio Real Madrid parece que se prepara para provar o próprio veneno, e pagar com língua de palmo e meio os métodos que empregou quando contratou o Cristiano Ronaldo, duvido muito.
  
 

A contratação do Lima. Começo por dizer que até há dois dias atrás, gostei do Lima enquanto jogador, e que não me importava se por esta altura envergasse de azul e branco, em várias tonalidades, em vez de vermelho e branco.

 

No entanto, grande parte daquilo que vou escrever de seguida, infelizmente também teria aplicação se estivesse connosco.

 

Por uma vez, concordo inteiramente com a opinião do tratador de cavalos que masca chiclas, e também acho que são perfeitamente compatíveis, podendo jogar lado-a-lado, o Cardozo e o Lima.

 

Como alguma comunicação social, a mesma a que acima aludi, fez questão de frisar que, enquanto pontas-de-lança prioritários das suas equipas, aqueles dois valeram na pretérita temporada, 20 tentos cada um.

 

No entanto, jogando juntos, salvo se estiver para vir por aí uma avalanche de jogo ofensivo, dificilmente conseguirão alcançar aquela marca. Portanto, a tendência será para reduzirem a sua produtividade.

 

Marcando menos golos, é muito natural que baixe o seu valor de mercado.

 

Dado que o clube em questão tem no seu plantel mais dois avançados muito semelhantes àqueles, Rodrigo e Kardec, será com naturalidade que estes últimos perderão algum espaço na equipa e tempo de jogo, ainda que no caso do segundo, tal não passasse à partida de uma miragem.

 

Tratando-se de dois jogadores mais jovens que o Lima, e com alguma margem de progressão e valorização, jogando menos, é esse potencial que em parte se perde.

 

A entrada deste jogador no plantel vai ainda dificultar a chamada à equipa de jogadores como o Aimar, o Bruno César ou, ainda que menos, o Gaitán, para jogarem por trás do ponta-de-lança.

 

Mantendo-se o esquema de 4x4x2, só restará, nos casos do Bruno César e do Gaitán, jogar na linha, onde a concorrência é numerosa, e ao Aimar, como médio mais adiantado, onde terá a companhia do Carlos Martins.

 

Seja como for, esta entrada conjugada com a saída do Javi Garcia, como já se percebeu, vai obrigar o Witsel a jogar mais recuado.

 

O Matic ou os Andrés da B, por muito boa vontade que se possa ter, não estão à altura do lugar, e o belga é o que mais garantias oferece. Tendo em conta as suas capacidades, é contudo um desperdício fazer dele um trinco mais posicional, e mais uma opção que dificilmente concorrerá para a sua valorização.

 

Tudo somado, qual é a racionalidade da contratação de mais um ponta-de-lança, por uma equipa que só dispõe de um lateral-direito e que não tem lateral-esquerdo, nem um trinco capaz?

 

Estes são três exemplos de como se fossemos apenas pela questão da racionalidade do mercado, uma grande parte dos negócios no futebol estariam fadados a morrer à nascença.

 

Nestes casos, ainda bem para nós.

Contas de sumir

29
Ago12

 

 

A 6 de Agosto, o nosso plantel era o seguinte:

 

Guarda-redes: Helton, Fabiano e Kadú;

 

Defesas: Danilo, Maicon, Álvaro Pereira, Miguel Lopes, Rolando, Emídio Rafael, Sereno, Mangala, Abdoulaye, Alex Sandro e Otamendi;

 

Médios: Lucho Gonzalez, Castro, João Moutinho, Fernando e Defour; e

 

Avançados: Iturbe, Jackson Martinez, James Rodriguez, Kléber, Hulk, Varela, Djalma, Janko, Atsu e Kelvin.

 

Entretanto, o Álvaro Pereira foi-se, o Sereno, idem aspas, e o Djalma e o Janko, idem aspas aspas.

 

O Rolando tem uma proposta do Queen Park’s Rangers, mas esperto como o rapaz é, quer é ir para Itália.

 

Pudera, no futebol inglês os centrais, embora cada vez menos, ainda têm que dar o corpinho ao manifesto. No calcio, com a muralha de gente que se planta entre o meio-campo e a linha de defesa, a bolinha ou chega filtrada, ou em rasgos de velocidade. Mesmo ao queres para o nosso amigo, que não anda ali para levar com klingons e com orcs.

 

O João Moutinho tinha a concorrência do Mvila para o Tottenham, e agora acabou por ser o Dembelé a ficar com o lugar.

 

O James Rodriguez gosta do futebol espanhol. O Hulk é muito caro para o Zenit, mas parece que ainda subsistem dois concorrentes. O Chelsea, que era o preferido do Incrível, agora vira-se para o Cavani.

 

O Inter também estará interessado no Fernando e, pasme-se, há dias havia “meia Europa atrás do Kléber”, e não consta que fosse mania da perseguição…

 

(se quiserem ter uma ideia das movimentações reais e imaginárias do mercado sugiro que consultem o Relvado)

 

Até o Belluschi, o Addy e o Kieszek, que não entravam para as contas do plantel, conseguiram colocação. Faltam o Bracalli, o Sapunaru, o Fucile (?) e o Ukra.

 

O Emídio Rafael é uma incógnita, o Castro e o Kelvin dão a ideia de ainda cá estarem para evitar a falta de quórum nos treinos de conjunto, e quando calhar, fazer uma perninha na B. Se estiverem para aí virados, é claro…

 

O Iturbe, nem sei se para isso.

 

Ou seja, dos 29 para o Tri de então, neste momento estamos reduzidos a 25, and counting…

 

Guarda-redes: Helton, Fabiano e Kadú;

 

Defesas: Danilo, Maicon, Miguel Lopes, Rolando, Emídio Rafael, Mangala, Abdoulaye, Alex Sandro e Otamendi;

 

Médios: Lucho Gonzalez, Castro, João Moutinho, Fernando e Defour; e

 

Avançado: Iturbe, Jackson Martinez, James Rodriguez, Kléber, Hulk, Varela, Atsu e Kelvin.

 

E é bastante provável que saia mais alguém. Assim sendo, ocorre-me perguntar:

 

Estamos a pouco mais de 60 horas do fecho do mercado de transferências de Verão.

 

O que temos chega?

 

Dará para a competição interna, e/ou para botar uma figura assim-assim na Champions? Tenho algumas dúvidas.

 

A SAD terá alguém em carteira para suprir (mais) alguma eventual saída? Espero que sim.

 

Se por um inverosímil bambúrrio de fortuna, como foram uma grande parte das saídas até agora, o Kléber tiver de facto, por algum motivo, que até podem ser multas de trânsito, “meia Europa atrás dele”, e o consegue apanhar, ficamos só com um ponta-de-lança.

 

Pronto, pronto, bem sei que temos o Dellatorre nos Bs, que parece ter alguma qualidade e marca golos. E o Sebá e o Vion. Mas será suficente?

 

Ficando o Hulk, caso haja necessidade, temos sempre a opção, que tem tanto de miraculosa, como de estultícia, de o pôr a jogar ao meio.

 

Saindo, ficamos sem suplente à altura para o Jackson Martinez (quando digo “altura”, estou novamente a pensar no Kléber, como devem ter percebido! - 1,84 do colombiano para 1,89 do brasileiro).

 

E se o Fernando sair? E o Moutinho?

 

Por favor, que chegue de uma vez o 1 de Setembro, que esta ansiedade mata!!

 

 

(Olha, olha, até o Xanax é azul e branco!!)

Amor à camisola vs. Mediocridade

01
Ago12

Nunca mais acaba este mês de Agosto! Isto é que vai ser penar a bom penar até ao dia 31.

 

Não estamos declaradamente vendedores, e presumo que só estaremos compradores, dando-se o caso de, eventualmente, vendermos alguém. No entretanto, vamos estando encostadores, vidé os casos do Sapunaru e do Belluschi.

 

E vamos apanhando diariamente com estórias, como esta agora do Fernando.

 

 

Somemos-lhe o João Moutinho, deixem acabar os Jogos Olímpicos, e acrescentem-lhe o Hulk, e não me surpreendia grandemente se, a páginas tantas, tivéssemos também o James a tinir.

 

Sobre o Rolando e o Álvaro Pereira, nada.

 

Se há coisa que sempre me fez espécie, é, passe o exagero, a sensação de que alguns jogadores que chegam ao nosso clube, mal desfazem as malas, se é que as chegam a desfazer, estão prontos a aviá-las para rumar a outras paragens.

 

Na melhor das hipóteses, chegam ao FC Porto, fazem uma temporada em cheio, são campeões, ganham taças e supertaças, até talvez troféus internacionais, e…adiós, adieu, auf wiedersehen, goodbye, que se faz tarde.

 

É perfeitamente compreensível que queiram ver melhorados os seus salários, que queiram vivenciar outras realidades, outros campeonatos, que procurem outro tipo de desafios, mas caramba, será que estão assim tão mal por cá?

 

Para piorar as coisas, noutros sítios vejo situações como a do Simão Sabrosa, por exemplo, que reza a lenda, parece que não só estava de malas aviadas, como dentro do próprio avião, e que se deixou persuadir a regressar.

 

Voltou, jogou como sempre fazia – o ranho na parede do costume – e, se não me engano ainda foi campeão.

 

Entre nós, por muitos anos que viva, e Alzheimer à parte, nunca me esquecerei das figuras tristes que os senhores Maniche e Costinha fizeram, porque não os deixaram sair na época a seguir à conquista da Champions.

 

O Bruno Alves e o Raúl Meireles foram versões mais soft do mesmo filme. Mais recentemente, tivemos o Falcao, e bem fresquinhos estão os casos do Guarín, do Rolando e do Álvaro Pereira.

 

Todos sabemos que não serão portistas desde pequeninos, mas que diabo, o Maxi Pereira, o Luisão e o Cardozo serão benfiquistas desde pequeninos?

 

Vai na volta, e algum papel para forrar fundos de gaiolas de periquitos, escarrapacha na primeira página que há um clube interessado no Luisão (até à época passada, era todos os defesos!).

 

Ou no Cardozo. Ou no Gaitán, no Javí Garcia, no Saviola, no Aimar...

 

A renovação do Maxi deu água p’ra barba. E no entanto, eles lá estão todos.

 

Os que ainda não foram para outro blog, dada a overdose de coisa ruim que p’ráqui vai, devem estar a pensar:

 

“Pois é, meu palerma. É que os interesses que a imprensa apregoa nesses jogadores, são tão verdadeiros como as ofertas pelo Hulk, que fazem as manchetes”.

 

É de facto, bastante provável. Não passará tudo isto de uma maquinação dos jornais desportivos, para valorizar junto do coração crédulo dos adeptos, estes jogadores e a própria direcção do clube, uns porque vão ficando e a outra pelos pretensos esforços providenciais que vai envidando para os prender?

 

Porque é que, nunca, em tempo algum, algum clube se chegou à frente para contratá-los?

 

No nosso caso, depois das birras, o Maniche, o Costinha, o Falcao e o Guarín, acabaram mesmo por sair. Portanto, interessados, havia. E os outros?

 

Os jogadores de futebol são iguais em todo o lado. Se surgir um clube que ofereça um bom salário, tanto faz ser um Cristiano Ronaldo ou um Modric, como um Tiago, um Enzo Peréz ou um Ruben Amorim. Qualquer um nessa posição, estica a corda até à irreversibilidade da coisa.

 

Os clubes, ao que consta a maior parte deles, não andam a nadar em dinheiro, e ter activos hipervalorizados encostados, não é um luxo de que todos se possam ufanar.

 

Então, porque será que aqueles jogadores se desviam daquele que seria o padrão normal de comportamento, não só no FC Porto, como noutros sítios? Pois, essa seria a resposta óbvia, mas não vamos por aí, s.f.f.!

 

Pondo de lado teorias da conspiração, é bastante plausível que os tais “interesses”, não passem de meras efabulações, com uma dose valente de “wishful thinking”.

 

Só para poder continuar, admitamos que existiam mesmo interessados neles. Estão a ver jogadores como o Luisão, o Maxi Pereira, o Javí Garcia ou o Cardozo, a conseguirem fazer carreira noutro lado, noutro clube?

 

Quando digo carreira, refiro-me a um lapso de tempo relativamente extenso, e não ficar por lá um, dois anos. Vamos ver quanto tempo aguentará o Cachinhos Dourados em Stamford Bridge…

 

Eu não vejo. Aquele clube e o nosso futebol são um oásis para jogadores daquele jaez, nomeadamente no campo disciplinar. Onde mais conseguiriam ser levados ao colo como são ali, e queridos pelos adeptos, mesmo quando a única coisa que conquistam são Taças Lucílio Baptista?

 

Em que outro sítio teriam a grata satisfação de ser presença assídua nas primeiras páginas, ainda que depois acabem a forrar fundos de gaiolas de periquitos?

 

Onde mais poderiam ser obsequiados diariamente com um tratamento VIP, como se de vedetas se tratassem, apenas porque envergam um equipamento vermelho?

 

 

Sejamos honestos: em mais lado nenhum. Estes jogadores não fazem o mais pequeno esforço para sair porque, por um lado, não existem, a não ser na imaginação fértil de alguns, os convites e interesses de que se fala. Por outro, porque ainda que aqueles existam, muito simplesmente, não lhes convém.

 

Estão perfeitamente adaptados e conformados com o nosso futebolzinho, de trazer por casa, às suas tricas, zangas de comadres e diarreias mentais, confundidas com mind games.

 

As suas vidinhas desportivas atingem os píncaros, quando, por algum acaso pouco aleatório do destino, almejam conseguir alguma vitória contra o FC Porto. Ah! E as Taças Lucílio Baptista, é claro.

 

Assim sendo, será tão abjecto o facto de os nossos jogadores quererem “dar o salto” para outras paragens? Não será isso sinal de que recusam o conformismo, e que não se rendem à mediocridade geral?

 

Se os procuram, não será isso sinal de que têm qualidade, para dar esse salto?

 

Por muito que me custe, e por muito que apreciasse ver, de vez em quando, algumas provas de amor indefectível à camisola, entre o que temos e vemos, e a rendição à mediocridade, mil vezes antes um milhão de notícias sobre o Fernando no Inter, o Hulk no Tottenham, o Fucile no Anzhi, e assim por diante.


 

Nota: Apresento antecipadamente as minhas desculpas a todos aqueles, a quem o excesso de vermelhidão deste texto, possa eventualmente ter ferido na sua susceptibilidade. Foi apenas a melhor maneira que encontrei de colocar as coisas em perspectiva…